Mancha Aureolada é tema de palestra de pesquisadora do Instituto Biológico

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A mancha aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae, tornou-se uma doença muito importante da cafeicultura, especialmente em algumas regiões, como o sul e o cerrado mineiro, além dos estados de São Paulo e Paraná. Por isso, a pesquisadora do Instituto Biológico de Campinas (SP), Flávia Rodrigues Alves Patrício, tem ministrado palestras com o intuito de difundir as informações e peculiaridades da doença por toda a comunidade cafeeira.

De acordo com ela, as lavouras mais prejudicadas pela doença são as novas, com até três a quatro anos de idade e aquelas que sofreram podas, como recepa ou esqueletamento. Essas são muito suscetíveis, principalmente as situadas em locais de elevada altitude e nas faces sul e sudeste das áreas montanhosas, que estão sujeitas a ventos frios constantes.

A pesquisadora explicou que o aumento da adoção da colheita mecanizada de café, que abre ferimentos podendo favorecer a penetração e disseminação da bactéria nas plantas, pode ter agravado a doença nos cafezais. As condições climáticas que favorecem a mancha aureolada são temperaturas amenas, principalmente à noite, chuvas e elevada umidade relativa do ar.

A bactéria penetra na planta por vários mecanismos, nas brotações jovens e folhas novas, por ferimentos ou aberturas naturais (fotos abaixo) e também nas inflorescências.

A bactéria penetra sistemicamente nos ramos, que inicialmente exibem lesões escuras que atingem as folhas, e com o avanço da doença ocorre a desfolha dos ramos (veja nas fotos a seguir).

Segundo Flávia, o manejo da mancha aureolada deve iniciar pela utilização de mudas sadias. Por esta razão o produtor deve fazer uma seleção rigorosa das mudas a serem levadas ao campo, evitando o plantio de mudas com sintomas da doença.

“Poucos estudos avaliaram a resistência de cultivares de cafeeiro a essa doença. As do grupo Mundo Novo mostram-se bastante suscetíveis, enquanto que do grupo Catuaí são moderadamente suscetíveis. Algumas cultivares do grupo Icatu parecem ter resistência parcial, e a variedade Geisha e os materiais portadores do gene SH1 (resistência à ferrugem) são considerados resistentes. Porém, mais estudos são necessários para comprovar esta resistência”, explicou.

A pesquisadora complementou. “Em campos infestados o manejo consiste em evitar a ocorrência de ferimentos nas plantas, com o plantio de quebra-ventos, além de aplicações sistemáticas de fungicidas à base de cobre. Entre as opções de quebra-ventos temporários sugerem-se o milheto, a crotalária, o feijão guandu entre outras, e como espécies permanentes podem ser utilizadas grevílea, bananeiras, abacateiro, cedrinho, eucalipto e outras”, disse.

Embora o controle químico de bacterioses não seja tão eficiente quanto o controle químico de doenças provocadas por fungos, a aplicação de fungicidas cúpricos é recomendada para o combate à bactéria em lavouras infestadas.

Aplicações de fungicidas cúpricos nas áreas mais afetadas são recomendadas logo após a colheita e no início do ciclo reprodutivo do cafeeiro, compreendido entre o florescimento e o início da formação dos frutos.

“Depois da colheita, principalmente a mecanizada que provoca ferimentos no caule e nos ramos das plantas, o uso desses fungicidas é muito interessante para a cultura do café, porque evita a entrada de fungos e bactérias pelos ferimentos ocorridos durante a colheita, prevenindo o ataque da mancha aureolada e de outras doenças”, aconselhou.

Além de proteger os cafeeiros os fungicidas à base de cobre conferem um efeito tônico, que promove a recuperação das plantas e aumenta a retenção foliar. Também, reduzem o potencial de inóculo da ferrugem e da cercosporiose, que restaram da safra anterior.

A pesquisadora ressaltou ainda que é importante observar que a proteção com fungicidas cúpricos deve ser feita antes da penetração da bactéria na planta, e em períodos muito chuvosos, de intensa brotação das plantas e no período do florescimento, os intervalos entre as aplicações devem ser reduzidos (20 a 30 dias). No entanto, no início do ano a elevação da temperatura desfavorece a colonização dos cafeeiros pela bactéria e a epidemia da mancha aureolada é, de maneira geral, reduzida. Por esta razão sugere-se que os meses mais quentes do ano fiquem sem aplicações de cobre, para manter o equilíbrio natural do ambiente.

Por se tratar da aplicação de produtos químicos, a utilização de fungicidas cúpricos deve ser orientada por engenheiros agrônomos devidamente habilitados.

Fonte: Polo de Excelência do Café via Rede Social do Café

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