Dólar elevado pode limitar ganho do setor de defensivos

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A alta do dólar ante o real pode interromper o crescimento do faturamento do setor de defensivos agrícolas no país. Segundo o diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, no ano passado, o setor teve uma receita bruta de US$ 12,2 bilhões, aumento de 4,3% ante a cifra de US$ 11,7 bilhões de 2013. 

– Neste ano não vamos repetir essa marca, porque o dólar está apreciado ante o real. Podemos andar de lado ou ficarmos bem próximos ao valor do ano passado. 2015 é um ano de cautela – disse.

Daher explica que, apesar de os exportadores ganharem receita com a valorização da moeda norte-americana ante a brasileira, os custos de produção, principalmente fertilizantes e inseticidas, ficaram mais caros para os produtores, já que a maioria é importada. 

– Acredito que o único produto cuja cotação pode subir menos é o fertilizante nitrogenado. Esse movimento é explicado pela queda do valor do barril do petróleo no mercado internacional – ressaltou.

Outro fator citado por Daher é o clima. 

– Num tempo mais seco, há menos ocorrência de fungos e menos procura por defensivos para combate – disse. 
Entretanto, o diretor-executivo informou que os estoques de fertilizantes e defensivos no país estão baixos, o que pode fazer com que os produtores não diminuam suas compras dos produtos. 

Preço das commodities

A estabilidade ou até queda dos preços das commodities no mercado global também pode contribuir para um faturamento apenas estável do setor de agrotóxicos no ano. 

– O valor da commodity determina como o produtor cuidará de sua lavoura. Se o preço cai, eles investem menos, caso da cana e da laranja, e acabam comprando produtos de menor valor. Mas se os preços sobem, há um investimento maior na lavoura, decorrendo em aumento de produtividade, caso da soja – explicou.

Broca-do-café

Daher apoiou a decisão do Ministério da Agricultura em prorrogar por um ano o prazo de vigência do estado de emergência fitossanitária relativo ao risco iminente de surto pela infestação da praga Hypothenemus hampei, conhecida como broca-do-café, no estado de Minas Gerais. A portaria autoriza ações emergenciais de defesa sanitária vegetal, como a permissão de importação de inseticida.

– Coloca-se proibição da importação de remédios para resolver um assunto e acaba gerando problema em outro. No caso da broca, os produtores ficaram sem armas, opção para combater a praga. Foi exatamente o que aconteceu com a Helicoverpa, cujo surto se deu em 2013. Todo e qualquer remédio que melhore a produção tem de ser aplicado, mas na dose e horas certas, sem excessos e uso inadequado – disse.

Na broca, o inseto ataca os grãos de café em qualquer um de seus estágios, destruindo o interior do fruto e colocando em risco a produção. Para os cafeicultores mineiros, a decisão do Ministério veio em uma hora importante para evitar novos prejuízos, já que houve perdas por conta do forte período de estiagem em regiões produtoras do estado. 

Fonte: Estadão Conteúdo

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