Faemg considera absurda a volta da CPMF

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O presidente da FAEMG, Roberto Simões, chama a volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) de "absurda" e afirma que ela só aumentará a carga sobre as costas dos produtores, que pagarão mais caro pelos insumos e por qualquer outra operação bancária que envolva compra e venda. "A volta da CPMF significa custos mais altos de produção, o que inviabiliza o consumo, pois a população já está com dificuldade de comprar", diz.

O dirigente ruralista destaca que, na comparação com outros setores como indústria e comércio, a agricultura e pecuária têm sentido a crise com menos intensidade, mas no caso da CPMF, o impacto será o mesmo. "A agricultura conta com a tecnologia, a exportação e tem maior competitividade. Além disso, o setor de alimentos tem mercado garantido porque ninguém deixa de comer, então somos os últimos a sentir a crise. Mas a volta da CPMF vai afetar a todos igualmente", ressalta.

Para Simões, em vez de aumentar os impostos, o governo federal deveria reduzir gastos internos. Ele acredita que a promessa de que essa será uma cobrança temporária não será cumprida e que a população continuará sofrendo a carga da CPMF. "O Brasil já tem uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo e não retorna isso em serviços. O governo faz uma gastança, não corta nada de efetivo na carne e a conta vem de novo para o povo, o que é um absurdo", reclama. 

Resistência

O assessor econômico da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Geras) Guilherme Leão acredita que de todas as medidas anunciadas pelo governo, a volta da CPMF será a que enfrentará maior resistência no Congresso Nacional. Isso porque além de afetar os próprios deputados e senadores, já que muitos são empresários, a medida também atinge a sociedade em geral e, portanto, é impopular.

Ele destaca que, apesar de parecer uma alíquota insignificante, de 0,20%, acaba encarecendo muito o produto final, pois o tributo incide sobre cada etapa do processo de produção e comercialização. "Quanto mais etapas no processo desde a produção até o comércio, mais trocas financeiras e mais a CPMF incide sobre o produto", explica. De acordo com o assessor, isso afeta tanto a indústria, que acaba perdendo margem de lucro porque não pode repassar tudo para o consumidor, quanto para o consumidor que tem seu poder de compra ainda mais achatado.

"A Fiemg se posiciona contra a característica desse pacote, que propõe uma série de ações que aumenta a carga tributária e corta os investimentos. O governo tem que apresentar propostas que, de fato, tenham impacto na redução de despesas públicas", ressalta.

Fonte: Diário do Comércio (Thaíne Belissa)

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