O MEDO REFLETIDO NA ESTRUTURA

Quem sabia que a Hungria também era um problema?

O atual governo húngaro culpa o governo anterior (social) de manipulação nos números econômicos, e disse que o país está em uma situação econômica grave.

Embora o país não faça parte da zona do Euro, a moeda comum desvalorizou fortemente na semana, negociando abaixo de € 1.20 contra o dólar, o nível mais baixo desde março de 2006. O motivo para a desvalorização é a grande exposição que os bancos do oeste europeu tem com as economias do leste, e claro o receio de que mais “baratas” apareçam de trás do armário do velho continente.

Na sexta-feira a criação de postos de trabalhos menor do que esperada nos Estados Unidos, embora sendo de novos 431 mil empregos, contribuiu para azedar o humor dos investidores, e as bolsas desmoronaram ao redor do mundo.

O mercado de café em Nova Iorque começou a curta semana firme, subindo em função da tempestade tropical Ágatha que tristemente atingiu países da América Central provocando mortes e perdas para várias famílias. O desastre parece não ter prejudicado os cafezais de maneira significativa, mas causou problemas de infra-estrutura.

No Brasil o clima foi frio, como esperado, mas não levou geadas para o cinturão do café. Com a firmeza do dólar americano no final da semana e os fundos já tendo recomprado suas posições vendidas, a bolsa acabou fechando a semana inalterada, devolvendo os ganhos iniciais.

O mercado físico continua firme, com diferenciais mais altos em todas as origens, inclusive para o café robusta. Os dealers e exportadores que tem vendas de café brasileiro-fino nos livros (feitos descontos maiores que 20 centavos?), sofrem para honrar seus embarques com o fim da safra 09/10, e a não disponibilidade de grãos melhores da safra nova. Diz-se que reposição para o 2/3 fine-cup está sendo negociada a prêmio.

A manutenção da situação de escassez, a queda constante (embora em ritmo mais lento) dos cafés certificados na bolsa de Nova Iorque, o medo de que a situação não melhore mesmo com a chegada da safra brasileira, e a incerteza se o volume que chegará no fim do ano de Colômbia e Centrais será suficiente para desafogar os necessitados, tornaram a curva dos preços na bolsa (também chamada de estrutura ou spreads) praticamente plana (flat). Apenas os meses de julho contra setembro, e setembro contra dezembro tem um desconto de US$ 1.50 centavos por libra, enquanto os outros meses negociam praticamente no mesmo nível de preço. Alguns agentes acham um absurdo isto estar acontecendo, dado que haverá mais café a partir do final do ano, porém quem tem coragem de mais uma vez entrar vendido depois de vários anos apanhando?

Os estoques mundiais estão em níveis baixos comparados com o consumo, e mais uma vez repetimos que o problema não é o que tem de café em termos de quantidade e sim no que se refere a qualidade.

Sabemos que as conversas têm sido repetitivas, e fica difícil escrever algo novo dado que os mercados futuros têm se mantido dentro do mesmo intervalo de preço há um bom tempo, e que tudo o que se fala é de diferenciais, mas o que se há de fazer…

A safra grande brasileira não parece ser tão grande assim, relativamente falando, e aqueles que apostaram em diferenciais mais baratos brasileiros a partir de maio, precisam que a bolsa suba para que isto aconteça, o que não parece que vai acontecer até meados do terceiro trimestre deste ano.

A crise de confiança no velho continente, e uma possível diminuição no ritmo de crescimento dos emergentes em função do dragão inflacionário, parecem que vão pesar até mesmo no dinamismo de uma recuperação que o machucado Estados Unidos potencialmente poderia (pode?) ter.

O contrato “C” precisa se manter acima de US$ 132.00 centavos para não voltar a testar os US$130.00, onde parece que os torradores aparecerão, já que não querem diminuir ainda mais suas coberturas durante o inverno brasileiro. Em contra partida a sazonalidade funcionou na primeira semana de junho, e os fundos normalmente ficam (mais) vendidos a partir de agora.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

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