Cooxupé adota transporte a granel e reduz emissões

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A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) conseguiu reduzir sua emissão de gases poluentes e seu consumo de energia elétrica ao trocar as sacas de juta que utilizava para transporte do café por um modelo graneleiro. Ao concentrar o embarque dos grãos no complexo de Japy, no sul de Minas Gerais, e substituir as antigas embalagens de 60 quilos por invólucros reutilizáveis de 1,2 mil quilos, a entidade deixou de consumir, em toda sua cadeia, uma quantidade de energia que seria suficiente para abastecer uma cidade de 34 mil domicílios e cerca de 100 mil habitantes.

Além disso, por ter reduzido a quantidade de caminhões necessários para o transporte do café, a cooperativa reduziu o consumo de combustíveis, e a consequente emissão de gases do efeito estufa, em quantidades suficientes para levar 1,8 mil caminhões da unidade até o Porto de Santos, ida e volta.

Hoje, a grande maioria dos nossos cooperados não utiliza mais a sacaria para levar o produto , afirma o gerente de comunicação e marketing da Cooxupé, Jorge Ribeiro Neto. Isso rendeu uma economia que vem de várias direções: da concentração do processo de embarque num só local, da mecanização, redução da necessidade de mão de obra, dos ganhos de escala, do encolhimento do trabalho logístico.

De acordo com o executivo, para carregar um caminhão de 15 mil quilos, o modelo antigo, que utilizava os sacos de juta, precisava de seis pessoas e 48 minutos. Com a mudança para o sistema a granel, a entidade gasta apenas 22 minutos e utiliza somente um funcionário. A economia, desde o plantio do café até a chegada ao consumidor, é calculada em cerca de R$ 18 milhões por ano.

A iniciativa partiu de um estudo realizado em parceria com a Fundação Espaço Eco, instituição ligada à Basf, que identificou maneiras pelas quais a cadeia cafeeira poderia reduzir seus impactos sobre o meio ambiente. A equipe trouxe da Alemanha uma ferramenta de análise de sistemas de produção que apontou soluções para as falhas de eficiência da cooperativa.

A parceria gerou um estudo que avaliou a produção de café em todo o serrado do sul de Minas, conta o presidente da Fundação, Roberto Araújo. A mensuração ajudou a acelerar o processo de implementação do novo modelo logístico. É impossível você fazer melhorias em um sistema antes de saber exatamente como ele funciona e quais são seus impactos , conclui.

Ribeiro Neto explica que a granelização do transporte do café era tido como um problema devido às diferenças de espécie que existem entre os grãos produzidos em cada região, mesmo dentro de uma única fazenda. O processo, diz ele, já havia sido adotado para a logística da soja e do milho há muito tempo, mas não era utilizado na cafeicultura porque os produtores tinham medo de misturar as variações do produto e reduzir a qualidade.

Quando começamos a transportar café a granel, tivemos uma surpresa. Mesmo diante dessas dificuldades, a economia é muito grande , garante o gerente. Foi uma quebra de paradigmas.

Cogeração – A Cooxupé deu início agora a estudos para calcular qual seria sua economia no uso dos resíduos deixados pelo café para gerar energia elétrica de biomassa. Ao concentrar o tratamento dos grãos no complexo de Japy, a cooperativa pôde reunir também toneladas de cascas e restos que podem ser comprimidos e utilizados no fornecimento de parte da energia da própria unidade.

Quando o café é tratado de forma escalonada, como fazemos na Cooxupé, ele solta películas e um pó orgânico , explica Ribeiro Neto. Nossa indústria já está transformando esses restos em pellets que, junto do cavaco de madeira, substitui o diesel que usávamos na geração de energia.

A entidade instalou também painéis solares para atender às necessidades energéticas de seus centros administrativos.

Parceiros – A parceria entre a Cooxupé e a Fundação Espaço Eco começou em 2008 com um projeto chamado Mata Viva, que trabalhava para recuperar matas ciliares e áreas degradadas na região de Guaxupé (MG). A iniciativa, conta Araújo, necessitava de uma base técnica muito bem apurada para que fosse utilizadas espécies nativas da área, compatíveis com o tipo de solo disponível.

Quando a cooperativa resolveu construir o Complexo do Japy, chamou novamente a Fundação para mitigar os impactos no local das obras, que possuía uma nascente de rio. O projeto levou à criação de uma unidade de ensino sobre meio ambiente. Chamado de Núcleo de Educação Ambiental (NEA), o estabelecimento se tornou um centro onde as escolas básicas da região poderiam levar seus estudantes para aprenderem sobre a flora e a fauna regional.

Fonte: DCI

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