Consistente, café na ICE sobe em dia de mercados negativos

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com ligeiros ganhos, se dissociando, mais uma vez, do cenário externo, que se mostrou nervoso e pressionado por conta dos temores de agravamento da situação econômica principalmente na Europa. As cotações flutuaram, durante boa parte do dia, no lado negativo da escala de preços, encontrando, porém, próximo da linha de 227,00 centavos por libra, uma zona compradora, formada por comerciais e, em menor grau, por especuladores.

Sem avançar mais consistentemente desse patamar, o contrato de dezembro passou a verificar uma desaceleração de perdas até a inversão da tendência, o que permitiu um fechamento no lado positivo da escala. Os olhos dos mercados continuaram focados na Itália e Grécia, sendo que a primeira já convive com a expectativa da queda do gabinete do primeiro-ministro Berlusconi, ao passo que a segunda já tem a confirmação do fim da era George Papandreou no governo.

A aversão aos riscos foi uma constante nos mercados internacionais nesta quarta: o dólar se fortaleceu consideravelmente em relação a uma cesta de moedas internacionais, ao passo que as bolsas de valores nos Estados Unidos fecharam com perdas de 2,98% e 3,53% para Dow Jones e Nasdaq, respectivamente. Fundamentalmente, o café ainda especula sobre possíveis retrações nas safras de café suave da América Central e Colômbia, sendo que alguns players trabalham com a perspectiva de que tais perdas serão mínimas. Por outro lado, também se repercute a possibilidade de o Vietnã ter uma baixa em sua produção por conta de aspectos climáticos, algo que não vinha considerado até há pouco pelos participantes.

No encerramento do dia, o dezembro em Nova Iorque teve alta de 60 pontos com 230,20 centavos, sendo a máxima em 231,45 e a mínima em 226,95 centavos por libra, com o março tendo valorização de 60 pontos, com a libra a 233,45 centavos, sendo a máxima em 234,80 e a mínima em 230,20 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição janeiro registrou queda de 8 dólares, com 1.836 dólares por tonelada, com o março tendo desvalorização de 6 dólares, com 1.873 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, o dia foi caracterizado por “ignorar” a tendência externa e não ampliar as perdas observadas na terça-feira. Os bearishs (baixistas) voltaram a se mostrar pouco ativos e não conseguiram estender as baixas e, muito menos, buscar testar o principal suporte atual, no nível de 220,00-219,80 centavos. Com isso, o mercado se sentiu estimulado a algumas recompras e aquisições comerciais, culminando nas altas. “Continuamos demonstrando alguma consistência.

Mesmo com as realizações da terça-feira, o mercado consegue se mostrar bastante estável, ao não ser pressionado, por exemplo, em um dia tão negativo quanto ao verificado nesta quarta, no qual os segmentos externos se mostraram em tensão máxima com a possibilidade de ampliação do quadro de colapso na economia européia”, disse um trader. Pelo menos 20% da produção cafeeira do Quênia referente à safra 2011/2012 foi contrabandeada para países vizinhos.

As vendas na bolsa de Nairobi chegaram a 33.680 toneladas, 2 mil toneladas a menos que no ano anterior. Para David Murithi, diretor da Associação dos Produtores e Comerciantes de Café do Quênia, essa retração, em grande parte, é devida ao contrabando. Para o dirigente, a produção do país deve fechar a temporada em 54 mil toneladas, refletindo o aumento nos tratos culturais. As exportações de café do Brasil em novembro, até o dia 8, somaram 360.908 sacas, contra 549.204 sacas registradas no mesmo período de outubro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 15.684 sacas, indo para 1.316.490 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 25.041 lotes, com as opções tendo 2.398 calls e 1.939 puts. Tecnicamente, o dezembro na ICE Futures US tem uma resistência em 231,45-231,50, 232,00, 232,50, 233,00, 233,50, 234,00, 234,50, 234,90-235,00, 235,50, 236,00 e 236,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 226,95, 226,50, 226,00, 225,50, 225,10-225,00, 224,50, 224,00, 223,50, 223,00, 222,50, 222,00 e 221,50 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

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