Pacote terá incentivos à exportação de manufaturados

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Com a participação cada vez menor dos produtos manufaturados nas exportações brasileiras – fato realçado ontem após a divulgação dos números da balança comercial de 2011 – o governo prepara um pacote para incentivar a venda de itens industrializados no exterior. Os estudos tiveram início há duas semanas e envolvem a participação de vários ministérios.

O anúncio das novas medidas deve acontecer até o fim de março. Com a promessa de um pacote, o governo espera bons resultados no volume das exportações em 2012, conforme declara o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira.

Em 2011, as exportações bateram recorde: somaram US$ 256 bilhões. Mas ficaram levemente abaixo da meta do governo, que era de US$ 257 bilhões. As importações também foram as maiores de todos os tempos: chegaram a US$ 226 bilhões.

A diferença gerou um superávit de US$ 29,790 bilhões para a balança comercial em 2011. Apesar de 48% maior que o volume alcançado em 2010, o resultado está bem abaixo da marca de US$ 40 bilhões vista em 2007.

Pacote. O crédito para o exportador deverá ser o núcleo do pacote que será lançado, pois o governo está ciente de que as linhas de financiamento estão cada vez mais escassas e caras, graças ao cenário atual, que conta com uma economia mundial desaquecida e acirramento da competição entre empresas e países em busca de mercados.

"O crédito é um dos pontos fracos do mercado. Obviamente, trabalhar com crédito é importante", avaliou Teixeira.

Em setembro, a presidente Dilma Rousseff lançou o Reintegra, um programa de estímulo às exportações, que virou lei apenas no mês passado. Essa movimentação do governo tem uma explicação. Primeiro, a indústria prevê que 2012 será um ano difícil. Depois, identifica que nos últimos quatro anos a participação dos produtos manufaturados na balança comercial passou de 52% (em 2008) para 36,1% em 2011. O encolhimento também está relacionado à alta dos preços das commodities.

Em 2011, a venda de manufaturados somou R$ 92,3 bilhões – volume maior do que o dos produtos semimanufaturados (US$ 36 bilhões), mas bem inferior ao dos produtos básicos (US$ 122,5 bilhões). Segundo a secretária de comércio exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, o resultado é fruto mais do aumento das vendas que da alta dos preços.

Na lista dos produtos básicos estão itens agrícolas e o minério de ferro, principal produto vendido pelo Brasil.

Com a demanda por commodities no mercado externo, os produtos básicos ganharam espaço nas exportações. Teixeira disse que isso não é um problema para o País, mas que o governo deseja ver expansão em todos setores.

O agronegócio, afirmou, sempre será destaque na balança comercial. "Mas dizer que vai carregar a balança é muito forte." Sobre o minério de ferro – que apresentou queda nas cotações – a expectativa do MDIC é que a cotação chegue a um "nível bom". "O minério deve se manter no padrão em que fechou o ano", disse.

Concorrência chinesa. Uma retomada do peso dos manufaturados na pauta de exportações no curto prazo é pouco provável, avalia o professor do Ibmec/RJ Ruy Quintans. Pouco eficiente, na avaliação dele, o País continuará tendo de enfrentar a concorrência de produtos chineses nos mercados internacionais. "Nosso principal problema é o custo país. O Brasil é um país muito caro", diz.

O câmbio valorizado, uma das principais reclamações dos exportadores, também deve continuar impactando negativamente a balança comercial.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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