Grande intervalo entre florações prejudica produção de café na divisa entre SP e MG

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A produção de café arábica na divisa entre Minas Gerais e São Paulo deve diminuir 17% em 2017, de acordo com estimativa da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). O principal responsável pelas perdas, além da bianualidade da cultura, é a falta de uniformidade das floradas na região.

Segundo o coordenador de desenvolvimento técnico da Cooxupé, Eduardo Renê da Cruz, os cafezais da área de ação da cooperativa tiveram neste ano três floradas. Apesar do bom pegamento, diz ele, houve intervalo muito grande entre a primeira e a última florações, afetando a qualidade dos grãos, que não maturaram uniformemente.

O último levantamento de safra realizado pela cooperativa – referente a mais de 15 mil propriedades no norte de São Paulo, sul de Minas Gerais e Triângulo Mineiro – estimou uma produção de 16,9 milhões de sacas de café. O total corresponde a uma queda de 17% em relação à temporada anterior, quando a colheita somou 23,6 milhões de sacas.

O presidente da Cooxupé, Carlos Alberto Paulino, afirma que essa queda de desempenho provém de problemas climáticos enfrentados anteriormente pela cultura. “Esse é um fator determinante para uma produção baixa no ano que vem”, diz.

Quebra

No sul mineiro, a quebra de safra pode chegar a 12%, com volume esperado de 11,9 milhões de sacas do grão. No ciclo passado, foram 13,6 milhões de sacas. No norte paulista, o volume total esperado é de 9 milhões de sacas, 7% a menos que no ciclo passado, e, no Triângulo Mineiro,  a queda deve chegar a 32%.

Nessa última região, lembra o presidente da Cooxupé, muitos produtores têm adotado o esqueletamento, um tipo de poda lateral do cafeeiro. “Com essa técnica, em um ano você produz muito e, no outro, a safra é quase zero. Além disso, na safra passada o clima por lá ajudou e eles produziram bem”, afirma Paulino.

A Cooxupé estima que cerca de 20% do volume esperado da safra 2017 já foi comercializado. O cafeicultor Mário Guilherme Ribeiro, por exemplo, aproveitou o ciclo de preços altos no mercado e já negociou 15% da produção. Nesse meio tempo, segundo ele, o mercado sofreu muita variação. “Em setembro e outubro, nós tivemos altas relevantes e, agora, uma queda boa também”, afirma.

Fonte: Canal Rural (Por Henrique Bighetti)

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