A insatisfação do setor cafeeiro com o preço mínimo do produto permeou as discussões da audiência pública realizada na quinta-feira, 24, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Neste ano, o governo brasileiro revisou o preço mínimo do café arábica, variedade superior produzida no País, em 0,84% ou R$ 2,79, ficando o preço em R$ 333,03 a saca de 60 kg, o que resultou em insatisfação dos cafeicultores, informou, em nota, a Agência Câmara de Notícias.
Conforme o diretor-presidente da Associação de Cafeicultores do Brasil, Armando Mattiello, o preço mínimo aplicado no Brasil é 25% menor do que o valor do café na Bolsa de Nova York. “Nós nunca sequer encostamos na bolsa de Nova York, isso não tem lógica”, disse. “Um país que tem 35% de market share e não ser protagonista é porque é muito ruim. Quem tem 35% do mercado tem que mandar, não tem que pedir. Hoje, o preço mínimo do café deveria estar em R$ 693. Em 42 milhões de sacas, estamos falando de um prejuízo de R$ 29 bilhões”, completou Mattiello.
Os produtores acusaram, ainda, o governo federal de descumprir o Estatuto da Terra (Lei 4.504/64), que estabelece que o preço mínimo dos produtos agrícolas deve levar em consideração o custo efetivo da produção, acrescido das despesas de transporte para o mercado mais próximo e da margem de lucro do produtor, que não poderá ser inferior a 30%.

A audiência pública ocorreu a pedido do deputado federal Carlos Melles (DEM-MG), e envolveu as Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços da Câmara do Deputados.
Veja abaixo a explanação de Armando Matiello na audiência pública:




