Exportação de café sobe 13%, mas faturamento cai 15%; governo fará leilões

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O crescimento das exportações de café e a alta na cotação do dólar têm sido incapazes de frear a queda no faturamento dos produtores brasileiros. O motivo é o preço do produto no mercado externo, que, na média, perdeu 25% do valor em dólares nos últimos 12 meses.

De janeiro a agosto, os embarques de café foram 13,3% superiores aos do mesmo período de 2012. Porém, a receita acumulada com as vendas baixou 15,2% (menos US$ 619 milhões, ou R$ 1,4 bilhão). Há desvalorização porque a oferta tem aumentado mais do que o consumo mundial.

Para amenizar a situação, o governo brasileiro, por meio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), investirá R$ 1,050 bilhão em três leilões públicos de café neste mês. Serão adquiridos 3 milhões de sacas de 60 quilos, ao preço unitário de R$ 343, para retirá-las do mercado e elevar a cotação do produto.

O valor oferecido pelo governo, equivalente a US$ 150, se aproxima do preço médio da saca alcançado em agosto e divulgado no mais recente relatório do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), de US$ 151,87 – atingido após 12 meses de quedas mensais ininterruptas.

Outra medida foi anunciada na Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte (MG). Na segunda-feira (9), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antonio Andrade, disse haver R$ 5,8 bilhões em caixa para financiar lavouras, estoques e capital de giro para indústrias e cooperativas.

Leilões podem reduzir potencial de exportação, diz diretor do Cecafé
O diretor-geral do Cecafé, Guilherme Braga, entende que os leilões "não têm efeito de sustentar" os preços. Para ele, o governo deveria financiar exportadores, torrefadores e a indústria de café solúvel. Esses setores ampliariam estoques, programariam vendas por maior prazo e poderiam produzir mais para o mercado interno.

"Isso aumentaria a demanda em quase 2 milhões de sacas. Quando o governo eleva a estocagem [com leilões] e contrai a oferta, reduz o potencial de exportação. O espaço é ocupado pela concorrência. No ano passado, deixamos de exportar 4 milhões de sacas", diz Braga.

Na abertura da Semana Internacional do Café, na segunda-feira (9), o diretor-executivo da OIC (Organização Internacional do Café), Robério Silva, manifestou preocupação com a queda nos preços do café e o ritmo de produção nos próximos anos.

"Com custos de produção mais rígidos, como consequência de maior sustentabilidade econômica, social e ambiental, e maiores custos para conter enfermidades [no café], podemos esperar maior instabilidade de produção nos próximos anos", declarou Silva, conforme a assessoria de imprensa do encontro.

Guilherme Braga, do Cecafé, estima que os preços deverão subir novamente nos próximos seis a oito meses. A intensidade dependerá do volume colhido na próxima safra, do qual os cafeicultores terão ideia a partir de outubro, quando ocorrerá a florada (aparição das flores do café nas lavouras).

Com preço da saca em queda, houve prejuízo mesmo com alta do dólar
Entre janeiro e agosto deste ano, segundo o Cecafé, as exportações somaram 19,7 milhões de sacas. O volume cresceu 13,3% na comparação com o mesmo período de 2012, quando se venderam ao exterior 17,4 milhões de sacas.

No ano passado, porém, o preço médio da saca era de US$ 235,24, e a receita totalizou US$ 4,086 bilhões no período. Neste ano, com o produto a US$ 176,11 em média, o faturamento foi de US$ 3,467 bilhões. Por isso, enquanto as exportações cresceram, o rendimento aos produtores, em dólares, caiu 15,2%.

Houve prejuízo mesmo levando em conta a disparada na cotação do dólar. No final de agosto do ano passado, a moeda norte-americana, no câmbio comercial, para venda, valia R$ 2,0310. Um ano depois, R$ 2,3851 – alta de 17,4%.

Ao se converter o faturamento para reais, ainda assim houve saldo negativo de um ano a outro. Em moeda nacional, as receitas de janeiro a agosto de 2012 atingiram R$ 8,299 bilhões. Neste ano, R$ 8,269 bilhões (-0,4%). Os cálculos se basearam na cotação do dólar em cada época.

Os Estados Unidos são os maiores importadores do produto brasileiro, segundo o Cecafé, ficando com 20% do total. Depois, vêm Alemanha (17%) e Itália (9%).

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e o segundo maior consumidor, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A safra deste ano é estimada em até 50,16 milhões de sacas de 60 quilos, 1,3% inferior à do ano passado (50,8 milhões).

Fonte: UOL

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