Nova York sobe para nível mais alto em quase 2 anos

Imprimir
O mercado futuro de café arábica voltou a subir forte ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), dando sequência aos ganhos de sexta-feira passada, quando atingiu o nível mais alto desde 20 de janeiro de 2015. Os contratos avançaram com o ambiente externo favorável à tomada de risco, diante da perspectiva de vitória da democrata Hillary Clinton, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, marcada para esta terça-feira (8).

No domingo, o FBI informou que não via risco de acusações criminais no caso dos e-mails da candidata Hillary Clinton trocados por meio servidor privado quando era secretária de Estado dos EUA. A notícia estimulou ontem o mercado acionário ao redor do mundo, assim como os preços de commodities, enquanto o dólar se valorizou ante moedas fortes e caiu perante divisas de moedas emergentes, incluindo o real.

O diretor de Commodities, Rodrigo Costa, do Banco Société Générale, informa que a saca de 60 kg de café no mercado físico brasileiro bate recordes consecutivos, em valores absolutos, para quaisquer qualidades comerciais. O arábica da ICE convertido em centavos de pesos colombianos por libra também está com preço excelente. “Para a Colômbia e o Brasil, o rally vem em um momento muito bom, já que os dois países colhem safras grandes de arábica”, comenta Costa, em relatório semanal. Segundo ele, a Colômbia deve faturar ainda mais, pois em 2011 produzia menos de 8 milhões de sacas e hoje deve produzir cerca de 15 milhões de sacas.

O café chegou a avançar mais de 3% ontem em Nova York, ignorando fatores técnicos. Os indicadores gráficos estão sobrecomprados, sugerindo necessidade de uma correção técnica. O contrato com vencimento em dezembro rompeu as resistência a 172 cents e 173 cents. Os suportes estão em 170 cents, 168 cents e 165 cents.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), conforme o Société Générale, o contrato para janeiro do café robusta rompeu a resistência a 2.191 dólares. Outros objetivos estão em 2.220 dólares e 2.260 dólares a tonelada. O suporte está em 2.173 dólares, 2.159 dólares, 2.136 dólares e 2.110 dólares a tonelada.

Costa acrescenta que a queda dos futuros na terça-feira passada foi tímida dado o suporte encontrado por compras de comerciais. Os fundos estavam no dia 1º de novembro com recorde de posições brutas compradas (70.173 lotes), para um total líquido (comprado menos vendido) de 55.917 lotes. O recorde de posição comprada líquida é de 12 de fevereiro de 2008 (56.205 lotes). “Muito provavelmente já temos um novo recorde com as altas de quinta e sexta-feira (sem considerar ontem), pois os especuladores devem ter aumentado em outros 6 mil contratos as suas posições”, observa Costa.

O diretor do Société Générale salienta que o número de contratos em aberto em Nova York também não para de bater recordes consecutivos. Na sexta-feira passada (4), dado mais recente, o volume de contratos em aberto totalizava 227.247 lotes. As rolagens de posição se intensificam, antes do início do período de notificação de entrega do dezembro/16, a partir do dia 21 de novembro. O vencimento dezembro/16 tinha em aberto 94.775 lotes na sexta, enquanto março/17 acumulava 71.719 lotes.

Os futuros de arábica em Nova York trabalharam no lado positivo em boa parte do pregão de ontem. Os contratos com vencimento em dezembro/16 acabaram fechando em alta de 1,75% (300 pontos), a 174,35 cents. O mercado teve máxima de 175,65 cents (mais 430 pontos). A mínima foi de 170,00 cents (menos 135 pontos).

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que as cotações do arábica no mercado físico brasileiro subiram ontem. O indicador Cepea/Esalq do Café Arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 577,74/ saca de 60 kg, alta de 1,86% na comparação com a sexta-feira. Segundo o Cepea, apesar da nova alta nos preços externos e internos, as vendas de café arábica continuam limitadas no Brasil. Isso porque produtores continuam preocupados com a queda na produção na temporada 2017/18. Diante deste cenário, já começaram a limitar os negócios para não ter de pagar um imposto de renda mais elevado em 2017.

O indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 546,33/saca de 60 kg, estável na comparação com sexta. O tipo 7/8, bica corrida, ficou em R$ 536,02/saca de 60 kg, avanço de 0,11% na mesma comparação – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.

Fonte: Agência Estado via Café da Terra e Rede Social do Café

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *