Apesar de ações do BC, dólar cede para R$ 1,67; Bovespa cai 0,5%

As várias intervenções do Banco Central no mercado de câmbio doméstico contribuem, por enquanto, para evitar que o dólar comercial fique muito abaixo de um determinado patamar (em torno de R$ 1,67, como visto nas últimas semanas).

Hoje, o BC estreou uma "ferramenta" deixada de lado há um bom tempo: os leilões para comprar dólar a termo, isto é, em que as operações são liquidadas numa data futura.

A autoridade monetária somente revelou a taxa (R$ 1,6800) em que foram fechados os negócios, sem o volume financeiro. De acordo com analistas do mercado, como as operações tiveram prazos bastante curtos (para vencer no início de fevereiro), esses primeiros negócios podem ter sido somente "ensaios" antes de leilões de maior porte.

Além das compras "a termo", o BC também promoveu seus leilões diários para comprar dólar "à vista" (com liquidação em dois dias úteis), nos horários habituais: por volta das 12h (hora de Brasília) e das 15h45. O volume desses negócios será divulgado na próxima quarta-feira. Na semana passada, o BC comprou dos agentes entre US$ 200 milhões e US$ 670 milhões por dia.

Todas essas ações, no entanto, não impediram que o dólar cedesse mais uma vez, para R$ 1,674, em uma queda de 0,65% sobre a taxa de sexta-feira. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado por R$ 1,780 para venda e por R$ 1,620 para compra.

Ainda operando, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) cai 0,50%, aos 66.364 pontos. O giro financeiro é de R$ 4,5 bilhões. Nos EUA, a Bolsa de Nova York avança 0,38%.

Profissionais do mercado lembram que hoje é um dia "a parte" para o segmento do câmbio. No último dia útil do mês, aumenta a intensidade da briga entre os agentes financeiros, que buscam influenciar a formação da taxa de câmbio do dia, conforme ganhem com a alta ou a baixa dos preços. A questão é que o preço formado hoje vai servir de referência para o fechamento dos negócios na BM&F no dia 1º.

Como visto, os agentes financeiros "vendidos" (que preferem o dólar em baixa) ganharam a disputa deste mês. A perspectiva de que os juros básicos da economia voltem a subir em março, e nos próximos meses, contribuem para deprimir as cotações.

Fonte: Folha Online