Produtores do ES têm expectativa de colheita de café conilon maior em 2017

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Café conilon colhido no Sítio Vitalina em São Gabriel da Palha (Foto: Vitor Jubini/ A Gazeta)
Café conilon colhido no Sítio Vitalina em São Gabriel da Palha (Foto: Vitor Jubini/ A Gazeta)

As condições climáticas proporcionaram um melhor desenvolvimento dos grãos de café, e a perspectiva é que a colheita de 2017 seja maior do que no último ano no Espírito Santo. A expectativa é colher de 6,5 milhões a 8 milhões de sacas de café conilon.

Devido à crise hídrica, o estado atingiu, em 2016, a pior safra dos últimos 10 anos, com 5,3 milhões de sacas de café conilon produzidas. Houve redução de 2,2 milhões de sacas em relação ao ano de 2015.

O secretário de estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Octaciano Neto, acredita que não será um ano para superar o patamar de 2014, mas tem tudo para ser melhor que 2015 e 2016. Ele aponta que a colheita será superior devido às chuvas dos últimos meses.

“A chuva é o fator decisivo. Com ela teve mais irrigação e os produtores puderam renovar os cafezais. Choveu relativamente bem em outubro novembro, dezembro, fevereiro e março, fazendo com que os índices voltassem a ficar próximos dos padrões históricos”, explica.

Potencial
Neto aponta que ainda não é a quantidade desejável, pois o estado tem potencial de produzir mais de 10 milhões de sacas de café conilon. “Dada a realidade de 2015 e de 2016, será uma colheita boa. Mas como tivemos uma crise hídrica é olhar a luz no fim do túnel”, observa.

O secretário pondera que ainda será um ano difícil para alguns produtores rurais, como no Noroeste e no Norte do estado, que podem ter uma produção abaixo da média devido às chuvas que não vieram como deveriam.

Para amenizar o problema, Octaciano Neto explica que estão sendo realizadas diversas medidas. Ele diz que houve também um conjunto de ações ao longo do ano para ajudar produtores, como a assistência técnica e a construção de barragens.

Alice Eque Nass espera que, neste ano, sejam produzidas 15 sacas de café na propriedade onde trabalha (Foto: Brunela Alves/ A Gazeta)
Alice Eque Nass espera que, neste ano, sejam produzidas 15 sacas de café na propriedade onde trabalha (Foto: Brunela Alves/ A Gazeta)

Esperança
O presidente da Cooabriel, Antônio Joaquim de Souza Neto, acrescenta que a lavoura só vai começar a se recuperar a partir de 2018, só que em 2017 ele reforça que a produção de café conilon será melhor que no último ano devido às condições climáticas.

Ele acredita que é um ano de esperança para que o produtor possa continuar investindo.

“É um momento difícil para todos, mas é um ano para ter esperança, as lavouras já estão mais bonitas. Acredito que será um ano melhor porque o produtor vai produzir mais e aprendeu um pouco com a seca. A gente não tinha noção que seria assim. Não vai dar alta produção, mas no ano que vem será de boa produção se continuar chovendo”, vislumbra.

A meeira Alice Eque Nass, de 51 anos, mora em Colatina, no Noroeste do estado. Devido à crise hídrica, a propriedade em que trabalha produziu apenas uma saca e meia de café em 2016, mas ela acredita que, neste ano, será melhor, e espera colher pelo menos 15 sacas dos 1,5 mil pés de café que restaram na propriedade. “Não dá para recuperar ainda, mas acredito que será melhor”

Grãos de café serão mais pesados
O secretário da Seag, Octaciano Neto, explica que, como choveu na época em que o conilon estava ganhando peso, a tendência é que o café produzido nesta safra tenha melhor qualidade. A expectativa é que o grão venha maior e mais pesado na colheita deste ano no Estado.

Outro fator que pode interferir na qualidade é a renovação dos cafezais. Ele explica que muitos produtores fizeram a renovação por dois motivos: renovação natural e pela falta de água. “Como a chuva castigou demais algumas regiões, o produtor teve que renovar invés de recuperar. Isso pode ajudar a ter uma qualidade melhor porque vai aperfeiçoando o pacote tecnológico, pois muda a adubação e o espaçamento, por exemplo”, comenta.

O secretário ressalta que a qualidade também sofre influência após a colheita. “A tendência é o café de melhor qualidade devido às chuvas. Mas não basta só o que acontece antes da colheita, a secagem e a torra também influenciam”, finaliza.

O presidente da Cooabriel, Antônio Joaquim de Souza Neto, acredita que o grão vai estar maior e mais pesado e, por isso, o rendimento será maior. Ele aponta que isso será possível porque as chuvas possibilitaram a irrigação no período necessário.

“O café estará com rendimento maior por causa da qualidade do grão, que estará maior e mais pesado devido às chuvas do final de 2016 e do início deste ano no Estado. O ano passado teve que ter 12 sacas de café maduro para dar uma saca pilado. Esse ano, acredito que serão menos sacas de café maduro para dar uma saca pilado, o café vai crescer no rendimento”, afirma.

Fonte: A Gazeta (Por Raquel Lopes) via G1 ES

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