RUMOS PARA CAFEICULTURA EM 2014

Por Nelson Menoli (Emater Paraná)

Para que seja entendido o prognóstico para o setor cafeeiro, é necessário compreender o que tem ocorrido nos últimos anos com a cadeia do café. A crise iniciada nos Estados Unidos da América em 2008 e que quase em seguida atingiu a Europa, coincidiu com a retomada nos preços do café (após a pior e mais longeva crise de preços) levando a uma estagnação no consumo, só não havendo diminuição da demanda graças à estratégia da indústria em inserir nos blends, quantidades crescentes e hoje substanciais de robusta, proveniente principalmente do Vietnã.

Da mesma forma que a indústria brasileira de modo geral aplicou gradativamente, quantidades crescentes de coffea canephora em seus blends (no caso do Brasil, utilizando a variedade conilon) desde a década de 1980, a indústria européia tem feito o mesmo com os cafés consumidos naquele continente. Ocorre que no Brasil, o Coffea canephora tem sido utilizado não só para diminuir os custos e aumentar os lucros da indústria, como também para mascarar ou esconder os defeitos do café arábica de qualidade inferior utilizado nos blends, levando o consumidor brasileiro a consumir cafés de baixa qualidade (foi acostumado aos poucos) e o produtor a se desinteressar em produzir cafés de alta qualidade, pois o diferencial de preço entre ambos não compensa o investimento.

A análise é simples e as perguntas são as seguintes:

1. Até onde as indústrias irão para manter o lucro, considerando a quantidade de Coffea canephora inserida nos blends?
2. Até quanto o consumidor aceita de robusta no café sem chiar?
3. Quando a indústria passará a descrever nos rótulos de seus produtos as quantidades de cada espécie nos seus blends?

Há que se considerar ainda, que o preço praticado entre 2010 a 2012 incentivou os cafeicultores (principalmente no Brasil) a produzirem mais, ocasionando oferta maior que a demanda, graças logicamente também ao fator já citado do aumento da demanda por Coffea canephora. Assim, a crise mundial aliada ao fato de a indústria pagar pouco pelo café durante dez anos (de 1999 a 2009) e o consumidor desejar sempre o menor preço, ocasionaram menor oferta no final da década passada, fazendo elevar por curto período os preços do café, principalmente o arábica. Moral da história: após quase matar de fome a galinha dos ovos de ouro (produtor de arábica), a indústria optou por cuidar e alimentar uma garnisé dos ovos de bronze (produtor de robusta).

Os atuais preços do café (principalmente da espécie Coffea arábica) não remuneram os cafeicultores. Em grande parte das regiões produtoras do Brasil e de outros países, os preços praticados não cobrem os custos de produção, levando os produtores a abandonar a atividade, principalmente os pequenos cafeicultores, que encontram nos grandes centros, oferta hoje abundante de trabalho e os médios, que tem optado por outras atividades agrícolas, substituindo café por soja, principalmente.

Então, quais os rumos para a cafeicultura brasileira? Dependerá de vários fatores, mas a resposta aos três questionamentos citados no texto, aliado aos procedimentos produtivos utilizando máquinas, direcionarão os rumos da cafeicultura. Com a crescente escassez de mão de obra (não há retorno), ficarão na atividade apenas dois modelos de produção, quais sejam:

a) Pequenos produtores proprietários que exploram áreas inferiores a 5,0 (cinco) hectares e que não dependem de mão de obra externa; neste caso a exploração é semi mecanizada, com utilização de pequenas máquinas que auxiliem principalmente nos procedimentos ligados ao trabalho de colheita como: derriçadeiras portáteis e sopradores;
b) Demais produtores que possam mecanizar todo o processo produtivo e principalmente os procedimentos de colheita e preparo.

Considerando os fatores acima descritos e não havendo mudanças rápidas e substanciais nos preços do café, há que se esperar redução da área plantada, diminuição nos investimentos por parte dos produtores e tratos culturais aquém do necessário para manter a capacidade produtiva das lavouras que restarem, ocasionando substancial diminuição do número de cafeicultores e drástica redução na produção.

Grandes Rios, 26 de dezembro de 2013.

Eng.º Agr.º Nelson Menoli Sobrinho
Instituto EMATER – UM de Grandes Rios
e-mail: Nelsonmenoli@emater.pr.gov.br
Fone: (43)3474-1321

Fonte: Revista Cafeicultura

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *