ENFRAQUECIMENTO DAS MOEDAS DOS PRODUTORES LIMITA ALTAS

Os investidores que esperavam um final de ano mais tranquilo estão tendo uma grande frustração. Nem mesmo o mercado acionário americano, cujo S&P acumulava ganhos de dois dígitos, foi poupado esta semana, com o índice perdendo 3.55% em cinco dias. Na Europa as perdas foram piores tendo as principais bolsas fechando negativamente entre 5% e 7%. Tem também, claro, o IBOVESPA que desmoronou 7.68%, um pesadelo para os detentores de papéis que não há muito tempo estavam felizes em ser acionistas da Petrobras, por exemplo. O total de 1 trilhão de dólares evaporou dos valores de ações no mundo em apenas uma semana de pregão.

A queda do petróleo WTI para US$ 57.79 o barril, uma baixa de 25.28% de um mês para cá, sendo 12.41% desde meu último comentário, liderou a queda dos principais índices de commodities. Há outros fatores negativos que contribuíram para a retração de outras matérias-primas e a desvalorização das empresas, como a crise política na Grécia que coloca em risco o fortalecimento da oposição no país – contrária ao Euro e às regras do ECB – e talvez mais importante o arrefecimento da economia chinesa, que no primeiro trimestre do ano que vem deve confirmar um crescimento do PIB abaixo dos 7%.

Países com alta dependência na produção de commodities sofrem mais com preços mais baixos das matérias-primas e logo uma forma que o mercado ajusta os prognósticos negativos acaba sendo via as moedas. Nesta toada o Real desvalorizou, assim como o Rublo Russo, o Peso Colombiano, a Rúpia da Indonésia e a Rúpia Indiana.

Como se vê para os produtores de café, dos países mencionados acima, a queda do café em Nova Iorque e Londres para os menores patamares desde julho e junho últimos, respectivamente, poderia ser bem pior. Ambos mercados de café fecharam próximos das mínimas na sexta-feira, tendo o arábica perdido US$ 8.07 por saca e o robusta US$ 5.64 a saca, com as figuras técnicas (gráfico) não encorajando os especuladores a comprar.

Os comerciais por outro lado tem disciplinadamente fixado seus preços via flat-price, razão pela qual o terminal tem tido quedas ordenadas e de pouca magnitude no intra-day. Por sinal o relatório do COT finalmente nos mostrou que sadiamente os fundos começaram a vender ao mesmo tempo em que os comerciais compraram, tecnicamente algo menos negativo – conforme comentei recentemente.

Não há dúvida que a questão macroeconômica, incluindo as oscilações da moeda, influenciaram o mercado de café (motivo dos meus três primeiros parágrafos terem sido mais extensos), mas não podemos também esquecer que a percepção dos participantes e as revisões das perspectivas da safra brasileira de 2015/2016 estão alterando as análises que já foram há pouco tempo mais altistas e explosivas.

No mercado físico a atividade poderia ser menor com a queda do contrato “C”, e no FOB os diferenciais firmaram nominalmente, já que a demanda não aparece depois de tantos comprarem a um basis bem mais descontado. A saca de café no mercado doméstico brasileiro não está tão longe dos R$ 500.00, mas como um grande volume da safra atual já foi comercializado e estamos no meio de dezembro naturalmente cai a negociação. Como referência vale notar que muito embora Nova Iorque esteja a apenas US$ 14.75 centavos por libra da mínima de 15 de julho (olhando para a segunda posição), convertido em Reais as cotações hoje ainda estão a R$ 116.66 por libra acima dos preços no mesmo dia. Este é o efeito prático da moeda, e também um limitador de qualquer alta significante.

Por ora o apetite de compra dos futuros deve dar suporte para o arábica não quebrar os US$ 170 centavos, e uma eventual tomada de lucros nas commodities podem ajudar uma recuperação de curto-prazo do café. Entretanto dado o cenário negativo da economia brasileira e a aproximação das vendas dos fundos de índices em janeiro muitos agentes vão aproveitar um eventual movimento de alta para vender a bolsa de novo, e infelizmente (para os altistas) parece ser a coisa certa a ser feita.

Uma boa semana e bons negócios a todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

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