O café produzido no Norte do Brasil começa a ser reconhecido por sua qualidade. Embora a região não produza safras volumosas, há um esforço na melhoria dos atributos do grão que começa a ser reconhecido. Foi o que aconteceu na 7ª edição do Concurso Florada Premiada, criado em 2017 para valorizar o trabalho das mulheres cafeicultoras do Brasil.
A premiação é promovida pelo Grupo Três Corações, por meio do Centro Rituais de Cafés Especiais, em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), e na edição 2024 selecionou como finalistas 20 melhores amostras de café canéfora, das quais 15 são da região Norte, com representantes dos estados de Rondônia e Acre.
“Foi a primeira vez que enviei uma amostra. É um momento muito feliz porque conseguimos alcançar um nível muito alto” diz a cafeicultora Keyti Souza, que iniciou há quatro anos, de forma pioneira, a produção de café no município de Brasileia, em numa pequena área da propriedade da família do esposo na Reserva Extrativista Chico Mendes, unidade de conservação de uso sustentável criada em 1990.
“A nota de corte do concurso é alta. Para a produtora passar para segunda fase, o café precisa somar mais de 85 pontos. Quatro produtoras do Acre foram selecionadas, o que representa um número significativo, por concorrerem produtoras de todo o Brasil”, conta a agrônoma Michelma Lima, responsável pelo Núcleo da Cafeicultura da Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri). A metodologia de avaliação Cup of Excellence foi criada pela BSCA e é adotada mundialmente.
Keyti credita o bom desempenho no concurso aos cuidados diários com a lavoura. “Temos 9 mil plantas e percebemos que os grãos não iguais, então a gente colhe os mais doces de forma separada, lavamos, secamos em estufa, misturamos o café diariamente para uma secagem uniforme e só depois de 20 dias ele é descascado”, conta. O “terroir”, conjunto de características geográficas, geológicas e climáticas, também contribui para um café de qualidade superior.
A produtora, que conseguiu exportar para uma saca de seu café para os Estados Unidos e uma para a China, participou em 2023 de um concurso estadual de qualidade de café, em que ocupou a 8ª posição. “A cada ano recuperamos um hectare de áreas degradadas na reserva com o cultivo de café, que tem gerado mais renda à nossa família e movimentado e economia dentro da comunidade, uma vez precisamos de muitos braços na colheita”, conta Keyti.
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Investimentos em novas variedades
Nos últimos anos, os estados de Rondônia e do Acre têm apostado na qualidade de seus cafés, com adoção de variedades mais adaptáveis ao clima amazônico e uso de técnicas de manejo que valorizam os atributos da bebida, como a colheita seletiva e a fermentação.
Como resultado, Rondônia conquistou o posto de segundo maior produtor de café robusta do País, com a produção do grão na região das Matas de Rondônia, composta por 15 municípios, que produz café da Denominação de Origem Matas de Rondônia e colheu cerca de 3,7 milhões de sacas em 2023. O Acre caminha na mesma direção “Hoje o Acre é o segundo maior produtor da região Norte e apesar de não haver uso intenso de tecnologia, nossa produtividade tem sido alta, de cerca de 40 sacas por hectare”, conta a agrônoma Michelma.
São cerca de 1 mil hectares cultivados por aproximadamente mil famílias, que hoje trabalham a cadeia produtiva do café. Como em Rondônia, o Acre tem fomentando a transição das lavouras seminais para as clonais, que são materiais mais produtivos e com maior qualidade da bebida.
Essa transição começou em 2013, com a introdução dos clones de robusta amazônico, um híbrido produzido a partir do cruzamento do robusta com o conilon desenvolvido pela Embrapa para a região amazônica. O cultivo do café é compatível com a floresta, “o que reduz a pressão sobre a floresta. É, portanto, uma produção em respeito à sustentabilidade ambiental”, diz.
Compra garantida
Outras produtoras finalistas do Acre foram Marivânia Nascimento, cafeicultora do município de Epitaciolândia que trabalha com café há três anos e com grãos especiais há dois; Antônia dos Santos, que cultiva há seis anos em Brasileia e há um ano investiu nos especiais; e Eliane Lara, que planta há 26 anos no município de Acrelândia e seleciona cafés especiais há um ano.
A premiação da 7ª edição do Concurso Florada Premiada será realizada no dia 22 de novembro, durante a Semana Internacional do Café em Belo Horizonte (MG).
Além da premiação em dinheiro aos três primeiros colocados de cada categoria, o Grupo 3corações garantiu a compra dos 20 melhores lotes pagando para as amostras classificadas entre o 1º e o 10º lugar de cada categoria 100% acima da cotação da bolsa B3 e para as amostras classificadas entre o 11º e o 20º lugar de cada categoria 70% acima da cotação da bolsa B3.





