
Segundo levantamento realizado pela Organização Internacional do Café (OIC), as temporadas 2014/15 e 2015/16 devem ser marcadas por um déficit no mercado global de café. Segundo o chefe de operações, Mauricio Galindo, a OIC projeta um déficit no mercado de café arábica entre 4 milhões e 5 milhões de sacas em 2014/15.
De acordo com o técnico da Procafé, Rodrigo Neves Paiva, devido a essas intempéries o déficit hídrico que deveria diminuir com a chuva, aumentou. “Nós registramos que em Varginha-MG, o mês de setembro teve 45 mm de chuva, mas o esperado era 70 mm. O déficit hídrico na cidade era de 180 mm e agora passou para 211 mm, no município de Boa Esperança-MG, o déficit registrado era de 226 mm, mas aumentou para 256 mm”, afirma.
Segundo Paiva, a situação é crítica pois a partir de 150 mm de déficit, o café entra em estado de murcha, o que pode prejudicar significativamente a próxima safra. “A situação é bastante incomum com esse déficit que perdura desde meados de janeiro e que vem se acentuando. Ele prejudica muito a planta, tanto no desenvolvimento quanto no ‘pegamento’ da florada”, diz.
A região registrou déficit parecido em 2007, quando a falta de chuvas chegou a 270 mm na região. No entanto, a situação era diferente, pois era época de seca, segundo o técnico.
Os cafezais de algumas cidades mineiras já tiveram floradas extemporâneas, mas sem ‘pegamento’. De acordo com o técnico da Procafé, para que as flores permaneçam nos cafés é necessário que os próximos dias sejam de chuvas constantes, regulares e volumosas. Assim, a florada principal também virá. “Para garantir o bom ‘pegamento’ da florada para a produção na próxima safra é necessário que ocorram chuvas significativas ou que o produtor de irrigação consiga fazer esse trabalho de salvação para garantir uma boa produção. Se a chuva não acontecer teremos o abortamento dessa florada com prejuízos para a próxima safra”, diz Paiva.
De acordo com o técnico da Procafé, para regularização do déficit hídrico seriam necessárias precipitações quase impossíveis. “Precisava chover 150 mm, mas isso é quase impossível. Então, o normal é chuva de 110 mm ao longo do mês de outubro. Mas se essas precipitações vierem esparsas, a planta dificilmente vai se recuperar”, explica.
De acordo com o produtor de café da cidade de Guapé-MG, Frank Scanavachi, em mensagem enviada ao site, as lavouras de café da região estão murchando e os botões florais em estágio avançado secando antes de abrir com a falta de chuva. "Os produtores estão apavorados e vendo a sua próxima safra de novo sendo consumida pelo sol escaldante", diz o cafeicultor.
Fonte: Notícias Agrícolas via Rede Social do Café




