Produção no estado deve chegar a 33 milhões de sacas em 2026, e cenário gera novas oportunidades para o segmento.
No Dia Internacional do Café, que será celebrado nesta quinta-feira (1/10), Minas Gerais tem motivos para comemorar. Segundo o Sindicato da Indústria do Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), com base em um levantamento do Sistema Faemg Senar, o estado deve produzir 33,4 milhões de sacas do tipo arábica neste ano. O volume é 32,5% maior em relação ao registrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2025.
Conforme o sindicato, a oferta maior do produto ocorre depois de um período de forte valorização do fruto e contribui para uma acomodação dos preços. Para o presidente do Sindicafé, Sergio Meirelles, esse movimento pode beneficiar toda a cadeia, principalmente se a redução do preço vier acompanhada de boa produtividade no campo. “Em 2025, chegamos a encontrar café entre R$60 e R$80 o quilo no varejo. Com preços mais acessíveis, temos condições de recuperar consumo e, ao mesmo tempo, avançar na qualidade”, afirma.
Em meio à alta produção cafeeira, Meirelles aponta uma mudança interessante no mercado que diz respeito aos consumidores mais jovens. Ele observa que a bebida vem ganhando espaço entre aqueles que têm um estilo de vida mais saudável, com a prática de atividades físicas e alimentação balanceada. As cafeterias também se consolidaram como locais de encontro, além do crescimento do interesse desse público pela origem do grão, qualidade, torra e diferentes formas de preparo.
“Hoje vemos jovens conversando sobre café até na academia, perguntando qual café o outro toma e querendo experimentar produtos diferentes. O café passou a fazer parte de novos momentos de convivência”, observa.
Na visão de Meirelles, esse comportamento representa uma oportunidade para a indústria. À medida que conhece produtos melhores, o consumidor passa a perceber diferenças de aroma, sabor e qualidade. “Quando a pessoa aprende a tomar um café melhor, dificilmente quer voltar para um café de qualidade inferior. Nosso desafio é oferecer cada vez mais qualidade, mas mantendo o produto acessível”, diz.
“A safra maior de 2026 chega em um momento de transformação. Enquanto o produtor busca mais produtividade no campo, a indústria encontra uma nova geração interessada em descobrir o que existe por trás de uma boa xícara de café”, acrescenta.
Apoio ao produtor
A FIEMG está conectada ao agro e à cultura cafeeira também pelo projeto IndustriAgro. A iniciativa tem como propósito aumentar a produtividade agrícola a partir da modernização dos processos de manutenção e do uso de equipamentos rurais, segundo a coordenadora do programa, Ana Luiza Silveira, que é gerente de Eficiência Operacional Industrial do SENAI MG.
O projeto foi lançado em 2024, a partir de um protocolo de intenções firmado entre SENAI e Sebrae. Os trabalhos começaram em fazendas do Triângulo Mineiro, incluindo as produtoras de café, e se expandiram para o Norte, Noroeste e o Centro-Oeste do estado.
“O projeto oferece a produtores rurais consultorias especializadas e capacitações tecnológicas nas propriedades, o que nos permite diagnosticar falhas, reduzir custos e otimizar a eficiência dessas localidades”, explica a gestora.
Com o IndustriAgro, o SENAI utiliza a metodologia aplicada na indústria, incluindo manufatura enxuta, voltada a eliminar o desperdício e elevar a produtividade, com foco na melhoria contínua de processos, conforme Ana Luiza.
Publicado por: Rafael Passos | FIEMG





