Profissionais do Brasil e do mundo estudam estratégias durante a Semana Internacional do Café

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Planejamento estratégico, marketing moderno, novas tecnologias e foco no consumidor final. O agronegócio café tem cada vez mais se solidificado e encontrado novas alternativas para a valorização do produto e do setor como um todo.

Mesmo tendo muito que comemorar, os cafeicultores também têm motivos para apreensão. Além da oscilação do clima e dos altos custos de produção, que estão deixando os produtores insatisfeitos, o pacote de ajuste fiscal do governo federal trouxe mais insegurança aos cafeicultores brasileiros.

São muitos os temas do setor que virão à tona durante a Semana Internacional do Café (SIC), que será aberta amanhã, no Expominas, em Belo Horizonte. Até o próximo sábado (26), a capital do estado responsável por 50% da safra brasileira do café, sendo o país o maior produtor do planeta, terá a oportunidade de entrar para o cenário mundial como um importante centro de diálogo sobre os desafios do mercado, bem como por apresentar estratégias capazes de driblar as adversidades econômicas. Para isso, mais de 200 profissionais estarão reunidos no evento.

Mesmo com a insatisfação diante dos preços praticados no mercado interno, por ser o início da safra 2015/2016, muitos produtores estão comercializando para quitar as despesas com a colheita, que está praticamente terminada com relação aos grãos de arábica.

De acordo com o Escritório Carvalhaes, importantes cooperativas e agrônomos já confirmam que houve quebra da safra maior do que a esperada.

Apesar das floradas em algumas regiões produtoras em função de boas chuvas, há problemas de crescimento nas plantas, que estão abaixo da média desde janeiro de 2015.

Para o engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, no Sul de Minas Gerais, Alysson Fagundes, o mais importante agora, após as floradas, é a continuidade das chuvas para que as plantas não abortem a formação do chumbinho. “Ainda que a perspectiva dos produtores seja otimista para a próxima safra devido às floradas registradas, ainda é cedo para se ter certeza de uma boa produção para 2016. Acredito em boa safra, mas não em recorde”.

Mercado

O atual cenário indica que muitos são os desafios a serem contornados, como administrar de forma estratégica o escoamento da produção, realizar uma gestão otimizada do caixa e ainda planejar e investir na próxima safra. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, defende ser imprescindível elencar prioridades e alternativas rentáveis, que não estejam suscetíveis às variações do mercado ou da economia. “Temos dados que nos apontam que a melhor aposta é a produção de cafés especiais, que têm colocado em evidência as regiões produtoras de Minas Gerais”, ressalta.

Este ano, a expectativa é que a safra nacional de café seja de 44,3 milhões de sacas, com Minas Gerais contribuindo com 50% da produção do país, sendo ainda o estado responsável por 20% do café consumido no mundo. Maior produtor mundial de café, o Brasil chega a exportar cerca de 33 milhões de sacas por ano, o que posiciona o país como o segundo maior exportador do mundo.

Estima-se que a importação no país seja de 21 milhões de sacas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Com relação aos cafés especiais, a produção no Brasil cresce entre 10% a 15% a cada ano. Atualmente, de acordo com a Brazil Speciality Coffee Association (BSCA), cerca de 10% do café produzido no país é especial. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o preço médio de venda das sacas de café commodity, entre janeiro e julho deste ano, foi de U$176,58, sendo que os naturais médios alcançaram U$ 156,51 e os especiais atingiram um patamar de U$ 229,37.

O diretor da Faemg e presidente das Comissões de Cafeicultura da entidade e da CNA, Breno Mesquita, afirma que, além de apresentarem uma boa rentabilidade, os cafés especiais não estão sujeitos às oscilações da bolsa de valores. “O Brasil sempre se destacou como um grande produtor de café commodity, que é cotado na bolsa de Nova Iorque e, por isso, sofre com as diferentes variações do mercado.

Até mesmo uma alteração climática interfere no seu valor”, afirma. Para ele, é importante evidenciar que o país não é referência apenas em quantidade, mas também em qualidade.

Entre os maiores consumidores dos cafés especiais brasileiros estão Japão, Estados Unidos e União Europeia. Já o mercado interno tem ainda muito potencial para crescer: das atuais 20 milhões de sacas consumidas no país, estima-se que apenas um milhão sejam de cafés especiais.

Visitantes terão a oportunidade de conhecer tendências e participar de palestras

A Semana Internacional do Café (SIC), que está em sua terceira edição, é promovida pela Faemg, Sebrae, Café Editora e Governo de Minas Gerais. Os três dias de evento foram divididos em três eixos temáticos: Mercado & Consumo, Conhecimento & Inovação e Negócios & Empreendedorismo.

A expectativa do evento é reunir toda a cadeia produtiva nacional e internacional do setor cafeeiro, bem como profissionais das diversas etapas de produção, para reciclagem e realização de negócios. Para os organizadores a semana deverá movimentar mais de R$ 25 milhões em negócios diretos e cerca de R$ 60 milhões indiretamente, e receber 12 mil pessoas, incluindo visitantes internacionais.

Entre as atrações da feira está o estande do Sebrae, com destaque a quatro projetos direcionados às regiões produtoras de café do estado: Cerrado, Matas de Minas, Sul de Minas e Chapada. “Há 20 anos atuamos no setor para destacar, diferenciar e valorizar as origens produtoras de cada região, e é visível o crescimento do mercado interno e o consumo de cafés de qualidade”, salienta a gerente de Agronegócio do Sebrae-MG, Priscilla Lins.

Reciclagem

Nos três dias de evento, serão realizadas 30 ações simultâneas, entre cursos, palestras, workshops, rodada de negócios e sala de cupping, ministrados por 60 palestrantes, com 10 deles representando outros países. Entre os palestrantes internacionais está Stephen Morrissey, Campeão Mundial de Barista, na Irlanda, que no dia 26 falrá sobre “O impacto por meio do café: como criar uma marca relevante, original e duradoura”.

A Semana Internacional do Café apresentará também mais de 65 temas e 280 horas de conteúdo, reservando espaços para as últimas tendências e novidades do mercado. No seminário DNA Café, o superintendente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, será o mediador da primeira palestra, que acontece amanhã, o primeiro dia do evento e tem seu início marcado para as 14h.

Segundo o diretor da Faemg, Breno Mesquita, durante a feira serão mostradas oportunidades para que o público interessado tenha acesso a informações sobre novas tecnologias e comercialização. “Acreditamos que, mais uma vez, o evento vai superar as expectativas, não só em termos de satisfação do expositor e do público visitante, mas também em relação aos negócios. Desde os pequenos produtores até as grandes empresas irão se fortalecer com a SIC”, garantiu ele.

Entre os destaques da programação está o Espaço Café Brasil, que em sua 10ª edição terá uma ampla plataforma de negócios. Já para os apaixonados por café, a feira será uma oportunidade para aprimorar o paladar e conhecer as últimas novidades e tendências. “Quem passar pela SIC vai absorver dicas de harmonizações, conhecer novos cafés que serão servidos por baristas de todo o Brasil, participar de palestras ministradas por nomes de peso do setor cafeeiro nacional e internacional, e viajar pelos sabores e aromas”, ressaltou Caio Alonso Fontes, diretor da Café Editora. Informações e a programação completa da SIC 2015 no semanainternacionaldocafé.com.br

Fonte: Hoje Em Dia (Maria Helena Dias)

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