Esse é um dos destaques das análises da edição de abril do Relatório Internacional de Tendências do Café do Bureau de Inteligência Competitiva do Café disponível no Observatório do Café

Nessa década analisada, o Bureau destaca no seu Relatório que a produção global teve um incremento de 27,2%, percentual muito próximo ao crescimento observado no continente Americano, que foi de 27,1%. Tais números mostram que a América, como um todo, na produção de café, manteve no período observado, crescimento compatível com a oferta global, sem perder a sua participação no mercado, mas, obviamente sem ampliar a sua atuação nesse mercado.
Se compararmos esses dados, no mesmo período estudado, com a produção africana, que cresceu 11,6% e a asiática, com 33,7%, de acordo com os estudos do Bureau, verificaremos que na Ásia o crescimento foi puxado principalmente pelo Vietnã, enquanto que na América o Brasil é que tem contribuído há décadas com a maior participação nesse mercado.
Em complemento, destaca o Relatório, que a análise do desempenho individual dos cinco maiores produtores de café do continente americano, cujo primeiro, com aproximadamente 33% da produção mundial, é o Brasil, mostra resultados interessantes. Nessa década estudada, três países apresentaram crescimento nas suas respectivas produções: Honduras (56,1%), Peru (19,8%) e Colômbia (11,3%); e dois apresentaram redução: Guatemala (-9,4%) e México (-21,4%). Contudo, esses países foram afetados por um surto de ferrugem a partir de 2011/2012 e ainda estão se recuperando. A despeito do crescimento verificado em Honduras e Peru, no comparativo de dez anos, a produção desses países em 2014/2015 foi inferior à do melhor ano da série, que para ambos foi 2011/2012.
O Bureau salienta ainda em seu Relatório que para fins desse estudo foram utilizados dados do USDA, o qual divide o continente Americano em quatros regiões produtoras de café: América do Sul, América Central, América do Norte e Caribe. A América do Sul, que possui os dois maiores produtores da região (Brasil e Colômbia), produziu 80,9% de todo o café colhido no continente na safra 2014/2015. A América Central respondeu por 14,4% do total, a América do Norte (México) foi responsável por 3,8% e o Caribe responde por menos de 1%. Vale a pena ler o Relatório e conferir esse estudo.
No que concerne ao mercado consumidor global de café torrado e moído, as análises descritas no Relatório apontam que esse mercado deverá crescer a uma taxa composta anual superior a 5% no período entre 2016 e 2020, impulsionado pelo aumento da cultura e do hábito do consumo de café verificado em vários países do mundo. E, mais que isso, que as vendas de café torrado e moído têm sido impulsionadas pelo aumento do fluxo de pessoas em centros urbanos, estimulando assim a abertura de novos estabelecimentos de serviços alimentícios e cafeterias, bem como pela ascensão das economias de países emergentes.
Nesse mesmo mercado de aumento de consumo verificado em vários países, as análises do Bureau apontam que o segmento internacional de cafeterias passa por forte expansão em todo o mundo, com destaque para os continentes norte-americano, europeu e asiático. Tais fatos podem indicar, de acordo com o Relatório, busca por mercados menos maduros e com melhores expectativas de crescimento e ainda a tentativa de diversificação dos riscos de operação ou mesmo investimento em mercados considerados mais maduros, porém seguros e já bem conhecidos por estas empresas.
O Relatório também sinaliza, e não poderia ser diferente, que a questão da sustentabilidade continua a ser importante tópico de discussão no mercado consumidor de café, seja por fatos relacionados à redução dos resíduos criados pelo descarte de copos descartáveis, entre outros, com cafeterias que utilizam energia limpa, matéria-prima orgânica e tratamento adequado de todos os resíduos gerados por sua operação. Por fim, destaca-se também uma demanda geral por melhoria de qualidade dos grãos comercializados, o que implica adoção de cafés diferenciados e especiais, melhoria dos processos e adoção de novos métodos de preparo em restaurantes e outros segmentos afins.
Em relação especificamente ao Brasil, o Bureau enfatiza que, em períodos econômicos instáveis e com elevado nível de desemprego, a exemplo do que é vivenciado atualmente no nosso País, as franquias de cafeterias podem ser uma boa opção para empreendedores e mercado. Isso porque, segundo o Relatório, em sua maioria, as cafeterias já contam com uma marca bem estabelecida e reconhecida no mercado, oferecem treinamento e apoio em áreas como marketing, produção e finanças e, por vezes, apresentam opções com baixa necessidade de investimento inicial.
E conclui suas análises em relação a esse tópico ressaltando que "O segmento de cafeterias é também interessante para novos empreendedores, uma vez que o setor alimentício tende a não ser tão afetado quanto outras áreas em períodos de crise econômica. Por trabalhar diretamente com o público, os empresários neste mercado devem dar grande importância à qualidade do atendimento ao cliente, conhecendo-o bem e adaptando suas estratégias a seu público-alvo. Como os jovens são os grandes responsáveis pelo aumento de consumo da bebida em todo o mundo, tendo grande influência também no Brasil, é interessante a adoção de estratégias direcionadas a redes e mídias sociais, bem como utilização de tecnologias que facilitem o pagamento, melhorem a experiência de consumo e aumentem a interação cliente/empresa".
Relatório Internacional de Tendências do Café – Produzido na UFLA, uma das dez instituições fundadoras do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, faz parte do projeto do Consórcio denominado "Criação e Difusão de Inteligência Competitiva para Cafeicultura Brasileira". O projeto é financiado pelo Fundo de Defesa da Economia Cafeeira – Funcafé, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa, e tem o objetivo de monitorar, analisar e difundir informações e indicadores relevantes para a competitividade da cafeicultura brasileira, bem como propor soluções estratégicas para os problemas enfrentados pelo setor. As edições do Relatório estão disponíveis no portal da Ufla e no site do Obervatório do Café.
Observatório do Café – Divulga, além desta edição do Relatório Internacional de Tendências do Café, publicações das instituições integrantes e parceiras do Consórcio Pesquisa Café contendo dados, análises e informações sobre: Relatório sobre o mercado de Café, da OIC, Informe Estatístico do Café e Valor Bruto da Produção, do Mapa, Resumo das Exportações Brasileiras de Café, do CeCafé, Levantamento da Safra de Café, portfólio de tecnologias desenvolvidas pelo Consórcio, publicações técnicas e dados completos sobre Safras e Estoques; Consumos e Tendências; Estatísticas, Cotações e Análises; Clipping mensal de notícias veiculadas na mídia; Imagens; Vídeos e Áudios; Rede Social do Café; Relatórios de Atividades; e Sistema Brasileiro de Informação do Café – SBICafé, entre outros.
Para saber mais sobre a UFLA, Embrapa Café, Observatório do Café, Consórcio Pesquisa Café e Relatório Internacional de Tendências do Café:
www.consorciopesquisacafe.com.br/index.php/consorcio/separador2/observatorio-do-cafe
www.consorciopesquisacafe.com.br
www.consorciopesquisacafe.com.br/index.php/imprensa/noticias/423-dados-mundiais#b
Lucas Tadeu Ferreira (MTb 3032/DF)
Embrapa Café
[email protected]
Telefone: 61 34484010
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/




