Novas regras da UE: outros países produtores de café podem não conseguir se adequar e apesar dos desafios, Brasil tem oportunidades  

Foi em 2022 que a União Europeia divulgou a aprovação das novas leis para impedir a compra de produtos provenientes de áreas de desmatamento global. Desde então, o setor exportador do Brasil passou a tentar o diálogo com os europeus afim de entender os possíveis impactos para o agronegócio do país.  

A mudança na legislação pode trazer impactos para os embarques de café, carne bovina, cacau, soja, óleo, madeira e óleo de palma. Recentemente, no entanto, após pressão de países produtores – inclusive o Brasil, a União Europeia informou o possível adiamento das novas regras, o que pode voltar a direcionar os negócios no Brasil. 

“Como todas as ferramentas de implementação estão tecnicamente prontas, os 12 meses extras podem servir como um período de introdução gradual para garantir uma implementação adequada e eficaz”, disse a Comissão, em comunicado. 

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Maior produtor e exportador de café do mundo, o Brasil encontra na Europeia um dos principais destinos para a produção de café. O consumo por lá avança, a qualidade ganha destaque, o consumidor é mais exigente em termos de sustentabilidade e o mercado se prepara para entrada da nova lei, seja no início do ano que vem como era previsto ou no longo prazo.  

 O ano de 2024 tem sido marcado por preços expressivos do café. As condições climáticas nos principais países produtores limitam a oferta e as cotações alcançam preços recordes e o cenário atual mantém o mercado com intensa volatilidade.  

Ainda assim, com preços recordes para o arábica e para o robusta, o Brasil continua batendo recorde atrás de recorde com a exportação de café. Lideranças do setor afirmam que a Europa, inclusive, prepara os estoques para quando a nova lei entrar em vigor.  

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Os dados mais recentes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicam que o país embarcou 4,5 milhões de sacas. O volume é histórico para o mês e no acumulado anual também de recorde com 36,4 milhões de sacas em 2024.  

 Para o café, o Brasil é o país que está liderando os diálogos com a União Europeia. De acordo com Marcos Matos, diretor-executivo do Cecafé, países da África, por exemplo, já sentem os impactos e não conseguem mais vender para importantes players do mercado.  

“É uma indicação viável, formal, que precisa ser votada no Parlamento. É uma conquista, nós sabemos que tem outras etapas, mas que tem uma formalização intencional dessa intenção, então para nós é uma sinalização muito importante dentro daquilo que a gente vem trabalhando”, afirma.  

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Seja em janeiro de 2025 ou nos próximos anos, a implementação da nova lei vai trazer impactos significativos para a cafeicultura global. Países reconhecidos no mercado de qualidade – aquele em que se agrega valor ao produtor, podem ser duramente afetados como é o caso de regiões da África ou Indonésia, por exemplo.  

“Na Indonésia é proibido o envio de geolocalização, uma questão de segurança nacional e é bem provável que outros países também tenham essas mesmas restrições. Então realmente é muito desafiador”, disse. Marcos ainda relata que a própria União Europeia encontra dificuldades para acessar as informações que estão sendo coletadas. 

Desde o início dos debates e apesar da necessidade de entendimento da nova lei e dos desafios de adequação, o setor cafeeiro do Brasil enxerga o cenário como uma oportunidade de mostrar a sustentabilidade e qualidade dos cafés produzidos por aqui.  

Lideranças trabalham em uma nova plataforma de rastreabilidade para comprovação das boas práticas agrícolas, desenvolvimento de índice humano nas áreas onde o café está inserido e atender os demais requisitos do mercado internacional. Vale ressaltar que a União Europeia é quem lidera as mudanças, mas o setor já trabalha no radar com a possibilidade de novas regras também nos Estados Unidos – principal parceiro comercial do Brasil.  

O país conta hoje com 35 regiões produtoras reconhecidas pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Para o Sul de Minas Gerais, principal região produtora de café do país, o reconhecimento pelas boas práticas é fator determinante para a fluidez de bons negócios.  

Produtores, cooperativas e associações da região se mobilizam para comprovação da sustentabilidade e garantir que o mercado internacional reconheça a qualidade da bebida na xícara.  

No estado de São Paulo, a BSCA também reconhece áreas produtoras na Média Mogiana e na Alta Mogiana, além das região de Garça, Ourinhos, Avaré e região de Pinhal. 

Por Virgínia Alves (Tudo Ep)