Consórcio Pesquisa Café faz investimentos para combater nematóides

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Existem milhares de tipos de nematóides. Praticamente todos os seres vivos – homens, animais ou plantas – podem ser parasitados por eles. Esses pequenos seres atacam e destroem a cafeicultura, causando enormes prejuízos para a produção de café no País. No estado do Paraná, por exemplo, o impacto da doença pode gerar um prejuízo de mais de R$ 20 mil por hectare de café. Com o objetivo de combater essa praga, o Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café, faz investimentos em pesquisas nessa área desde a sua criação.

Atualmente, uma importante atividade do Consórcio sobre nematóides é o projeto que estuda a variabilidade genética de nematóides e a resposta funcional de genótipos de cafeeiros em diferentes condições de manejo. Trata-se de projeto interinstitucional, dirigido por pesquisadores do Instituto Biológico (IB), Instituto Agronômico (IAC) de Campinas (SP) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), instituições que fazem parte do Consórcio Pesquisa Café. As pesquisas estão em fase final, sendo que parte dos resultados já foi publicada em periódicos científicos.

Para a pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Alaide Aparecida Krzyzanowski, os estudos realizados com o parasita possibilitam um melhor manejo e maior sustentabilidade à produção de café. “O Consórcio possibilitou ao Iapar o estudo de mais uma alternativa para esse problema: a técnica de manejo (controle biológico) para agregar valor ao controle de nematóide, utilizando fungos nematófagos, extraídos da região geoeconômica do Paraná. Por meio dos estudos realizados em laboratório e casa de vegetação, obtivemos resultados preliminares promissores e estamos fazendo reavaliações para consolidação. A expectativa é de que esse trabalho proporcione uma cafeicultura mais sustentável”, ressalta.

Os nematóides são considerados como uma das mais importantes pragas de muitas culturas, causando danos desde a diminuição sensível de produção até a morte das plantas. Os principais sintomas, especialmente no caso do café, são a presença de galhas nas raízes com redução e deformação do sistema radicular, decréscimo da eficiência das raízes em absorver e translocar água e nutrientes, menor crescimento da parte área, clorose, desfolhamento em reboleiras e menor produção, culminando na morte das plantas. “Esses sintomas podem ser confundidos com deficiência nutricional. Os produtores devem sempre estar informados a respeito da infestação por nematóides”, esclarece Alaide.

Segundo o pesquisador do Instituto Biológico, Cláudio Marcelo Gonçalves de Oliveira, os resultados obtidos nas pesquisas ampliaram o conhecimento no combate ao parasita, oferecendo o controle geográfico, patogenicidade e a taxonomia (classificação dos vermes). “Em 1998, com os recursos do Consórcio, foi realizado amplo levantamento dos nematóides associados a cafeeiros no estado de São Paulo que permitiu o conhecimento da ocorrência e da distribuição dos fitonematóides associados a cafeeiros. A ajuda do arranjo foi de fundamental importância na formação de recursos humanos. Além disso, os recursos provenientes do Consórcio foram e têm sido essenciais na aquisição de reagentes, equipamentos e manutenção das instalações do laboratório de Nematologia do Instituto Biológico, com reflexo direto na qualidade das pesquisas realizadas”.

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Os principais nematóides que atacam a cafeicultura são os de galha (Meloidogyne spp.). Esses parasitas estão entre os patógenos de maior importância econômica, tanto no Brasil como em todo o mundo. No Paraná, por exemplo, Meloidogyne incognita e Meloidogyne paranaensis são os mais prejudiciais. E, no estado de São Paulo, foi possível a comprovação dos danos provocados por Pratylenchus brachyurus e P. coffeae em condições de casa de vegetação.

Fonte: Embrapa Café

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