Cresce produção de café gourmet na região e produtores visam exportação

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Consumidores de cafés especiais exigem cada vez mais qualidade (Foto: Oscar Herculano Jr./EPTV)

Com o crescimento do consumo de cafés especiais no Brasil, os produtores de Divinolândia (SP) almejam ganhar mercado e aumentar as exportações este ano. A expectativa é de vender pelo menos cinco mil sacas nesta safra, cerca de quatro vezes mais do que em 2012. Para isso, eles melhoram as técnicas de manejo.

O cafeicultor Reginaldo Biondo começou a preparar o sítio para produção de café fino. Ele isolou a casa com agrotóxicos e passou a cuidar melhor da terra. O manejo com os pés da planta também mudou. “Antigamente a gente não tinha nenhuma técnica, plantávamos de qualquer jeito. Agora temos feito vários cursos e melhoramos muito”, disse.

Mesmo com a técnica, a propriedade dele ainda não conseguiu exportar o café de qualidade. A colheita ainda não começou, mas o produtor planeja vender quatrocentas sacas fora do Brasil.
“O pessoal que compra esse café lá fora vê muito a fauna, a flora, a parte social e ambiental. Como melhoramos, isso vai influenciar na venda do nosso produto esse ano”, afirmou.

O também produtor Paulo Mengali está otimista. “Este ano temos mais compradores estrangeiros, que já vieram nas propriedades e estão interessados nesses cafés”, contou. Segundo ele, um argentino, um grego e um australiano estiveram no local para avaliar o produto.

Valorização
Vender café de qualidade pra fora significa valorização. Enquanto no Brasil a saca de um café comum não chega a R$ 300, o exportado de qualidade é negociado por pelo menos R$ 800.
Os produtores de café especial seguem normas internacionais para conseguir vender o produto lá fora, mas reclamam da falta de regulamentação no setor nacional, o que dificulta a comercialização interna.

“O nosso mercado vem fazendo uma certa mistura entre café gourmet e o especial. Já fizemos um pedido ao ministro da Agricultura para rever isso. Nós, produtores, queremos participar da elaboração de uma nova instrução normativa no Brasil para determinar o que é café e aí vamos tentar criar categorias especiais”, ressaltou Sergio Lange, presidente da
Associação Cafeicultores de Montanha.
Apreciadores
Aos poucos o consumidor vai exigindo melhor qualidade. Segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais, o número de apreciadores de café gourmet sobe 15% ao ano.

Uma cafeteria em Poços de Caldas (MG) só vende café do tipo especial. Uma parte é comprada em São Sebastião da Grama e também em Mococa (SP). “Em comparação aos cafés comerciais, é claro que tem uma diferença de preço, mesmo porque todo trabalho que o produtor teve, o cuidado que temos aqui no processo da torra e os profissionais para servir o café, que são os baristas, isso agrega valor”, disse a empresária Camila Medri.
A diferença do café tradicional para um fino pode ser percebida não só no paladar, mas também visualmente. O pó do café comum, industrial é mais escuro porque foi torrado mais, queimando as impurezas como a palha, por exemplo. Já o pó mais claro, torrado menos, mantém a qualidade do grão. Mas na hora de preparar o café, é preciso alguns cuidados para preservar as características.

“Na hora que chega na máquina, você ainda consegue estragar esse café. Então ele tem que estar moído no grau certo e a temperatura tem que estar perfeita para ter um bom resultado”, disse o barista Gabriel Medri.

Fonte: G1 São Carlos e Araraquara

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