Senar Minas no 22º Simpósio sobre Cafeicultura das Matas de Minas

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O Senar Minas marcou presença no 22º Simpósio sobre Cafeicultura das Matas de Minas, em Manhuaçu. A entidade, em parceria com o Sindicato de Produtores Rurais de Manhuaçu, ofereceu o Dia das Mulheres Produtoras de Café, oficinas de torra, exposição de artesanatos em taboa e doces de ex-alunos e cafés dos produtores assistidos pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG Café). Além disso, o coordenador da Assessoria Jurídica da FAEMG, Francisco Simões, ministrou palestra sobre o Funrural e os visitantes puderam conhecer os cursos e programas da Faemg e do Senar no estande.

O Simpósio reúne cafeicultores, agrônomos, técnicos em cafeicultura, empresários, representantes de setores governamentais e exportadores para uma série de palestras e debates sobre questões e dificuldades ligados ao mundo café a fim de fortalecer o setor cafeeiro. O evento é uma realização da Associação Comercial, Industrial e de Agronegócios de Manhuaçu (Aciam).

O Dia das Mulheres Produtoras de Café reuniu cerca de 300 pessoas de vários setores da cadeia. Um dos destaques foi a apresentação do e-book “Mulheres dos Cafés no Brasil”, construído de forma colaborativa por 40 autores, de diversas áreas. Com 17 capítulos e 298 páginas, o livro analisa os dados coletados junto a mais de 700 pessoas, traça o perfil das mulheres do setor cafeeiro e conta histórias sobre elas.

“É muito importante divulgar nas regiões que existe esse livro porque muitos dizem que não há mulher cafeicultora no Brasil e isso afeta comercialmente o preço. A realidade é que há mulheres em toda a cadeia produtiva. Mas também é importante não parar. É preciso continuar esse livro e ampliar esse trabalho. Ainda existem muitas histórias bacanas para serem contadas”, destacou a gerente regional do Senar em Viçosa, Silvana Novais, que foi uma das autoras.

No evento, a pesquisadora da Embrapa Café, Helena Maria Ramos Alves, falou sobre o processo de construção do livro e os resultados e a ex-presidente da Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA), Josiane Cotrim, ministrou palestra com o tema “Mulheres do Café no Brasil. Elas existem e trabalham muito”. A presidente da IWCA Brasil, Cintia Matos, apresentou todo o evento e destacou a importância das mulheres.

“Não há estatísticas e observamos que as informações que estavam sendo passadas para o mundo não correspondiam à realidade. Fala-se que o Brasil tem uma cafeicultura muito tecnificada, mas não é só isso. Em 2012, num simpósio, a IWCA e a Embrapa começaram a dialogar e a ter essa ideia de mostrar o que era a cafeicultura brasileira do ponto de vista feminino”, lembrou Josiane.

A publicação do e-book contou com recursos da IWCA Global, Fundação Solidaridad, Itaipu Binacional, Mapa e Embrapa, além de outras parcerias. Na noite anterior, o livro já havia sido apresentado a autoridades pela a coordenadora do programa de café e gênero da Fundação Solidaridad, Nicole Gobeth. O link para fazer download do livro é este: https:goo.gl/ivUYwj .

Produtoras rurais também receberam homenagens durante o evento. A cafeicultora Maria José Costa Pires, de 34 anos, representou a mãe Conceição. Após a morte do marido, ele criou os filhos com a renda proveniente do café e vive na lavoura. “As mulheres antes não eram vistas como trabalhadoras. Minha mãe é uma guerreira”, afirmou.

Hoje apenas um dos filhos, que é padre, não vive do café. A filha Maria José, conhecida como Zezé, é a coordenadora do grupo de Mulheres da Coocafé, em Lajinha, com tem 15 integrantes. “Estou no grupo há quatro anos e minha qualidade de vida mudou. Estou sempre em busca de novos conhecimentos para melhorar e hoje sou capaz de resolver tudo na propriedade sem o meu marido”, contou.

O Sindicato de Produtores Rurais é parceiro do Senar em Manhuaçu. Para a mobilizadora do sindicato, Isaura Paixão, esta é uma oportunidade de reunir as mulheres da região e promover a interação e a troca de ideias. “Nosso objetivo, em parceria com a Aciam e o Senar, é levar informações e tecnologia para melhorar a produção. A nossa moeda é o café. Temos que ter o máximo de cuidado para ajudar o produtor e ele está tendo uma grande ajuda com o curso de agronegócio, o ATeG e tantos outros cursos que o Senar oferece”, acrescentou o presidente do sindicato, Lino da Costa e Silva.

Uma das palestras desta edição do Simpósio foi do coordenador da Assessoria Jurídica da FAEMG, Francisco Simões, que orientou sobre o Funrural. “São duas mensagens: uma contando o que a nova lei trouxe a partir de 1º de janeiro de 2018 e a outra é explicar como é o Refis, ou seja, o parcelamento especial para os débitos do Funrural”, resumiu.

ATeG Café

Produtores assistidos pelo ATeG Café puderam expor seus produtos no estande do Senar. Cleber Henrique Viana, além de levar o café Cruzeiro, levou até um sabonete feito à base de café e com grãos que ele e a esposa fabricam em Manhuaçu. Aos 16 anos, já ajudava o pai na lavoura, mas foi depois de casado, há 19 anos, que passou a ter o próprio negócio.

“O programa está ajudando a mudar o meu jeito de ver o café. Passei a fazer mais anotações e ter a dimensão dos custos e lucros. Jáo sabonete surgiu porque minha esposa sempre quis fazer. Começou como lembranças para festas, mas agora fazemos com uma forma que lembra o formato do grão”. O sabonete foi mostrado pelo deputado Mário Heringer na abertura do evento.

Para o coordenador estadual do ATeG Café, Caio Sérgio de Oliveira, o caso mostra que o produtor está atento. “Não é só colher, beneficiar e entregar na cooperativa. Ele está conseguindo vislumbrar outras oportunidades e o programa tem o propósito de fazer esse direcionamento para que ele possa melhorar a qualidade de café e incrementar sua produtividade e renda dentro da cafeicultura”, explicou.

O programa começou em 2017 e já rende bons resultados. “Apesar de ser um curto período de tempo, com o empenho dos produtores, conseguimos colher resultados muito interessantes do progresso que eles tiveram com o apoio do Senar. A importância de trazer o produtor até aqui é que ele possa conhecer um pouco do universo da porteira para fora, o que o mercado está falando, quais as oportunidades que ele pode aproveitar na cadeia da produção do café”, avaliou.

Outro expositor foi o cafeicultor Horácio Antônio de Moura, de Simonésia, que levou para o estande diversas amostras, uma delas de um café que vendeu para empresários da Alemanha. “O ATeG veio nos ajudar e dar mais ânimo e novas informações”, comentou.

Para um dos técnicos do programa, Sebastião Vinícius Brinate, esta é uma oportunidade de aprimorar o trabalho. “É ótimo poder ver as novidades, trocar ideias e encontrar outros caminhos para inovar na produção e levar isso até os produtores”, afirmou.

Oficina de Torra

Duas oficinas de Torra de Café foram oferecidas durante o Simpósio pelo Senar Minas. Os cerca de 20 participantes eram produtores e estudantes de Cafeicultura no IF Sudeste em Manhuaçu. Segundo o instrutor Marcos Reis, foram abordadas as principais características e regras de torra de café. “Passamos os conceitos básicos. Após a teoria, vamos à prática. A gente torra o mesmo café em quatro torras diferentes: cru, cozinho, queimado e no ponto. Degustamos e vemos o resultado na xícara”, explicou.

Um dos participantes foi o cafeicultor Vicente Faria, que tem uma pequena torrefação em Manhuaçu. “Vim adquirir mais conhecimento. Foi interessante a técnica que o instrutor mostrou, os tipos, as curvas de torra, o potencial de cada café conforme a torra e como o sabor muda”, contou.

Entre outros cursos oferecidos pelo Senar na área do café é o de barista, além do programa Jovem no Campo. A ex-aluna Gabrielle Nascimento de Oliveira, 18 anos, encontrou no Simpósio a oportunidade de começar a atuar como barista. Ela ficou na barraca de um pequeno cafeicultor preparando o café para servir aos visitantes.

“Esta é a minha primeira oportunidade. É muito bom quando você prepara e alguém toma e elogia. O café na região é um mercado que abrange muitas oportunidades. Sou apaixonada por café, fiz os cursos por prazer”, contou.

Camila Aparecida Barbosa de Oliveira também é ex-aluna e levou o Café do Sonho para o estande. Os visitantes puderam deliciar o expresso feito por ela e o marido Lázaro. Além de produzir, eles criaram uma cafeteira em casa, no distrito de Santo Amaro, em Manhuaçu. Os clientes do café, vendido em grãos, moído e cápsula, estão na cidade e em outros estados. “Fui me interessando pelo café, fiz vários cursos e hoje trabalhamos da lavoura até a xícara”, comentou Camila, de 28 anos.

Artesanato e Doces

No estande os visitantes também puderam conhecer o artesanato com fibras de taboa, feitos por uma associação local, e comprar os doces de Márcia Maria Gonçalves Pereira, de Reduto. Doceira há 16 anos, ela participa de feiras e atende a encomendas. Os doces mais procurados são os cristalizados de abacaxi, mamão e figo, os dois últimos recheados.

Márcia fez o curso de Doces Cristalizados há pouco tempo. “Era o meu sonho. Aprendi a fazer a cristalização de um jeito mais fácil e prático. Minha expectativa é de melhorar e produzir bastante. É uma grande ajuda no orçamento”.

Fonte: Assessora de Comunicação – Regional Viçosa (Por Nathalie Guimarães)

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