Gigante de defensivos genéricos ajusta foco

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Rodrigo Gutierrez, CEO da Adama no Brasil: meta é alcançar faturamento de US$ 1 bilhão em quatro anos no país (Foto: Claudio Belli/Valor)

A israelense Makhteshim Agan, maior fabricante de defensivos genéricos do mundo, está concretizando um dos passos mais importantes em seus quase 70 anos de história. A empresa, que em 2011 teve o controle adquirido pela gigante ChemChina – e desde então trabalhava em um processo de unificação de estratégia e de imagem -, acaba de ganhar um novo nome: Adama. A mudança terá efeitos práticos também no Brasil, onde a companhia caminha para faturar US$ 500 milhões por ano.

Rebatizar a empresa foi uma saída encontrada para fortalecer a marca e simplificar a operação, bastante pulverizada ao redor do mundo. A Makhteshim Agan nasceu ainda na década de 1940, logo depois da criação do Estado de Israel, e se lançou nos anos seguintes à busca de parcerias nos principais países agrícolas, caso do Brasil.

Em meados dos anos 1970, a companhia se tornou fornecedora da paranaense Herbitécnica e uniu-se a cooperativas gaúchas para erguer a Defensa, uma fábrica de defensivos. Mais tarde, a israelense acabaria adquirindo as duas empresas, que em 1998 se fundiram para dar origem à Milenia Agrociências – agora também sob o guarda-chuva da Adama.

A Makhteshim Agan multiplicou associações assim nos últimos anos, o que contribuiu para que a companhia crescesse, mas de maneira desorganizada. "Em 2010, éramos 45 empresas diferentes no mundo", conta Rodrigo Gutierrez, CEO da Adama no Brasil. No ano seguinte, com a chegada da ChemChina, o cenário mudou. A estatal chinesa comprou 60% das ações (as demais 40% ainda pertencem à israelense Holding IDB) e começou a redesenhar o futuro da empresa.

A decisão de convergir toda a operação para uma única marca foi uma das primeiras providências. Adama (pronuncia-se Adamá) remete ao hebraico e significa terra. A empresa oficializou a mudança há cerca de 45 dias e a subsidiária brasileira será a primeira fora de Israel a adotar o novo nome. A antiga marca da empresa no Brasil, Milenia, permanecerá nos rótulos dos produtos até o segundo semestre deste ano, quando começará um processo gradativo de troca.

Há ainda importantes transformações em curso no portfólio. A empresa decidiu reduzir o foco em defensivos genéricos e apostar em uma oferta "híbrida", aplicando inteligência própria na criação dos produtos. "Antes fazíamos cópias, mas agora já preparamos novas combinações com moléculas antigas e também passamos a criar novas moléculas", afirma Gutierrez.

Esse reposicionamento já produz reflexos na composição das vendas no Brasil. Em 2010, 30% da receita no país era baseada no glifosato – produto desenvolvido pela Monsanto, já com a patente quebrada. Três anos depois, esse número foi reduzido a 10%.

O novo direcionamento dos produtos ampliou os esforços em pesquisa e desenvolvimento. Somente no Brasil, a expectativa é investir de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões em laboratórios e plantas de produção nos próximos cinco anos. A companhia possui uma unidade de pesquisa em Londrina (PR) que se dedica à formulação de produtos, enquanto a planta de Taquari (RS) concentra a fabricação de princípios ativos. A capacidade instalada atual no país é de 170 milhões de litros de defensivos por ano.

Junto aos outros centros de pesquisa que já detinha em Israel e na Europa, a companhia optou por erguer mais dois, na Índia e na China – este último ainda em fase de construção. "Nos últimos três a quatro anos, saímos de 70 pesquisadores para quase 120 entre Brasil e Israel. Na Índia, temos mais 30, e na China, haverá mais de 100", diz Gutierrez.

Além de liderar o segmento de defensivos genéricos, a Adama é também a sétima maior do mercado mundial de agroquímicos, com um faturamento de US$ 3,08 bilhões em 2013, dos quais 15% (US$ 460 milhões) vindos do Brasil. A meta é alcançar US$ 1 bilhão em quatro anos no país, ou 20% da receita total, tendo em vista a expectativa da empresa de que as vendas globais cheguem a US$ 5 bilhões nesse intervalo. Apesar dos números vistosos, por ora a companhia detém apenas uma pequena fatia do mercado brasileiro, de 4%.

A Adama concentra atenções em soja, cana-de-açúcar, algodão, trigo e café. A empresa trabalha ainda no segmento de tratamento de sementes e pretende, em cinco anos, entrar no de nutrição vegetal. No médio prazo, há interesse em desenvolver soluções para os mercados de arroz e hortifruti.

Além de trazer sustentabilidade na oferta de matéria-prima, a relação com a ChemChina abre à Adama o acesso ao país asiático, que carece de lideranças. "Se juntarmos as três ou quatro maiores empresas desse setor no Brasil, teremos 65% de market share. Esse número será de apenas 25% se pegarmos as 10 maiores da China", compara Gutierrez.

A expectativa é que a aproximação com os chineses também permita à Adama estreitar relações com os agricultores do Brasil, criando uma "ponte" mais direta de comercialização de grãos. "Hoje, há uma dependência grande das tradings. No futuro, podemos ajudar a unir essas duas pontas. Driblar as deficiências logísticas brasileiras é a grande dificuldade", diz.

Fonte: Valor Econômico

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