Preços pagos pela saca de café registram retração

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Enquanto os custos de produção da cafeicultura subiram, em média, 6,28% ao longo do primeiro semestre, os preços pagos pela saca de 60 quilos de café recuaram 10,33%, no mesmo período, complicando ainda mais a situação dos cafeicultores, que enfrentam perdas produtivas em decorrência de um longo período de estiagem. Os desafios para os próximos meses, já que é esperada nova queda nos preços devido ao encerramento da colheita, são manter uma gestão rigorosa do caixa e planejar, com eficiência, o melhor momento para a compra de insumos e venda da safra.

De acordo com o "Boletim Ativos do Café", elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ao longo dos primeiros seis meses do ano, o Custo Operacional Efetivo (COE) aumentou 6,28% em média. Entre os principais grupos que compõem o COE, a maior variação foi verificada no grupo de fertilizantes, cujos preços aumentaram 19,36% em média. Apenas no período de abril a junho de 2015, o aumento foi de 12,17%.

Nas regiões de produção mecanizada, o aumento nos preços dos fertilizantes foi de 22,28%. Em Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, foi observada a maior variação, 24,85%, enquanto em Luís Eduardo Magalhães (BA), a alta foi a menor, 11,41%.

Nos municípios onde o processo produtivo é feito de forma manual, a variação nos preços dos fertilizantes foi de 18,63% entre janeiro e junho de 2015. Em Santa Rita do Sapucaí, no Sul do Minas Gerais, os preços dos fertilizantes aumentaram 52,85%. Já em Guaxupé, também no Sul do Estado, o aumento foi menor expressivo, encerrando o primeiro semestre com variação de 3,86%.

Entre os demais grupos de insumos, o de inseticidas apresentou valorização de 15,13%. Os preços dos adjuvantes subiram 15,12%, dos herbicidas, 12,1%, fungicidas, 9,42% e acaricidas 3,55%. 

Cenário – De acordo com a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, Aline Veloso, o cenário atual requer atenção dos cafeicultores no momento da compra de insumos para o próximo ano agrícola e para a venda da safra.

"Em Minas Gerais a colheita do café está na fase final, o que gera aumento da oferta do grão no mercado provocando recuo nos preços, ainda que o Estado exporte um volume maior. Neste sentido, o produtor precisa focar na gestão, para escalonar a venda do grão e obter melhores preços. Pensando na próxima safra, é necessário iniciar os investimentos assim que a colheita termina. O momento atual é de custos elevados e crédito mais caro, por isso, é essencial que o cafeicultor se organize. O cenário é bastante difícil já que não é possível controlar e prever como será a produção na próxima safra", avalia.

O levantamento da CNA, mostrou que os preços do café arábica apresentaram desvalorização de 10,33% no primeiro semestre. A maior redução ocorreu no município de Manhumirim, na Zona da Mata mineira, onde a saca de 60 quilos desvalorizou 16,57% e foi comercializada por R$ 360 em junho deste ano. Em seguida aparece o município de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, com queda de 16% e a saca comercializada a R$ 365.

Já a menor redução nos preços foi observada em Guaxupé, no Sul de Minas, 1,51%, onde a saca foi cotada a R$ 403,55. Em média, o preço pago ao produtor de arábica nos primeiros seis meses do ano foi de R$ 418,62 por saca, dependendo da qualidade e do município avaliado.

Nos municípios que possuem lavouras mecanizadas, a maior queda no preço ocorreu em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, 11,64%. Nas regiões com processo produtivo mecanizado o preço médio de venda no período foi de R$ 434,37 por saca, enquanto nas regiões com processos manuais foi de R$ 401,79 por saca.

Fonte: Diário do Comércio (Michele Vallverde)

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