
Alguns investidores veem a convergência como um sinal para apostar numa reviravolta no mercado do café arábica, que movimenta US$ 6,3 bilhões por ano. O motivo é que, se os preços do arábica e robusta estiverem quase idênticos, as torrefadoras provavelmente vão incluir mais grãos do arábica em suas misturas. Essa pode ser uma boa notícia para o Brasil e a Colômbia, que são os maiores produtores do mundo de café arábica.
Qualquer aumento incremental na demanda pelos torrefadores ajudaria a aparar o excedente global de café arábica e elevar os preços, dizem analistas e investidores. "Quando a produção de robusta é pequena, para onde vão os compradores? Para o arábica de baixa qualidade", disse Shawn Hackett, presidente da Hackett Financial Advisors , corretora e consultoria da Flórida que administra uma carteira de cerca de US$ 20 milhões. Hackett fez apostas de que o mercado de arábica se beneficiaria de um aumento dos preços.
Investidores de commodities estão reduzindo as apostas pessimistas em relação ao café arábica. Segundo a matéria, Joseph Fernandes III, vice-presidente da torrefadora e trading americana Socafe, disse que começou a receber telefonemas em setembro de torrefadores interessados em mudar do café robusta para o arábica. Desde então, a maioria de seus clientes alterou a quantidade de cada tipo de grão em suas misturas em favor do arábica.
Ele disse que várias das empresas de café com que trabalha tinham mudado para o robusta em 2011, quando os grãos de arábica custavam mais de US$ 3 a libra, muitas vezes chegando a custar quase US$ 2 a mais que o robusta. Agora, porém, "o robusta está muito caro", diz Fernandes. "Você vê um monte de [empresas de café] voltando para suas formulações originais."
Os preços do café robusta começaram a subir depois que um tufão atrasou a colheita no Vietnã, o maior exportador mundial dessa variedade. Os contratos futuros acumulam alta de 24% desde o início de novembro, antes da tempestade. Alguns produtores de robusta também estão esperando que os preços subam ainda mais antes de vender o produto, o que reduz a oferta mundial. O Vietnã exportou 27 % menos café robusta em novembro em comparação a um ano antes.
Fonte: Globo Rural Online




