Zona da Mata tem potencial para ser polo de café conilon

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Produtores de Leopoldina receberão 10 mil mudas de conilon; distribuição já começou/Epamig / Divulgação

A Zona da Mata tem potencial para se transformar em um polo de produção do café conilon. As temperaturas mais elevadas, características da região, são favoráveis às lavouras da espécie. Para incentivar o cultivo, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig) está distribuindo para produtores selecionados no município de Leopoldina cerca de 10 mil mudas de conilon. O objetivo inicial é viabilizar um projeto-piloto e, posteriormente, incentivar a ampliação da produção nos demais municípios das Matas de Minas. Além disso, a iniciativa pretende incentivar a diversificação das atividades agropecuárias e, com isso, ampliar a renda dos produtores.

Segundo a doutora em Melhoramento Vegetal e pesquisadora da Epamig, Waldênia de Melo Moura, as expectativas são positivas. "A ideia de plantar o café conilon em Leopoldina surgiu desde 2003, quando iniciamos as primeiras pesquisas na Fazenda Experimental da cidade, unidade pertencente à Epamig. Após oito anos de trabalho, os resultados mostraram o grande potencial da região para o cultivo desse café, que é altamente produtivo e mais adaptado às regiões quentes que o café arábica", conta.

A implantação do projeto de pesquisa só foi viabilizada a partir de 2013, com a parceria firmada entre Epamig, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF).

As vantagens do cultivo do conilon na Zona da Mata, segundo Waldênia, são muitas. "O café conilon, por ser uma espécie mais rústica, possui algumas vantagens sobre o arábica, como maior resistência às doenças e pragas, maior tolerância à temperatura mais elevada e à deficiência hídrica. Possui maior teor de cafeína e sólidos solúveis, características importantes para a indústria de café solúvel. Outro ponto positivo é a elevada produtividade, que dependendo do material genético, chegam a produzir três vezes mais que o café arábica".

Assim como no café arábica, a produtividade média do conilon também varia conforme o nível de tecnologia adotado pelo agricultor. Pelo fato de Minas Gerais não ter tradição no cultivo dessa espécie, a média de produtividade ainda é muito baixa, mas pode ser ampliada. Em condições de pesquisa na Fazenda da Epamig, os melhores materiais genéticos, cultivados em sequeiro, alcançaram médias variando de 60 a 100 sacas de café beneficiados por hectare.

Custos – Em relação aos custos de produção, o valor varia conforme os sistemas de produção, especialmente quanto aos níveis de utilização de insumos e de mecanização a serem adotados pelo agricultor. Segundo Waldênia, o custo de produção do café conilon em algumas fases, superam o do café arábica, como a aquisição de mudas clonais e as podas necessárias durante a condução da lavoura. Entretanto, o fato de o conilon ser mais produtivo e ter melhor estabilidade no preço da saca de café beneficiado faz o custo de produção final ser menor que o do café arábica.

O plantio das mudas de conilon já teve início e será concluído neste ano. A previsão é colher a primeira safra em 2016. Os agricultores que irão participar do projeto foram selecionados pelos técnicos da Emater. Após a primeira seleção, técnicos da Epamig visitaram todas as propriedades para verificar as áreas, condições de solo e a disponibilidade do produtor para participar do projeto. Com base nesses critérios, foram selecionadas cinco propriedades, contemplando as regiões do Assentamento da Associação Agrícola Ribeiro Junqueira, Caeté, Tebas e Palmeiras.

Fonte: Diário do Comércio

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