Oscilação do Dólar deve continuar a orientar cotações em NY

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O mercado futuro de café arábica teve forte alta de pouco mais de 5% na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), puxado pelo enfraquecimento do dólar em relação ao real. Os contratos romperam níveis técnicos importantes e pode manter trajetória ascendente.

O diretor da exportadora Comexim nos Estados Unidos, Rodrigo Costa, informa em relatório semanal que os futuros de arábica romperam as resistências de 103,45 centavos de dólar por libra-peso e 106,90 cents. O próximo objetivo está em 110,30 cents. Os suportes estão em 100 cents, 98,75 cents e 95,10 cents.

No mercado de café robusta da Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o contrato para novembro encerrou quebrou a resistência de 1.599 dólares a tonelada. Outras resistências estão em 1.637 dólares e 1.715 dólares. Os suportes são de 1.540 dólares, 1.502 dólares e 1.465 dólares a tonelada.

O dólar perdeu força em relação ao real ontem, favorecendo as commodities cotadas na divisa americana. Segundo corretores, a moeda americana abriu em firme queda e contrariou o mercado global de câmbio por toda a manhã, valendo menos de R$ 4 nos mercados à vista e futuro.

O principal motivo para a depreciação do dólar foi o resultado da pesquisa Ibope, divulgada na noite de segunda-feira, o qual mostrou que o líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), cresceu 4 pontos porcentuais nas intenções de voto, com aumento nas preferências entre as mulheres e também na região Nordeste, onde Fernando Haddad (PT) lidera a pesquisa. Após cair mais de 3% na mínima da sessão, o dólar fechou em baixa de 2,47%, a R$ 3,9304, no segmento à vista. É a maior queda porcentual em quase quatro meses e a cotação mais baixa desde meados de agosto deste ano.

Os fundamentos do mercado de café, no entanto, continuam inalterados. O Brasil está terminando de colher uma safra recorde, estimada em cerca de 60 milhões de sacas de 60 kg. Os produtores acompanham a evolução do clima, na expectativa de chuvas que possam confirmar o “pegamento” da florada.

A Somar Meteorologia informa que uma frente fria que está no Sudeste consegue avançar pelo oceano e até o fim do dia de amanhã consegue chegar na altura do Espírito Santo. As chuvas se espalham um pouco mais pelo Sudeste e atinge áreas do interior mineiro até o fim da tarde. No centro-oeste paulista, o risco para chuva volumosa é maior e no norte do Estado há potencial para ocorrência de granizo. As rajadas de ventos podem chegar aos 50km/h entre o Rio de Janeiro, Espírito Santo e também em São Paulo.

Apenas no norte de Minas é que o tempo não muda, diz a Somar. O sol predomina ao longo do dia, com poucas nuvens e baixo potencial para chuva. “Nas áreas onde chove, as temperaturas diminuem um pouco e o tempo não fica tão abafado quanto nos dias anteriores”, prevê a meteorologia.

Os fundos de investimento devem ter diminuído o saldo líquido vendido em café em Nova York, depois do movimento altista de ontem. Esses participantes estavam com saldo líquido vendido de 109.097 lotes no dia 25 de setembro, em comparação com 113.412 lotes no dia 18 de setembro, considerando futuros e opções, mostrou na sexta relatório semanal da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), com posicionamento de traders.

Os futuros do café em Nova York trabalharam no terreno positivo em boa parte do pregão de ontem. O vencimento dezembro/18 encerrou com forte alta de 545 pontos (5,33%), a 107,65 cents. O mercado registrou máxima de 108,15 cents (mais 595 pontos) e mínima de 101,10 cents (menos 110 pontos).

Entre outras notícias, a exportação mundial de café em agosto apresentou aumento de 6,3% em comparação com o igual mês do ano passado. Foram embarcadas 11,102 milhões de sacas de 60 kg, em comparação com 10,444 milhões de sacas em agosto de 2017, informou ontem a Organização Internacional do Café (OIC). Do total exportado no mês de agosto, 6,947 milhões de sacas foram de café arábica, representando alta de 6,7% ante 2017 (6,514 milhões de sacas). Já a exportação de robusta cresceu 5,7%, de 3,930 milhões de sacas para 4,155 milhões de sacas.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam em boletim diário que as cotações do arábica tiveram alta ontem no mercado físico. O Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 425,00 a saca, avanço de 1,7% em relação à segunda-feira. Em virtude da alta, vendedores e compradores voltaram ao mercado, permitindo o fechamento de um bom volume de negócios, dizem os pesquisadores.

Negócios também ocorreram na parte da manhã no mercado de robusta. Após a forte queda do dólar, entretanto, agentes se mantiveram retraídos e o mercado manteve-se mais calmo. O Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 321,52 a saca, elevação de 0,3% em relação ao dia anterior. Para o tipo 7/8, bica corrida, a média ficou em R$ 312,61 a saca, estável (+0,07%) no mesmo comparativo – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.

Fonte: Agência Estado via Café da Terra

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