EPAMIG Oeste alavanca cafeicultura no Cerrado Mineiro

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O Programa de Pesquisa em Cafeicultura de Minas Gerais, iniciado na década de 1970, com ações desenvolvidas pela EPAMIG Oeste, Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de Viçosa (UFV), proporcionou a adaptação de cultivares de café às condições de clima e de solo do Cerrado Mineiro. A partir de 1974, os estudos expandiram para as principais regiões cafeeiras do estado de Minas Gerais, com o intuito de selecionar material genético, visando à obtenção de cultivares com resistência ao fungoHemileia vastatrix Berk. et Br. causador da ferrugem. O trabalho promoveu o controle genético desse patógeno e contribuiu significativamente para evitar severos prejuízos à lavoura cafeeira.

Evolução da pesquisa – Com a instalação do Campo Experimental de Patrocínio pela EPAMIG, em 1976, o desenvolvimento das pesquisas do Programa de Melhoramento do Café influenciaram a transformação e evolução da cultura do café. Os primeiros resultados deste trabalho demonstraram o comportamento regional das linhagens de Catuaí Vermelho, Catuaí Amarelo e Mundo Novo, nas principais regiões cafeeiras de Minas Gerais. Assim, foi possível conhecer o comportamento regional das cultivares tradicionais às condições edafoclimáticas das principais regiões cafeeiras do Estado e recomendar aos cafeicultores, de cada uma delas, aquelas mais adaptadas e produtivas.

Expansão tecnológica – A cafeicultura ganhou os campos do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro, que se tornaram referência para o Brasil e para o mundo em cultivo de cafés de alta produtividade, de elevada qualidade de bebida e de característica única. O alto emprego de tecnologia consolidou o trabalho da pesquisa e projetou a região como a primeira a receber o certificado de Denominação de Origem do Café, reconhecido pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

Acervo de cultivares – Cerca de 50% das cultivares de café plantadas na região do Cerrado Mineiro foram desenvolvidas e/ou validadas com a participação da EPAMIG. O Campo Experimental conta com um Banco de Germoplasma de Café, um dos maiores do Brasil, onde são iniciados os trabalhos de desenvolvimento de cultivares. O local abriga mais de 1.500 materiais catalogados. Este acervo contribui para condução de cerca de 50 experimentos em média, todo ano, com desenvolvimento de plantas mais produtivas, resistentes a pragas e a doenças. Um total de 16 cultivares desenvolvidas pelo Programa já foram lançadas, contribuindo para o aumento da produtividade e sustentabilidade da cafeicultura do Cerrado.

Fortalecimento da cafeicultura – Em 2016, a EPAMIG Oeste iniciou uma parceria com a Federação dos Cafeicultores do Cerrado e com a Fundação de Desenvolvimento do Café do Cerrado Mineiro (Fundaccer) e, hoje, conduz importantes projetos. Um trabalho conjunto que já contabilizou um aporte de investimentos que chegam a R$2.445.980,00. Hoje, são mais de 100 ensaios ou experimentos acontecendo, dentro da Região do Cerrado Mineiro, que beneficiam diretamente mais de dois mil produtores com previsão de beneficiar os outros 2.500 que fazem parte da área demarcada pela Denominação de Origem. Novas cultivares de café já foram geradas e estão à disposição dos produtores como: MGS Aranãs, MGS Paraíso 2, MGS EPAMIG 1194 e MGS Ametista.

Unidades Demonstrativas – Um dos projetos mais relevantes da parceria é o “Unidades Demonstrativas para Validação de Cultivares de Cafeeiro” para a Região do Cerrado Mineiro, onde foram implantados 26 campos experimentais em 12 municípios para avaliar 12 cultivares em relação à produtividade, qualidade de bebida, resistência a pragas e doenças, entre outros. Nove, dessas cultivares, são da EPAMIG. O objetivo é identificar o comportamento de cada uma nas diversas microrregiões onde as unidades estão instaladas para indicar, com mais confiança, as melhores cultivares para cada ambiente. Apesar de ser uma região com Denominação de Origem, o Cerrado Mineiro possui características diversificadas, com áreas de altitude elevadas e baixas, áreas irrigadas por pivô e por gotejo, entre outras.

Provas de cafés especiais – Provas de degustação das amostras do Banco Ativo de Germoplasma da EPAMIG Oeste estão selecionando os melhores cafés especiais, com sabor e aroma específicos para bebida de qualidade. As avaliações, divididas em várias etapas identificam e, quando concluídas em 2019, vão disponibilizar as sementes dos melhores cafés aos produtores. Elas são realizadas por uma equipe de cinco provadores treinados e capacitados para pontuar os cafés e encontrar sabores e aromas característicos. Todas as etapas ocorrem de acordo com os protocolos estabelecidos pela Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA). Os cafeicultores terão a chance de conhecer e plantar um genótipo específico para o tipo de café especial que querem produzir, a partir da seleção de grande parte dos 1563 acessos do Banco de Germoplasma. Algumas cultivares da EPAMIG conseguem pontuações altas para café especial. As provas são uma iniciativa do Consórcio Pesquisa Café, financiadas pela FAPEMIG numa parceria entre EPAMIG e Federação.

Rastreabilidade – A partir desta avaliação, a Região do Cerrado pode dar um salto em qualidade de pontuação dentro do terroir pela utilização de novas cultivares assim como outras características demandas pelo setor produtivo e mercado como melhor eficiência de colheita, resposta às podas, tolerância ao déficit hídrico e bebida diferenciada.

Cafés exóticos – Outra linha de pesquisa visa identificar acessos do Banco de Germoplasma de Café da EPAMIG Oeste com potencial de produção de cafés para bebidas exóticas e diferenciadas. Ao longo de três anos serão provadas 455 amostras. Pesquisadores trabalham na identificação de grãos de café superiores com potencial para obter bebida com nuances, aromas e sabores distintos. É grande a possibilidade de identificar novos genótipos com as características que o mercado demanda no momento, obtendo um grão de café cada vez melhor para qualidade da bebida. A cultivar Catiguá MG2, já lançada no mercado, já foi considerada exótica por alguns provadores por ter um diferencial de acidez e doçura.

Sustentabilidade – Vários trabalhos e pesquisas relacionados à sustentabilidade do café estão em andamento como: Prospecção e diagnóstico dos focos de nematóides nos municípios da Região, com apoio da Emater; Teste de novos materiais resistentes a pragas e doenças implantados em áreas com nematoides; Avaliação da microbiota do solo e levantamento fitossociológica na Região – estudo que avalia a distribuição das espécies vegetais (plantas daninhas) no Cerrado Mineiro; Campanha de combate a broca-do-café, que teve por objetivo conscientizar os produtores da importância de uma colheita bem feita, não deixando grãos remanescentes na lavoura e, com isso, eliminando o local de sobrevivência da broca no período da entressafra.

Transferência de tecnologia – O Campo Experimental de Patrocínio possui um Centro de Excelência do Café Cerrado, infraestrutura composta de laboratório de qualidade do café e centro de treinamento com auditório, salas de apoio, refeitório e dormitórios. No espaço é realizado anualmente o Encontro de Inovação e Tecnologia para a Cafeicultura do Cerrado Mineiro, em sua 3ª edição, com uma média de 400 participantes. Os resultados de todo trabalho realizado sobre café são apresentados neste evento de integração da ciência com o setor produtivo. No Encontro, os produtores tem acesso direto às tecnologias. Os temas destacam genética, qualidade de bebida e combate a doenças na região do Cerrado.

Intercâmbio – Os avanços na cafeicultura brasileira e nas pesquisas para qualidade da bebida estão despertando o interesse de outros países nas cultivares desenvolvidas no país. Este ano, a EPAMIG recebeu uma comitiva de pesquisadores da Costa Rica para firmar um convênio de intercâmbio de conhecimento, de tecnologia e, principalmente, para registrar a cultivar da empresa, a Catiguá MG2. Exigente em qualidade, a Costa Rica já testou a cultivar em 8 safras . O desempenho foi excelente com peneira maior do que a produção brasileira. Além disso, a MG2 é resistente à ferrugem e se comportou muito bem em várias regiões testadas mesmo com a diversidade de altitudes.

Melhores cafés do Cerrado – A cultivar Topázio, desenvolvida por meio do Programa Estadual de Cafeicultura da EPAMIG, alcançou o segundo lugar no Prêmio Região do Cerrado Mineiro 2016, categoria café natural. O material apresentado pela Fazenda Barinas, localizada no município de Araxá, MG, obteve a pontuação de 91,08 pela metodologia da Associação Americana de Cafés Especiais (BSCA). Mais duas variedades desenvolvidas pela EPAMIG também alcançaram boa classificação no Prêmio. Acaiá Cerrado MG 1474, da fazenda Freitas, em Patrocínio, e a MGS Paraíso 2, da fazenda Estrela II, em Patos de Minas, ficaram com o segundo e quarto lugares, respectivamente, na categoria Cereja Descascado.

Região ideal – Devido ao potencial para o cultivo do chamado café de altitude, regiões altas do município de Patrocínio, como o Chapadão dos Ferros, e a região do Planalto de Araxá são propícias para o cultivo de grão especial. No Planalto de Araxá foram instalados vários experimentos de competições de cultivares, por meio de projetos do Consórcio de Pesquisa Café – EPAMIG/Embrapa Café, com foco, principalmente, na qualidade superior da bebida. A seleção é feita baseada em 25 cultivares e materiais genéticos. São avaliadas cultivares da EPAMIG, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Fundação Procafé e do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) para seleção das mais adaptadas à região, nas condições do Cerrado.

Café expresso – A região de Araxá possui características de relevo, solo e clima ideais para o grão especial, com quantidade de chuvas um pouco maior, o que influencia no desenvolvimento das plantas resultando em peneira alta, ou seja, em um grão graúdo. Esta constatação foi feita na safra de 2015, quando o café produzido no Planalto de Araxá foi comparado ao de outras regiões do Estado. Todas as cultivares produziram grãos com maior percentual de peneira alta em relação a outras regiões, fator importante para atender ao mercado de café expresso que exige sementes mais graúdas.

Pesquisas em andamento – Na área de biotecnologia vegetal, a EPAMIG desenvolve pesquisas que alavancam a tecnologia do setor cafeeiro:

Efeito de diferentes concentrações de 2,4-D na indução de calos em antera de café Coffea arábica.
Diferentes concentrações de 2,4-D na formação de calos em anteras de duas variedades de café (Coffea arábica L.)
Diferenciação e indução de embriões em calos oriundos do cultivo in vitro de anteras de Coffea arábica.
Maturação e germinação de embriões oriundos do cultivo in vitro de antera de Coffea arábica, em 3 concentrações da formulação MS.
Efeito de diferentes concentrações de 2,4-D na indução de calos em explantes foliares de café (Coffea arábica).
Diferenciação e indução de embriões somáticos em calos de híbridos de Coffea arábica, cultivados em meio de cultura com auxinas e Citocininas.
Maturação e germinação de embriões somáticos de híbridos de Coffea arábica em 3 concentrações da formulação MS.
Propagação vegetativa do café via embriogênese, utilizando folhas jovens como principal fonte de explantes.
Diferentes concentrações de oxido cloreto de cobre no controlo de contaminações fúngicas em explantes foliares de Coffea arábica cultivados in vitro
Diferentes concentrações de TDZ na formação de embriões em calos oriundos do cultivo in vitro de antera de Coffea arábica.
Efeito de diferentes concentrações de 2,4-D (Acido diclorofenoxiacético) e BAP (Benzilaminopurina) na regeneração de plantas haplóides via cultura de anteras.
Efeito de diferentes concentrações de BAP na indução de embriões somáticos em calos oriundos de explantes foliares de café (Coffea arábica).
Cultivares para o Cerrado Mineiro – As pesquisas no Cerrado Mineiro apresentam um leque de cultivares que a EPAMIG registrou, sendo cinco suscetíveis a ferrugem e 11 resistentes. Desse grupo foram selecionadas cinco que estão prontas para serem recomendadas. Elas já têm toda informação com suas características para o agricultor plantar em função da particularidade de cada propriedade.

Características específicas – A topázio MG 1194, amplamente plantada no Cerrado Mineiro, é muito boa para colheita mecanizada, principalmente para colheita seletiva, porque o fruto cereja sai com muita facilidade, enquanto o fruto verde se mantem aderido à planta; Acaiá Cerrado MG 1474, material suscetível à ferrugem, tem um fruto mais graúdo, maturação um pouco mais precoce e os agricultores do cerrado já a conhecem; Catiguá MG 2, uma cultivar nova se comparada as demais, que apesar de apresentar uma peneira menor tem um bom potencial de qualidade para aqueles produtores que querem um café diferenciado; MGS Paraíso MG 2, lançada há dois anos, com registro liberado no ano passado, porém já estava sendo cultivada pelos produtores por se destacar em resistência a ferrugem, com capacidade de desenvolvimento e produção muito elevada, além de ser muito parecida com a Catuaí, de fruto amarelo, o que tem muita aceitação no cerrado; Oeiras MG 6851, resistente a ferrugem, recomendada pela EPAMIG para áreas que tem irrigação por ser um material que apresenta vigor um pouco inferior as outras.

PesquisadoresAs pesquisas com o café na EPAMIG Oeste são coordenadas pelos pesquisadores: Gladyston Rodrigues Carvalho, César Elias Botelho, Antônio Alves Pereira e Antônio Carlos Baião (pesquisador da Embrapa).

Fonte: EPAMIG via Notícias Agrícolas

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