Esforço de trabalhador na lavoura é tema de tese de doutorado

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Professor Marco Antônio Gomes Barbosa durante a apresentação da sua tese na UNICAMP em Campinas, São Paulo

O doutor em Engenharia Agrícola e professor do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Marco Antônio Gomes Barbosa, defendeu no dia 29 de julho uma tese de doutorado que apresenta um estudo detalhado sobre o comportamento e as respostas fisiológicas e biomecânicas de trabalhadores rurais diante dos estímulos gerados nas atividades laborais nas lavouras de café.

Intitulada “Caracterização da Carga Física de Trabalho na Cafeicultura do Sul de Minas Gerais” e sob orientação do Professor Dr. Roberto Funes Abrahão, a tese foi submetida a uma banca examinadora na Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

O trabalho foi desenvolvido em sete propriedades rurais familiares localizadas no sul de Minas e filiadas à Associação dos Agricultores Familiares de Santo Antônio do Amparo, entidade incentivada pelo Projeto Força Café, da Fundação Hanns Neumann Stiftung do Brasil.

De acordo com Marco Antônio, os trabalhadores rurais do setor cafeeiro necessitam de uma conscientização maior sobre as atividades realizadas no campo. “O trabalhador precisa de uma consciência maior da sua postura, da sua frequência cardíaca. Ele precisa ter uma interação maior com as atividades que faz e a pressão arterial, com as dores que existem para determinadas subtarefas. A maior felicidade que eu tive foi conscientizar esses trabalhadores a partir do desenvolvimento da tese”, explicou o professor.

Duas hipóteses foram formuladas pelo pesquisador. A primeira indica que a carga física da cafeicultura familiar do sul de Minas Gerais é intensa e se distribui de forma desigual entre os sistemas de trabalho. A segunda diz que há diferença na intensidade da carga de trabalho quando este é executado em condições de relevo plano ou em aclive. A partir dessas hipóteses estabeleceu-se o objetivo geral da pesquisa: caracterizar a carga física de trabalho na cafeicultura familiar a partir da análise de parâmetros fisiológicos (frequência cardíaca e carga cardiovascular), biomecânicos (combinações posturais) e psicofísicos (indicação do esforço físico e esforço percebido).

O estudo realizado foi do tipo experimental em condições de campo com elementos quantitativos e qualitativos, sendo os descritores da carga física de trabalho o grupo de variáveis dependentes descritas no objetivo geral. Já, as variáveis independentes, constituíram-se das subtarefas e da topografia do terreno, sendo elas: adubação a lanço no morro e no plano, adubação foliar no morro e no plano, desbrota no morro e no plano, aplicação de herbicida no morro e no plano, colheita no morro e no plano, secagem no terreiro e armazenamento.

Os resultados da pesquisa sugerem que o método adotado para avaliar o nível de esforço físico exigido pelas subtarefas, com a combinação de diferentes indicadores – frequência cardíaca, combinações posturais, manifestação de desconforto corporal e esforço percebido – mostrou-se adequado para caracterizar a carga física de trabalho da cafeicultura familiar do sul de Minas Gerais e permitiram ao pesquisador chegar a importantes conclusões.

As subtarefas adubação foliar, adubação a lanço, secagem e armazenamento foram as que apresentaram maior exigência cardiovascular. Pela natureza do trabalho, a desbrota e a colheita apresentaram uma grande variabilidade de combinações posturais.

Entre as principais áreas de manifestação de desconforto, quando se olha o conjunto das subtarefas, estão as regiões dos ombros, pescoço, dorso médio e dorso inferior. Os trabalhadores destacaram a adubação foliar, adubação a lanço e armazenamento como as mais exigentes quanto ao esforço percebido. Também, indicaram existir diferença significativa entre as subtarefas desenvolvidas em distintas condições topográficas, considerando maior esforço para aquelas realizadas em morros. Entretanto, tanto os indicadores cardiovasculares como os biomecânicos não revelaram diferenças estatisticamente significativas entre as subtarefas desenvolvidas em condição de morro e de plano.

Marco Antônio prestou agradecimentos à Universidade Federal de Lavras (UFLA), pelo apoio e sustentação institucional, aos professores da universidade Renato Ribeiro Lima, Rubens José Guimarães, Carlos Eduardo Silva Volpato, Luiz Gonzaga de Castro Junior e também ao gerente executivo do Polo de Excelência do Café Edinaldo José Abrahão, por terem sido uma fonte de constante estímulo.

Fonte: Polo de Excelência do Café (Fabio Alvarenga e Clayton Grillo Pinto)

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