Inseticida biológico é registrado para broca do café

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Créditos Koppert

Créditos Koppert

A broca-do-café (Hypothenemus hampei) ocasiona a perfuração dos frutos,que é feita na região da cicatriz floral ou coroa, onde a fêmea adulta já fecundada abre uma galeria, transformando-a numa câmara, onde fará sua postura. A partir destes ovos, emergem larvas que passam a perfurar e brocar diretamente o fruto do café, gerando assim um dano direto à cultura.

Como consequência, a queda da produtividade, bem como da qualidade do café, são os efeitos de áreas severamente atacadas pela broca. Em áreas com baixa eficiência de controle da broca-do-café, os índices de perdas chegam a mais de 50%, inviabilizando assim o cultivo.

 

Regiões atacadas

 

A primeira ocorrência da broca-do-café no Brasil foi relatada no Estado de São Paulo, no ano de 1913, e desde então a praga estabeleceu-se nas principais regiões produtoras de café, podendo ser encontrada desde a Amazônia até o Rio Grande do Sul, onde num prazo de 40 anos está já estava completamente disseminada pelo país, com ocorrências relatadas em países vizinhos.

Em relação às espécies do gênero Coffea cultivadas atualmente, todas são suscetíveis ao ataque da broca, mas em escalas variadas. As infestações da broca-do-café flutuam de um ano para outro, dependendo de condições climáticas, adensamento, manejo químico e nutricional da cultura.

 

Luciano Zappelini, gerente de produção e desenvolvimento da Koppert - Crédito Arquivo pessoal

Luciano Zappelini, gerente de produção e desenvolvimento da Koppert – Crédito Arquivo pessoal

Opções de controle

 

Frente a esta praga, considerada a principal da cultura do café, é necessário a adoção de um manejo integrado utilizando diversas táticas de controle, sendo os controle cultural, químico e biológico as táticas mais recomendadas.

No que tange ao controle cultural, a principal medida consta da eliminação de frutos (cafés verdes, maduros ou secos) remanescentes da colheita no solo, numa tentativa da redução da sobrevivência da praga no período de entressafra. Desta maneira, tenta-se reduzir a população da praga, propiciando assim um menor índice de infestação para a safra seguinte.

Desde a década de 1920, após os primeiros relatos de prejuízos oriundos de cafezais infestados com a broca no Brasil, vem se desenvolvendo uma estratégia complexa de controle químico desta praga, sendo os princípios ativos utilizados muitas vezes alterados ou modificados ao longo destes anos.

Atualmente o controle químico da broca-do-café conta com recomendações de produtos a base de organofosforados. Inúmeros ingredientes ativos já foram testados, utilizados e alguns até banidos, devido à alta toxicidade, a exemplo do endusulfan. Tal proibição abriu nesta importante e significativa fatia do agronegócio brasileiro uma oportunidade para novas tecnologias de controle como, por exemplo, a utilização de microrganismos como o fungo entomopatogênico Beauveria bassiana.

 

Biológicos contra pragas

 

Numa tentativa de propiciar ao mercado uma solução frente ao controle da broca-do-café e devido à alta pressão da praga acometendo as lavouras, o Governo brasileiro autorizou a importação, bem como o registro emergencial de produtos à base de diamina.

Fazendo uso de uma estratégia para atender a necessidade do mercado produtor, a Koppert Biological Systems, desenvolveu e obteve o registro do produto Boveril WP, à base de Beauveria bassiana, cepa PL63 para o controle biológico da broca-do-café junto ao Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) no ano de 2014.

 

Sintomas da broca no cafeeiro - Crédito Paulo Rebelles

Sintomas da broca no cafeeiro – Crédito Paulo Rebelles

Inovações no campo

 

O fungo Beauveria bassiana vem sendo estudado e utilizado no Brasil há pelo menos quatro décadas, com resultados extremamente promissores para as mais variadas pragas, desde ácaros, afídeos, lepidópteros e coleópteros dentre outros.

Boveril WP é uma moderna ferramenta oferecida pela Koppert como uma das tecnologias a ser utilizada no manejo da broca-do-café. Dentre os vários organismos que possuem potencial para controle biológico da broca-do-café, diversos inimigos naturais, como Prorops nasuta (vespa de Uganda) e Cephalonomia stephanoderis, também um himenóptero, já foram estudadas, mas muito pouco foi feito no sentido de produzi-los em escala comercial.

Desde então, as tecnologias de controle biológicos foram suprimidas pelo uso de defensivos químicos que até então apresentavam bons resultados de controle.

Neste novo cenário de proibição de defensivos, onde a broca-do-café passa a ser um fator de extrema relevância na cafeicultura brasileira, a indústria de controle biológico movimentou-se com extrema eficiência na busca por uma solução que permita ao produtor fazer um uso racional de defensivos, contribuindo, dentre outros fatores, para a quebra de resistência dos insetos, gerando um produto final isento de resíduos, além de contribuir diretamente com a saúde ambiental e do trabalhador.

Atualmente, o Brasil conta com um parque fabril, uma rede de biofábricas, prontas para multiplicar e formular produtos à base de Beauveria bassiana.

 

Fonte: Revista Campo & Negócios Grãos

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