Indústria estima déficit de conilon de 4,8 a 8,7 mi scs de 2013 a 2016

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A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) e a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) fizeram uma projeção do déficit na oferta de café conilon no Brasil entre 2013 e 2016. O trabalho, utilizando dados de produção da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), indicou que o país terminará 2016 com um déficit acumulado nos últimos anos de 4,8 a 8,7 milhões de sacas de 60 quilos.

O diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), Aguinaldo Lima, diz que “como não se sabe o estoque ao certo”, o levantamento tem como objetivo apenas se ter uma ideia do “tamanho do problema”. E, com sucessivas quebras de safras no Espírito Santo por problemas climáticos, a tendência é que o problema se agrave, já que a safra de 2017 também está comprometida.

O levantamento tem essa diferença de 4,7 a 8,7 milhões de sacas porque leva em consideração a possibilidade da indústria do torrado e moído utilizar 30% ou 40% do conilon nos seus blends. Se usar 30% o déficit na oferta é de 4,7 milhões de sacas, mas se usar 40% cresce o déficit para a margem maior.

Já a indústria do solúvel não pode reduzir a utilização do conilon, sendo necessários 80% desse tipo do café no processamento e apenas 20% de arábica. Em 2015, foram utilizadas 3,8 milhões de sacas de conilon para o solúvel. “Substituir o conilon por arábica é inviável economicamente na fabricação de café solúvel”, destaca a ABICS.

O suprimento da indústria do solúvel está garantido até janeiro, já que as indústrias vendem para entrega futura (oito meses à frente), mas compram o café conilon no físico. Entretanto, com a escassez, as vendas futuras estão lentas e Aguinaldo Lima diz que o setor perdeu dois meses de vendas já. Os embarques de café solúvel do Brasil atingiram 3,6 milhões de sacas em 2015, tendo crescido 2,8% em volume contra o ano anterior. Para 2016, a estimativa é de aumento de 7% nas exportações, que bateriam em 3,85 milhões de sacas. Para Aguinaldo Lima, a falta de conilon pode ter reflexo sim no volume embarcado em 2017, interrompendo a melhora nas vendas externas.

Assim, a meta da ABICS de aumentar os embarques em 50% até 2025 (passando de 3,6 para 5,4 milhões de sacas) poderá ter de ser revista, diz Aguinaldo. O setor de solúvel lamenta esse risco logo quando foi fechado o primeiro projeto com a APEX (Agência de Promoção às Exportações), voltado para a negociação de barreiras tarifárias e promoção do solúvel no exterior.

Como consequência, as indústrias do solúvel não estão conseguindo adquirir o conilon porque não há oferta, aponta a ABICS. As informações são de que os produtores de Rondônia já comercializaram a safra de 2016, e “os produtores do Espírito Santo relutam em vender seus estoques por razões óbvias e compreensíveis, pois é o ativo que possuem para fazer frente às dificuldades e tentar conseguir o máximo de preço”, destacou Lima em apresentação no Encafé (Encontro Nacional da Indústria do Café), que foi realizado de 23 a 27 de novembro na Ilha de Comandatuba, no município de Una, na Bahia.

Ainda sobre os impactos para a indústria de café solúvel, a ABICS indica que sem matéria prima para processamento naturalmente tende a haver comprometimento dos embarques, com a impossibilidade de fechamento de negócios no exterior, com falta de competitividade. Aguinaldo Lima ressalta que existe risco de perda de clientes internacionais de forma irreversível. Pode se perder os esforços das estratégias de expansão das exportações (projeto com a APEX ameaçado), com arrefecimento das estratégias de negociações de barreiras tarifárias.

Em palestra no Encafé, Aguinaldo Lima frisou que a perda de mercado da indústria do solúvel vai significar menor demanda pelo conilon dos produtores do Brasil. “Cliente perdido do solúvel é cliente perdido dos produtores”, ressaltou.

Aguinaldo Lima disse que o Brasil pode perder mercado especialmente para o Vietnã. O Vietnã em cinco anos saiu de quase zero de exportação de solúvel para um quarto do que o Brasil levou 40 anos para conseguir exportar anualmente.

Ele destaca que o Vietnã tem uma política agressiva, vantagens no quesito barreiras tarifárias. “Se perdermos espaço por causa da falta de conilon, o Vietnã vai ocupar”, advertiu. Por isso o setor do solúvel e do torrado e moído estão unindo esforços para pedir a liberação de importações do conilon, diante da falta do produto no mercado interno e dos riscos envolvidos para toda a cadeia.

Atualmente, seis empresas produzem café solúvel no Brasil. Aguinaldo Lima trouxe a ideia e o convite aos industriais do torrado e moído no Encafé que entrem nesse mercado do solúvel. As indústrias do torrado e moído poderiam comprar café solúvel dessas 6 empresas e aumentarem seu portfólio de produtos, com marcas próprias, vendendo no mercado interno. Em sua palestra, ele destacou que, pela praticidade de uso, o solúvel estimula novos consumidores, que com o tempo migram para o torrado. Lembrou que muitos países iniciaram o consumo de café pelo solúvel, e disse que o Brasil pode ter vários nichos da população e varias regiões em que essa abordagem pode ser aplicada.

Fonte: Safras & Mercado (Por Lessandro Carvalho) via Café da Terra

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