Formação das flores não define volume da safra de café, avaliam especialistas

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Quando a primeira florada de café brotou nos cafezais de Minas Gerais, maior produtor do grão no país, o mercado ficou agitado e as previsões de boa safra mexeram com os preços. Produtores e técnicos, porém, afirmam que flor não é sinônimo de café, e questionam até que ponto é possível prever o tamanho da produção avaliando as flores nos pés.

Antonio Batista Filho cultiva café em sua propriedade em Cabo Verde, no sul de MG. O café de montanha está em oito hectares produtivos e já teve a primeira e principal florada, considerada boa aos olhos de especialistas. Mais duas floradas ainda estão previstas, mas o cafeicultor se mantém cético, com base em experiências passadas.

– No ano passado, tivemos uma florada muito boa. Eu pensava em colher 300 sacas de café, mas deu apenas 230. Por isso, acho que tem muita mentira em cima disso aí. Já tivemos anos em que uma florada fraquinha se transformou em uma colheita boa. No ano passado, foi o inverso – explica o produtor.

O cafeicultor Ademar Pereira confia na boa condução da lavoura que garantiu, segundo ele, uma florada média. Ele está confiante, prevendo uma safra de baixa produção, mas ainda com bons resultados.

– Graças aos bons tratamentos e da boa condução da lavoura, tivemos uma florada média. Agora, esperamos pela próxima florada. Acredito que teremos uma carga baixa esse ano, mas com uma produção razoável. Muita coisa que ainda está para acontecer deve ser levada em consideração em relação à florada até o fruto ser colhido.

A primeira florada determina 80% da produção. Depois, chegam as floradas menores para preencher o restante da safra. O agrônomo Francisco Coutinho avalia que o clima vem colaborando com as produções até agora.

– A florada ocorreu há uns 10 dias e consideramos que as condições climáticas estão mais adequadas este ano, em relação aos anteriores. Nós tivemos uma quantidade de umidade suficiente no solo e as condições de temperatura e chuva também estão dentro da normalidade – afirma o especialista.

Francisco também faz um alerta sobre o longo caminho até a flor virar grão de café.

– Não quer dizer que florada é café. Flor não é café, mas é indício de que teremos uma safra boa. O período de 90 a 120 dias depois da florada é um momento crítico para a safra, pois, se houver falta de chuva, pode ocorrer abortamento do chumbinho.

A formação das flores é um processo lento e não pode servir como único parâmetro para definir a próxima produção. O que existe de concreto é matemático e biológico: se a última colheita foi uma produção cheia, a próxima deve ter quebra com diferentes percentuais, de acordo com as características de cada região.

O que acontece em Minas Gerais serve de termômetro para o mercado e para definir o futuro da produção de café no país. Por isso, as previsões são feitas com cautela.

– Lá no Cerrado, onde a safra deste ano foi melhor do que no sul de Minas, ela deve ser cerca de 20% menor no ano que vem. Aqui no sul de Minas, tivemos uma quebra de safra. Em uma região de Alfenas, indo pra Varginha, eles estão em um ciclo diferente, então deve ser um pouco melhor do que a deste ano. Em compensação, do lado de Guaxupé, indo para Paraíso até sair na divisa de São Paulo com Franca, que é uma grande região produtora, devemos ter uma safra de 20% a 30% abaixo da registrada este ano. A safra do ano que vem seguramente será menor do que a deste ano – afirma Lucio Dias, superintendente de operações comerciais da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé).

Fonte: Canal Rural – RuralBR

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