Populares no Brasil, café e brigadeiro são dupla harmônica, diz sommelier

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Uma combinação de dois produtos da culinária brasileira que dá certo: café e brigadeiro. A harmonização do doce tipicamente brasileiro com uma das bebidas mais consumidas no Brasil é destaque na 16 edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. O coffee sommelier Vitor Gabira explica que os mais variados tipos de café combinam perfeitamente com outras tantas variações do brigadeiro.

O workshop da harmonização de café e brigadeiro é um dos destaques da programação da 16ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, na cidade histórica de Minas Gerais. Cerca de 35 mil visitantes são esperados em dez dias de eventos. São palestras, cursos, estandes, festins, shows e atrações culturais variadas que compõem o festival. Ao todo, 40 restaurantes participam do circuito.

Segundo o coffee sommelier, se Minas Gerais fosse um país, seria o maior produtor de café do mundo. “Minas é realmente espetacular. Você tem todas as qualidades aqui em grande produtividade. É o melhor café do mundo, sem dúvida”.

Sobre cafés fracos e fortes, Vitor Gabira explica que o correto seria usar outros adjetivos, como ácidos, leves ou encorpados. O café fraco é o mais diluído, e o forte é o que tem maior concentração de pó. Quando as proporções de pó e água são as mesmas, temos ainda cafés completamente diferentes. As espécies do café e suas variações, além de combinações entre elas, possibilitam centenas de aromas de cafés diferentes.

Café e brigadeiro no Festival de Gastronomia de Tiradentes (Foto: Cíntia Paes/G1)

E é justamente a diversidade dos tipos de cafés que favorece a harmonização com tipos diferentes de brigadeiro. O tradicional, feito com leite condensado e chocolate, combina muito bem com um café mais encorpado, seco, com notas de cacau, como explica o coffee sommelier. Após a degustação, o especialista diz que o café harmoniza com o brigadeiro de chocolate porque são sabores contrários. O leve amargor da bebida com a doçura da sobremesa interagem de forma muito agradável ao paladar.

Já um café um pouco mais ácido, que, segundo o sommelier, causa mais salivação na boca, e um pouco mais leve, com notas de mel, combina bem com um brigadeiro de capim cidreira. O doce leva, em seu preparo, folhas do capim, muito usado em chás, e não tem chocolate. Para finalizar, uma camadinha fina de coco ralado. “Pergunto: precisa adoçar o café? Não. Ele já tem uma doçura natural. Pelo contrário, ele equilibra o doce no paladar”, descreve Gabira.

O sommelier recomenda que, para degustar o doce com a bebida, é essencial primeiro beber um pouco e deixar o paladar do café apurar na boca. Depois, comer um pedacinho do doce. E a terceira etapa, comer outro pedacinho junto com um gole do café. A experiência dos dois sabores na boca é realmente bem agradável, e um consegue realçar o sabor do outro, sem que haja sobreposição.

Gabira fala também da importância de se experimentar. Tentar sempre buscar novos sabores com a mistura de outros já existentes. “O brasileiro toma muito café, mas degusta pouco. E o nosso papel é educar, ensinar”, diz sobre a crescente valorização da experiência de se beber café.

Café ruim e café bom
O sommelier diz, também, que não existe café ruim. Existe café com defeito, o grão defeituoso, o processo de colheita, armazenamento e cocção inadequados. Mas quando o café é de qualidade, ele sempre é bom. E aí, o que varia é o paladar do consumidor. A experiência de se beber café é muito particular, e muito ligada à uma memória degustativa. Por isso, segundo Gabira, é importante incentivar que o brasileiro deguste mais café. Para que ele conheça, cada vez mais, sobre a bebida, e passe a apreciar como atualmente é feito com os vinhos.

Produção
Para Gabira, o produtor rural, que tem a forma artesanal de colheita, secagem e moagem, é muito importante para a produção de um café de qualidade. É ele tem quem a forma mais fácil e cuidadosa de fazer a seleção grão por grão de café, e garantir uma bebida de excelência. Mas esta característica não significa que a grande indústria também não consiga fazer um café de qualidade. Também existem grandes empresas com excelente resultado em sua produção.

E a valorização deste pequeno produtor é fundamental neste processo mais recente de reconhecimento do café como uma bebida como o vinho, digna de degustação e estudo.

“É fundamental você apoiar o pequeno produtor, para que ele se mantenha na cafeicultura. Eu sei que o grande vai se manter. E o pequeno? Ele faz um café excepcional, de extrema qualidade, e se, ele não conseguir, ele vai migrar de cultura”. E esta valorização significa dar estrutura para que ele passe para a próxima geração o cultivo do café, e remunerar muito bem o produtor.

Cultura do café
O coffee sommelier diz que, em um futuro não distante, o brasileiro pode ter uma cultura mais apurada do café, um pouco como já acontece com o vinho.

“Cada vez mais, as pessoas valorizam o que tem qualidade. Porque o ruim não é pagar mais pelo que tem qualidade. É pagar caro pelo o que não vale. A gente pode não ter cultura [de degustar o café] mas agora a gente tem condição. E a condição leva à cultura. Então, se cada especialista ensinar sobre café, em dez anos, a gente vai modificar completamente a cultura enogastronômica no Brasil, e valorizando o que a gente tem de bom”, encerra.

Fonte: G1 MG

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