Produtor entra na nova era da agricultura digital

Imprimir
A tecnologia empregada no campo foi determinante para que a agricultura brasileira alcançasse o patamar atual. Em quase 30 anos, o rendimento das plantações de soja do país aumentou 70,8%, bem acima do incremento de 41% registrado no mesmo período pelos Estados Unidos, maior produtor da oleaginosa.

A evolução é contínua e agora se consolida uma nova era de tecnologia agrícola: a da agricultura digital. O que move essa guinada, além do ímpeto dos produtores de alcançar maior eficiência nas lavouras, é a revolução digital provocada pela expansão da telefonia móvel e da internet no Brasil e no mundo.

As montadoras de máquinas agrícolas têm exercido papel decisivo nessa nova etapa da agricultura, já que a mecanização das lavouras tirou das mãos do agricultor todas as etapas do processo de produção. Associadas a outras ferramentas de transmissão de dados, como GPS e sinal de rádio, estas máquinas estão transmitindo informações que já eram coletadas no campo para a tela do computador, celular ou tablet de agrônomos e produtores, de forma muito mais rápida agora.

E a agricultura de precisão, que abarca os novos sistemas digitais, concentra hoje a atenção de todas as fabricantes. “Nos próximos três anos, a CNH investirá o triplo do que foi investido nos últimos três anos em pesquisa e desenvolvimento, sendo que só a agricultura de precisão absorverá mais de 10% dos recursos isso”, disse o diretor da Agricultura de Precisão da CNH Industrial, Gregory Giordan.

Na última Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, Agrishow, os lançamentos das montadoras se concentraram em sistemas de gestão de máquinas ou de frota que permitem aos produtores monitorar e alterar, em tempo real, a velocidade e a forma de operar da máquina.

Tais sistemas, de forma geral, transmitem do computador de bordo da máquina para softwares ou aplicativos, via sinal GPRS, de telefonia celular e internet, se a máquina está colhendo ou plantando na velocidade programada, a quantidade de sementes ou de adubo aplicada por hectare, a umidade do grão, além de sinalizar eventuais problemas técnicos.

Hoje, quase todas as empresas de maquinários lançaram ou irão vender em breve tecnologias como esta. O Fuse Connected Services, apresentado pela AGCO na feira, pode gerar economia de cerca de R$ 110 mil em uma safra em uma propriedade de 1 mil hectares, graças às perdas evitadas na colheita e ao ganho de produtividade no plantio, segundo o gerente de marketing de produto Crop Care e ATS da AGCO América do Sul, Rafael Antonio Costa.

A John Deere fez o pré-lançamento de sistema semelhante na Agrishow, o JD Link, que deve começar a sair de fábrica a partir de janeiro de 2017 em grande parte das máquinas da marca. A CNH, por meio da marca New Holland, lançou o PLM Connect, enquanto a Case IH, do mesmo grupo, passou a oferecer o AFS.

A era da agricultura digital também está levando à integração de diversos setores, como o de máquinas agrícolas, agroquímico e de tecnologia, a fim de buscar soluções conjuntas e ofertar sistemas mais completos para os produtores. AGCO, CNH Industrial e John Deere têm parcerias para sincronizar seus sistemas com o de outras empresas e dar aos agricultores condições de controlar à distância um número maior de operações, além das atividades da máquina.

Defensivos

As multinacionais de defensivos agrícolas também entraram de cabeça no páreo para oferecer soluções em agricultura digital. Os benefícios de negócios trazidos por esse tipo de plataforma, segundo as companhias, estão associados principalmente à fidelização de clientes, incluindo a nova geração de produtores rurais, que já está mais familiarizada com o mundo digital.

Na safra 2016/2017, que começa neste mês, a americana Monsanto fará o pré-lançamento do sistema batizado de FielViewTM Plus, que permite acompanhar por um aplicativo, em tempo real, detalhes da operação de colheita ou plantio. Os dados são captados por sensores instalados na máquina e, a partir desta safra, também no solo, e transferidos via computador de bordo para uma “nuvem” na internet através de banda larga (3G ou Wi-Fi).

A gigante alemã Bayer também chega nesta safra com uma ferramenta similar, porém ainda sem a precisão de um talhão de terra. O site alertas.bayer.com.br traz previsões climáticas para os 5.570 municípios brasileiros, passíveis de serem acessadas pelo computador ou celular, com o porcentual de probabilidade de determinadas pragas e doenças da cultura selecionada. Alertas também são enviados pelo sistema para os produtores, por e-mail ou SMS, avisando quando surgem mudanças na previsão do tempo anterior.

Fonte: Canal Rural via Estadão Conteúdo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *