Queda do café prejudica vendas de máquinas

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Com os preços do café em queda desde o fim de 2012, empresas que comercializam máquinas para o manejo da produção, colheita e classificação do grão enfrentam uma redução nos pedidos de novos equipamentos. A Pinhalense, uma das maiores do segmento no país, registrou entre novembro de 2013 e este mês uma queda de 23% na comercialização de máquinas voltadas à cafeicultura ante igual intervalo da safra 2012/13, afirma o presidente da companhia Reymar Coutinho de Andrade.

A Palini & Alves, que assim como a Pinhalense tem sede em Espírito Santo do Pinhal, na região da Mogiana Paulista, também registrou "ligeira queda" em suas vendas de equipamentos no ano passado. Mas o presidente da Palini & Alves, Carlos Roberto Palini, estima que o faturamento do setor de máquinas para café, que representa 60% de sua receita, deve se manter estável este ano. A empresa vende, além de máquinas para café, equipamentos para culturas como milho, feijão, castanha e pimenta-do-reino.

O recuo nas vendas atingiu diferentes tipos de máquinas usadas na cafeicultura, tanto de pequeno quanto de grande porte.

A Vicon, sediada em Cotia (SP), por exemplo, viu suas vendas recuarem em torno de 30% neste mês. A empresa comercializa equipamentos para adubação e recolhimento e pré-separação de café. "Este ano está preocupante, o mês de janeiro está muito fraco por causa do preço baixo do café", diz Adolfo Horowicz, diretor-geral da companhia.

Segundo ele, em 2013 as vendas da empresa ficaram estáveis em volume, mas a Vicon reduziu sua lucratividade porque teve de baixar os preços dos produtos diante do aumento da concorrência. Horowicz afirma que após o recorde de preços do café em 2011 surgiram muitas empresas nessa área.

Para o presidente da Pinhalense, Reymar Coutinho de Andrade, o quadro do setor cafeeiro no ano passado contribuiu para a queda das vendas. Andrade observa que os preços do café aproximaram-se do custo de produção em 2013, o que levou muitos produtores a reduzir os investimentos em máquinas e a canalizar os recursos para a manutenção do parque cafeeiro.
De acordo com o executivo, no primeiro trimestre de 2013, as vendas da empresa caíram 28,8% na comparação com igual intervalo de 2012. Além de máquinas para café, a Pinhalense também comercializa equipamentos para culturas como cacau, castanhas, pimenta e cereais. Mas os itens destinados à cafeicultura representaram 78% do faturamento de R$ 100 milhões da empresa em 2013.

Algumas linhas de produtos, normalmente adquiridas por médios e pequenos cafeicultores, foram mais afetadas, segundo o executivo. É o caso das linhas para processamento via úmida – lavadores, abanadores e despolpadores – para fazer café cereja descascado. "O pequeno e o médio [produtor] efetivamente saíram do mercado", lamenta Andrade.

No entanto, vendas de equipamentos para rebenefício (utilizados para classificação e padronização do café), silos, mesas densimétricas (para separar os grãos por densidade) e sistemas de transporte – destinados a grandes cooperativas e exportadores – continuam aquecidas, informa o executivo. Segundo ele, a demanda de grandes fazendas não foi afetada porque as máquinas representam um efeito diluidor do custo à medida em que garantem maior produtividade.

Além disso, a Pinhalense continua a atender os grandes projetos de produção de café iniciados nos últimos três anos (tanto de incremento de área quanto de produção). Projetos esses que foram estimulados pelos níveis recorde de preços do café alcançados em 2011. Segundo Andrade, os cafeicultores também continuam a adquirir equipamentos para reduzir seus custos de produção, como os para manejo do mato e recolhimento de café no chão.
Ele diz que as exportações de máquinas de café da companhia – que representam cerca de 20% do faturamento – foram ligeiramente afetadas em volume em 2013, mas a receita se manteve em função do câmbio. "O produtor brasileiro foi o mais afetado", afirma. Andrade explica que o café brasileiro é vendido com diferenciais menores na comparação com os da América Central, por exemplo. Assim, a queda da cotação no mercado internacional impacta mais os valores do produto brasileiro.

O efeito da queda dos preços do café nas vendas, contudo, não é consenso. Apesar de sua empresa ter registrado menor comercialização, Carlos Roberto Palini, da Palini & Alves, diz que as vendas para o segmento café não são tão impactadas pelo recuo dos preços da commodity porque o produtor enfrenta falta de mão de obra e precisa ter custo menor. "O produtor deixa de comprar adubos e investe em máquinas", afirma ele.

Um sinal da confiança da Palini no segmento é que a empresa, que faturou R$ 96 milhões em 2013, es tuda lançar outros equipamentos no mercado, como os voltados à cafeicultura de montanha. A expectativa é que em três ou quatro anos essas máquinas estejam disponíveis no mercado.

Para Fábio Moreira da Silva, professor do Departamento de Engenharia na Área de Mecanização Agrícola da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, o menor investimento em mecanização na cafeicultura não trará prejuízo à produção. Segundo ele, os impactos na produção são decorrentes de condições climáticas e manejo, como a redução da adubação. Mas o uso de máquinas antigas pode afetar a produtividade.

Valor Online – São Paulo/SP – BRASIL – 23/01/2014 

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