Reunião do setor cafeeiro e Ministro da Agricultura termina sem nada de concreto

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O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que o governo vai liberar R$ 522 milhões para financiar a colheita de café da safra 2009/10. O dinheiro é parte do orçamento do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para 2010, já aprovado pelo governo. Em reunião com o setor produtivo, Rossi disse que a "cafeicultura brasileira precisa aproveitar as oportunidades colocadas diante da atual situação do mercado internacional". Atualmente, explicou, os estoques mundiais de café são baixos, resultado da queda na safra dos principais países produtores. Além disso, há demanda pelo café nacional usado nos chamados "blends".

O ministro afirmou que o governo vai avaliar as medidas de apoio à cafeicultura sugeridas pela iniciativa privada e que as sugestões serão apresentadas por ele à área econômica do governo. Porém, ele pediu, que as propostas apresentadas não sejam "mirabolantes" e que "não tenham significado". Sabendo da histórica divisão da cadeia produtiva do café, Rossi disse na reunião, segundo interlocutores, que vai "arbitrar" as relações na tentativa de criar um consenso entre produtores, indústria e exportadores. No entanto, ele não sinalizou, com medidas concretas.

Os cafeicultores pediram que o governo crie mecanismos, para que os bancos sejam informados que vai equalizar os financiamentos casos os preços de venda futura do café não sejam suficientes para honrar os financiamentos. "Tem dinheiro mas ninguém consegue pegar", explicou o presidente da Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita.

A ideia é criar uma espécie de fundo garantidor para os empréstimos. "Essa ideia não é mirabolante", disse Rossi. A CNA estimou que, se aceita, essa proposta beneficiará 20 milhões de sacas de café e facilitará a liberação de financiamentos na ordem de R$ 5 bilhões, recursos que já estão disponíveis no sistema financeiro.

De acordo com o deputado Carlos Melles (DEM-MG) também foi reapresentado hoje a conversão da dívida da cafeicultura em produto. Na reunião, a indústria pediu tratamento "igualitário", ou seja, ela quer que o mesmo apoio dado pelo governo aos cafeicultores seja estendido para os demais setores da cafeicultura.

A indústria pleiteia recursos para estocagem. Rossi disse que o governo sabe das dificuldades enfrentadas pelo setor cafeeiro, mas reafirmou que não é possível resolver todos os problemas "num passe de mágica". Ele disse que as reuniões do Conselho Deliberativo de Política do Café (CDPC) serão bimestrais.

Fonte: Revista Cafeicultura

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