Museus do Café e Histórico devem ter projeto de recuperação em 6 meses, diz prefeitura de Ribeirão Preto, SP

Imprimir

Determinação judicial que obrigou o município a recuperar prédios e pagar multa se arrasta há quase um ano. Casarões estão fechados há dois anos devido a problemas estruturais.

incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro (RJ) apontou a fragilidade dos prédios históricos no país. Em Ribeirão Preto (SP), dois museus passam por situação semelhante, o Museu Histórico e o Museu do Café, no Campus da USP, fechados há dois anos devidos aos problemas estruturais.

Quase um ano após determinação judicial que obrigou a Prefeitura de Ribeirão Preto recuperar os dois prédios históricos, o município afirma que o projeto de recuperação deve ficar pronto em seis meses.

Segundo a Prefeitura, um convênio com o Centro Universitário Moura Lacerda será firmado na próxima semana para a elaboração de um projeto de revitalização dos museus.

A recuperação, segundo a Prefeitura, será feita com o investimento de R$ 6,6 milhões, provenientes da Lei Ruanet. Procurada pelo G1, a Prefeitura não informou o prazo para início das obras, nem para a reabertura dos museus.

Por meio da assessoria de imprensa, o Centro Universitário Moura Lacerda informou que ainda acerta detalhes sobre o convênio com a Prefeitura.

Museu Histórico continua fechado em Ribeirão Preto, SP (Foto: Fernando Oliveira/G1)Museu Histórico continua fechado em Ribeirão Preto, SP (Foto: Fernando Oliveira/G1)

Museu Histórico continua fechado em Ribeirão Preto, SP (Foto: Fernando Oliveira/G1)

Fechamento

O desejo de reabertura do local é antigo pela população de Ribeirão Preto. Em maio deste ano, um grupo se reuniu no campus da USP para solicitar a reabertura do Museu do Café e do Museu Histórico.

Os prédios estão fechados desde março de 2016, quando o forro de uma das casas desabou devido a infiltrações. Nem as obras no valor de R$ 400 mil realizadas com recursos de empresários, foram suficientes para a reabertura.

O caso também passou por uma Comissão Especial de Estudos (CEE) na Câmara Municipal. A apuração constatou a deterioração do acervo por causa da umidade excessiva e embasou uma ação civil movida pelo Ministério Público.

Em outubro, a Justiça determinou que a Prefeitura de Ribeirão Preto iniciasse a restauração em até 90 dias, com multa de R$ 1 mil por dias de atraso.

O juiz de direito da 1ª Vara da Fazenda Pública, Reginaldo Siqueira, aponta a deterioração do acervo e condições inadequadas de armazenamento, além da falta de segurança e controle de pragas.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Estado, o município entrou com recurso e o prazo foi suspenso. A decisão ainda está em fase de análise judicial.

Visitantes se deparam com simples aviso na entrada dos museus do Café e Histórico, em Ribeirão Pretp, SP (Foto: Fernando Oliveira/G1)Visitantes se deparam com simples aviso na entrada dos museus do Café e Histórico, em Ribeirão Pretp, SP (Foto: Fernando Oliveira/G1)

Visitantes se deparam com simples aviso na entrada dos museus do Café e Histórico, em Ribeirão Pretp, SP (Foto: Fernando Oliveira/G1)

Risco intenso

Em entrevista à EPTV, o engenheiro e historiador Marcelo Araújo alerta que, um possível incêndio nas mesmas proporções do Museu Nacional, destruiria os dois prédios de Ribeirão Preto muito rapidamente.

“No nosso caso, que é uma construção de mais de 120 anos, se tivéssemos um incêndio nas mesmas proporções, todo esse conjunto arquitetônico seria perdido em menos de cinco minutos”, calcula o engenheiro.

O motivo de uma devastação rápida acontece devido a muito revestimento em madeira, desde o forro ao piso. “Temos uma composição de 45% de madeira seca e muitos cupins. É um prato cheio para essa destruição”, aponta Marcelo Araújo.

O engenheiro também destaca a falta de sistema de combate a incêndio para evitar a perda do acervo e até mortes. “Não temos nenhum sistema de combate a incêndio, a não ser pequenos extintores que não são suficientes”, afirma.

Casa do Colono

A Prefeitura de Ribeirão Preto informa que já conseguiu alguns investimentos para iniciar algumas obras, porém não se trata ainda dos prédios que abrigam os dois museus.

Em nota, o município confirma que receberá investimento de R$ 250 mil do Ministério do Turismo, valor que será destinado à Casa do Colono, prédio anexo aos dois museus. A nota diz que o local recebeu melhorias como o tratamento do madeiramento contra cupins, troca de forro e telha, além da recuperação dos caibros e adequações elétricas.

Fonte: G1 Ribeirão Preto e Franca

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *