Preferência da Europa por café expresso leva spread a recorde

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O fato de os negociantes tentarem evitar a entrega de grãos brasileiros de robusta levou os contratos futuros de janeiro ao maior desconto da história em relação aos contratos de março na bolsa ICE Futures Europe.

O motivo é que provavelmente haja um dilúvio da variedade conhecida como conilon estocada nos armazéns europeus e as empresas de torrefação do continente normalmente não a compram.

As empresas de torrefação, que normalmente usam os grãos do maior produtor do robusta, o Vietnã, querem evitar mudar as variedades usadas em seu café para preservar o sabor.

O Brasil embarcou um volume recorde de café conilon neste ano porque os traders levaram uma quantidade maior do produto à Europa para classificação e entrega contra os contratos, pois saía mais barato do que usar a oferta de outros lugares.

A ICE não permite que os compradores escolham o tipo de robusta que receberão ao retirarem a entrega.

“As empresas de torrefação da Europa ainda não estão acostumadas ao conilon devido ao perfil de sabor”, disse Rodrigo Costa, diretor de café do Société Générale, por telefone, de Nova York, na segunda-feira.

O robusta para entrega em janeiro estava até US$ 30 por tonelada mais barato do que os contratos futuros de março da sexta a terça-feira, desconto mais agudo registrado desde que o spread começou a ser negociado, há mais de um ano.

Se a diferença se tornar suficientemente ampla, os negociantes poderão acabar sendo seduzidos a aceitar as entregas do conilon desde que a diferença cubra o custo do armazenamento dos grãos para uma venda posterior.

As exportações de café robusta do Brasil de janeiro a outubro subiram 48 por cento em relação ao ano anterior, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do país, conhecido como Cecafé.

A maioria dos grãos entregues contra os contratos futuros vencidos de julho e setembro na ICE veio do Brasil, segundo os dados da bolsa.

Conilon rentável

“No início do ano era rentável levar o conilon à Europa, por isso muitos traders fizeram isso”, disse Ricardo Santos, trader da Equatorial Traders, por telefone, na segunda-feira, de Harrow, Inglaterra.

“Se esse conilon ofertado continuar sendo percebido como competitivo em relação a outras qualidades nós poderemos ver as empresas europeias de torrefação aumentarem o uso dele”.

O início da colheita, há cerca de duas semanas no Vietnã, também está pressionando os preços a curto prazo, disse Costa, do Société Générale.

O café para entrega em janeiro tocou o nível mais baixo em dois anos, de US$ 1.494 a tonelada, em 18 de novembro, e fechou a US$ 1.550 na terça-feira.

A oferta da safra 2015-2016 do Vietnã se somará aos estoques do país que a Marex Spectron Group estima terem totalizado cerca de 7,3 milhões de sacas no fim da temporada passada.

O montante é quase suficiente para atender a demanda do Japão, quarto maior consumidor mundial, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

Fonte: Bloomberg (Isis Almeida)

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