Um só Caparaó: produtores de ES e MG se unem na Semana Internacional do Café

Produtores do Espírito Santo e de Minas Gerais vão dividir um estande exclusivo da Denominação de Origem Caparaó na Semana Internacional do Café, reforçando a identidade única do território e ampliando oportunidades de mercado

A união de produtores de café do Espírito Santo e de Minas Gerais em torno da Denominação de Origem (DO) do Caparaó dá mais um importante passo. Este ano, a região estará representada na Semana Internacional do Café (SIC), uma das principais vitrines do mercado de cafés especiais do país, por meio de um estande único.

A iniciativa é mais um desdobramento do projeto Governança sem Fronteiras, desenvolvido pelo Sebrae de Minas Gerais e do Espírito Santo, com o objetivo de estruturar e impulsionar o turismo na região do Caparaó. A proposta parte do entendimento de que, embora a região esteja dividida administrativamente entre Espírito Santo e Minas Gerais, existe uma identidade comum construída ao longo de décadas pelos produtores, pelo café e pelo próprio território.

Para Leonardo Ferreira dos Santos, analista técnico do Sebrae ES, a participação conjunta na SIC representa um avanço nesse processo de integração.

“É uma região única. Existem as questões geopolíticas, o que é considerado Caparaó capixaba e Caparaó mineiro, mas o que buscamos é alinhar esse pertencimento ao Caparaó, à região do Caparaó”, explica.

A decisão de montar um estande exclusivo para a DO também busca dar maior visibilidade aos cafés produzidos dentro de uma origem controlada. Para isso, além da exposição dos cafés, o trabalho desenvolvido envolve capacitações relacionadas à gestão, marketing, comunicação e à adequação das embalagens às exigências legais.

“A estratégia permite reunir, em um mesmo espaço, produtores dos dois estados, mais preparados para apresentar seus produtos, negociar e acessar mercados, por meio de uma comunicação e identidade visual unificadas”, destaca Leonardo.

A diretora-presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec), entidade gestora da DO, Cecília Nakao, explica que a atuação conjunta dos cafeicultores dos dois estados sempre foi um dos pilares da construção da origem.
“Para a Apec, nunca existiu Caparaó capixaba ou mineiro: há uma única origem, formada por um território integrado e por produtores que compartilham a mesma identidade”, afirma Cecília.

Jueselito do Amaral, mais conhecido por Zeto Amaral, produtor de Dores do Rio Preto, no Caparaó capixaba, que desde 2015 expõe seus cafés na SIC, enxerga novas possibilidades na integração entre os dois estados.

“Essa união é algo que a gente vem sonhando há algum tempo, por entender que vai criar mais oportunidades de negócios para todos. Só vejo crescimento para a nossa região, para os produtores, para as associações, para todas as cadeias”, afirma.

Participam da SIC produtores que possuem o selo de origem do Caparaó, levando ao mercado cafés que representam uma mesma identidade territorial, independentemente do lado da divisa estadual em que foram produzidos. A SIC acontece entre os dias 11 e 13 de novembro, em Belo Horizonte.

Trajetória e projeção do Caparaó no Coffee of the Year

Reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2021, a Denominação de Origem (DO) Caparaó abrange 16 municípios, sendo dez no Espírito Santo e seis em Minas Gerais. A construção dessa identidade, entretanto, começou muito antes do reconhecimento oficial.

Cecília conta que a presença do Caparaó na SIC começou em 2013, com a participação organizada de produtores mineiros e capixabas. Em 2015, foi realizado o primeiro cupping do Caparaó dentro da programação oficial da SIC. A atividade reuniu 20 produtores dos dois estados, que dividiram os custos para viabilizar a sessão de degustação dos cafés.

“Ao longo dos anos, a região passou a ocupar espaço próprio ou participar por meio de parcerias institucionais, o que contribuiu para aproximar produtores e compradores e consolidou uma estratégia que passou a fazer parte da presença da região na feira: apresentar os cafés diretamente ao mercado e contar a história por trás da origem”, explica.

Cecília lembra que a trajetória do Caparaó também está relacionada ao Coffee of the Year (COY). Ela conta que em 2014, o produtor mineiro Clayton Monteiro conquistou o título, em um período em que o Caparaó ainda não era reconhecido oficialmente como região produtora no concurso. “Na época, os cafés de Minas Gerais eram inscritos como Matas de Minas.”

No ano seguinte, Clayton voltou a vencer e, ao receber o troféu, levantou-o e declarou: “Eu sou Caparaó!”“O gesto se tornou simbólico para os produtores da região e reforçou o sentimento de pertencimento a um território comum”.

A partir de 2016, o Caparaó passou a constar oficialmente no concurso e, desde então, acumulou outros seis títulos de campeão e dezenas de colocações entre os dez melhores cafés da competição, consolidando-se entre as principais origens de cafés especiais do país.

“A participação na SIC também passou a envolver a preparação dos produtores. Ao longo dos anos, foram realizadas capacitações em storytelling, pitch e apresentação dos cafés, preparando os cafeicultores para conversar com compradores e apresentar os diferenciais de seus produtos”, lembra Cecília.

Desde 2023, os cafés participantes dos estandes são exclusivamente de lotes com selo de origem, o que reforça a rastreabilidade e a identidade da Denominação de Origem.

Publicado por: Rosimeri Ronquetti – Portal Conexão Safra