Emater-MG presta serviços de consultoria para o desenvolvimento da cafeicultura no Peru

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Produtores de café e técnicos peruanos recebem capacitação da Emater-MG

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) foi escolhida pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores , para prestar serviços de consultoria ao Peru, na área de cafeicultura. Desde setembro de 2010, duas visitas técnicas já foram realizadas naquele país e uma terceira equipe de técnicos está sendo montada para nova missão, esta direcionada a repassar informações a empresários peruanos da cadeia produtiva do café.

O trabalho realizado pela Emater-MG integra o Intercâmbio de Experiências de Tecnologias para Incremento da Produtividade da Gestão Empresarial dos Produtores de Café na Região dos Vales dos Rios Apurímac e Ene  – área conhecida como VRAE, onde fica a nascente do rio Amazonas. As ações do acordo bilateral são coordenadas pela Agência Brasileira de Cooperação.

O projeto prevê a realização de diagnóstico da produção e do mercado do café oriundo do Vale do VRAE, com o objetivo de incrementar o desenvolvimento da cafeicultura na região, com a agregação de valor ao produto e introdução de novas técnicas de gestão de propriedades empresariais. Estão sendo beneficiados cerca de 120 produtores e técnicos peruanos.

“A viagem foi de extrema importância para conhecermos a experiência dos produtores da região. Nossa impressão foi bastante positiva, no que diz respeito à organização dos produtores em associações e cooperativas. Há também a preocupação dos produtores peruanos com a qualidade, pois fazem colheita seletiva, para a produção de café 100% cereja descascado”, afirmou o engenheiro agrônomo Gabriel Singulano Filho, da Emater-MG em Viçosa, na Zona da Mata, que esteve no Peru em novembro último, juntamente com o seu colega Ricardo Tadeu Galvão Pereira.

Apesar do esforço pela qualidade dos cafeicultores peruanos, segundo Ricardo Galvão, “as técnicas de manejo da lavoura empregadas são completamente diferentes das plantações brasileiras”, com grande parte das lavouras sombreada ou sob sistemas agroflorestais, “o que reduz sensivelmente a produtividade. A expectativa é que a tecnologia brasileira possa ajudar muito, visto que o país domina bem técnicas de manejo, como podas, espaçamentos adequados e adubação, que podem ser adaptadas a condições locais”, afirmou o engenheiro agrônomo da Emater-MG.

Desde 2003, a Emater-MG vem participando como entidade executora em missões de intercâmbio técnico com países da África, do Caribe e da América do Sul. “Para o projeto no Peru, a empresa foi designada pela Agência Brasileira de Cooperação por sua reconhecida qualidade no atendimento aos cafeicultores de Minas Gerais”, ressalta o assessor da presidência da Emater-MG, Ronald Cezar Gava. Ele explica que os custos das viagens são patrocinados pela ABC, que desenvolve projetos de apoio a países em desenvolvimento em diversas áreas, como agricultura, saúde e educação.

Nas visitas dos técnicos brasileiros ao Peru, foi realizada capacitação de cafeicultores locais por meio de cursos teóricos e práticos, com foco em manejo cultural, colheita, pós-colheita, processamento primário e melhoria da qualidade do café para comercialização. O engenheiro agrônomo Carlos Magno de Mesquita, da Emater-MG no município de Paraguaçu, no Sul de Minas, destaca a importância do desenvolvimento da cafeicultura na região do VRAE, como forma de combater a utilização de terras produtivas para o abastecimento do mercado clandestino da coca. Apesar de fazer parte da cultura naquela área do Peru, na Cordilheira dos Andes, o plantio de coca é em grande parte desviado para a produção de cocaína.

A região do Vale do Rios Apurímac e Ene, localizada nos Andes, tem cerca de 50 mil hectares em área propícia para atividades agrícolas. Entretanto, estima-se que mais de 30% desse território seja ocupado pelo cultivo de coca. “O café é uma excelente alternativa de renda para os pequenos agricultores da região. A altitude, superior a 1 mil metros, favorece uma produção de alta qualidade, que pode ser aprimorada com tecnologias que dominamos e podemos repassar, inclusive em relação à produção orgânica, que é uma forte tendência na região e representa um excelente nicho de mercado internacional”, argumenta o técnico da Emater-MG.

Em 2012, além da próxima missão destinada a prestar consultoria aos empresários do setor, está prevista também a vinda de uma missão técnica mista ao Brasil, para conhecer as propriedades cafeeiras de Minas Gerais, Estado que se destaca mundialmente como produtor de café de qualidade superior.

Fonte: Agência Minas

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