As lavouras de café podem ser atacadas por várias espécies de nematóides, sendo que as espécies M. paranaensis e M. incognita são as que causam danos mais severos, provocando degenerescência geral das plantas, levando até à sua morte.
No controle dos nematóides em cafeeiros podem ser usados sistemas com uso de nematicidas, químicos ou biológicos, ou lançando mão de variedades resistentes. A maioria das variedades de café arábica, em uso nas lavouras, são susceptíveis aos nematóides das espécies M. paranaensis e incognita, havendo boa resistência em 2 materiais genéticos, que vem sendo usados em plantios, sendo o IPR 100 e o
106. Porém, essas cultivares são suscetíveis à ferrugem, sendo desejável buscar alternativas de materiais arteriais que associem resistência múltipla.
Na presente nota técnica objetiva-se relatar o desenvolvimento de uma nova fonte de cafeeiros, com resistência aos nematóides das espécies mais graves. O trabalho foi feito através de um ensaio de testagem em campo, com plantio sobre área infestada pelos nematóides M. paranaensis e incgnita, em Restinga -SP. O acompanhamento do desenvolvimento do desenvolvimento das plantas do ensaio e as avaliações foram feitos através da observação da morte e falhas das plantas e ainda do estado vegetativo e
produtivo das plantas, ao longo dos anos e até aos 6 anos de idade.
Foram utilizados, em comparação, os padrões resistentes IPR 100 e 106 e como suscetíveis os Catuais 62 e 144. As parcelas eram de 6 plantas e haviam 4 repetições ao acaso no ensaio. Na tabela 1 são apresentados dados de mortalidade/falhas de plantas nesses materiais, em comparação com o que foi observado no novo material em teste – a seleção Guará 20.
Verifica-se que tanto os materiais dos IPRs como a nova seleção, de Guará 20, não apresentaram falhas por morte de plantas, devidas ao ataque dos nematóides. Já, nas parcelas de Catuai a mortalidade de plantas veio crescendo, com o efeito do ataque da praga, atingindo 50% das plantas mortas nas parcelas dessa cultivar susceptível.
As plantas da seleção Guará 20, aos 6 anos de idade, se mostram em bom estado vegetativo, vigorosas, com a copa bem conformada e de tamanho normal, enquanto as de Catuai ou morreram ou se apresentam amareladas, com ramagem seca e em processo adiantado de depauperamento. Esses aspectos vegetativos podem ser observados na figura 1.
Com base nesses resultados fica bem evidente a capacidade da seleção Guará 20 de manter boa resistência ao ataque da população de nematóides das espécies M. paranaensis e incognita, servindo como nova alternativa para plantio em áreas infestadas. Destaca-se que a seleção de Guara 20 tem, também, resistência à ferrugem. As suas plantas têm porte baixo, brotação nova de cor verde, frutos vermelhos e de maturação média. Ela tem origem na cultivar Guará, a qual veio do material de Catucai Vermelho, da cv 20/15.
Tabela 1- Percentual de falhas em plantas de café, aos 6 anos de idade, no ensaio de teste de resistência aos nematoides M. paranaensis e M. incognita, Restinga -SP, 2026 – dados médios de 3 repetições.


Publicado por: J.B. Matiello, Leandro S. Andrade, Marcelo Jordão Filho, Lucas Ubiali e Lucas Bartelega – Engs Agrs Fundação Procafé e Gabriel Devoz –Eng Agr Bolsista Fundação Procafé – FEF | Fundação Procafé





