Entrada de dólar disparou em 2011, mas deve diminuir

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O Brasil registrou em 2011 a segunda maior entrada de dólares da história: US$ 65,3 bilhões, valor menor apenas que o de 2007. Nos últimos três meses, no entanto, o que se verificou foi uma fuga de recursos do País, segundo dados do Banco Central.

Entre outubro e dezembro, mais de US$ 3 bilhões foram enviados ao exterior, número que para alguns analistas pode representar uma tendência para o início de 2012 e contribuir para manter o dólar acima de R$ 1,80.

O número positivo foi garantido, principalmente, por dois fatores. No primeiro trimestre, empresas aproveitaram os juros baixos em outros países para pegar empréstimos bancários. Nesse período, entraram no País US$ 31,4 bilhões, somente em operações financeiras.

Preocupado com esse endividamento, o governo decidiu taxar parte dessas operações e praticamente fechou essa porta à entrada de dólares no País. O efeito dessa medida se somou à saída de recursos da Bolsa de Valores e das remessas de lucro ao exterior: houve saída de dólares em oito dos nove meses seguintes, totalizando uma fuga de US$ 10 bilhões entre abril e dezembro.

A maior parte dos dólares que entraram no País, no entanto, foi trazida pelos exportadores, responsáveis por US$ 44 bilhões. Além do aumento das exportações efetivas, muitas empresas foram em busca de crédito por meio de linhas externas de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC). Essa é a operação mais comum desse segmento e está isenta de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

No último trimestre, no entanto, até essa fonte de recursos começou a secar, por causa da piora na crise global. Em dezembro, bancos emprestaram, na média, US$ 164,7 milhões por dia em ACC. A média é a mais baixa do ano e se deve à piora adicional da crise na Europa, que reduziu a oferta desse tipo crédito e elevou o custo das operações.

2012. Sidney Nehme, diretor da corretora NGO, prevê uma pequena entrada de dólares ou até saldo negativo em 2012, o que não ocorre desde 2008. Por causa disso, estima que o câmbio chegue a R$ 2,20 em dezembro, alta de quase 20% no ano. "Não estou tão otimista como o governo. Vamos ter um fluxo bem apertado e isso vai impactar a taxa de câmbio."

Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria, também acredita que, sem grandes novidades no noticiário internacional, o fluxo de dólares deve continuar negativo nos primeiros meses de 2012, mas vê uma pressão menor sobre o câmbio.

Para o economista, a saída de dólares deve, gradualmente, perder força e o fluxo cambial voltará a ficar positivo ainda em 2012. "Sem uma solução efetiva da crise, o mercado não quer tomar risco", diz, ao comentar que esse movimento vai manter o dólar na casa de R$ 1,80 no curto prazo. "Eventualmente, se o dólar subir muito, o Banco Central pode entrar para evitar uma taxa acima de R$ 1,90, o que começa a pressionar a inflação."

A saída de recursos no fim do ano levou os bancos a ficarem novamente "vendidos" no mercado de câmbio à vista. Ou seja, as instituições, que tinham dólares até meados de dezembro, ficaram devedoras em moeda estrangeira. Isso ocorreu porque, diante da demanda, bancos se desfizeram do dinheiro em caixa e ainda tomaram emprestado para vender aos interessados.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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