CNC: Boletim Conjuntural do Mercado de Café – Junho/2014

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Em meio a especulações sobre o tamanho das perdas na safra do Brasil e a condições climáticas favoráveis à colheita nas principais regiões produtoras do País, os preços futuros do café arábica apresentaram tendência de queda em junho. Porém, a desvalorização foi menos acentuada em relação à registrada no mês anterior.

Sem alterações nos seus fundamentos, as cotações do mercado continuam sendo norteadas pela análise técnica. Em relação à evolução da colheita da safra brasileira, o Conselho Nacional do Café (CNC), por meio de pesquisa junto às cooperativas associadas, estima que entre 35% e 40% dos grãos foram colhidos até o final de junho.

O vencimento setembro do Contrato C da ICE Futures US encerrou o mês a US$ 1,7510 por libra-peso, com queda acumulada de 480 pontos. Os fechamentos diários variaram entre os limites de US$ 1,68 e US$ 1,82 e a cotação média de junho, de US$ 1,74, foi 39,6% superior à do mesmo período de 2013.

O saldo líquido comprado dos fundos de investimento apresentou discreta redução em relação ao mês passado, porém esses agentes continuam fortemente comprados. Em 24 de junho, a Commodity Futures Trading Comission (CTFC) informou que os fundos de investimento mantinham no mercado futuro e de opções de café arábica da ICE Futures US saldo líquido comprado de 39.054 lotes, ante os 39.482 lotes do final de maio.

Já os estoques certificados de café da Bolsa de Nova York diminuíram 47,6 mil sacas, encerrando o mês em 2,5 milhões de sacas. Esse volume é 9% inferior ao registrado em junho de 2013, quando eram contabilizadas 2,74 milhões de sacas.

Por sua vez, o mercado futuro do café robusta seguiu tendência oposta à dos preços do arábica negociados em Nova York. No acumulado de junho, as cotações do contrato 409 da Liffe, com vencimento em setembro de 2014, apresentaram valorização de US$ 60, encerrando o mês a US$ 2.016 por tonelada. A cotação média de junho, de US$ 1.967/t, foi 9,5% superior à do mesmo período do ano passado.

Em função da valorização das cotações do robusta em relação às do arábica, a arbitragem entre as Bolsas de Londres e Nova York apresentou tendência de estreitamento, atingindo US$ 0,8 no final do mês, na comparação com os US$ 0,9 registrados no último dia de maio.

Também em junho, os estoques certificados monitorados pela NYSE Liffe continuaram se recuperando, atingindo 1,12 milhão de sacas no final do mês, ante as 855 mil sacas registradas nos últimos dias de maio. Mesmo assim, os estoques se encontram em patamar 44% inferior ao apurado no mesmo período do ano anterior.

O mercado doméstico brasileiro permaneceu com pouca liquidez nos negócios. Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon encerraram o mês com variação de -0,1% e 1,9%, respectivamente, cotados a R$ 401,77 por saca e a R$ 237,14 por saca.

No mercado cambial, o real valorizou-se em relação ao dólar em junho. A moeda norte-americana encerrou o mês em R$ 2,21, com queda acumulada de 1,3%. O desempenho negativo da economia dos Estados Unidos no primeiro trimestre do ano, que apresentou contração mais forte do que a estimada pelos analistas, e a decisão do Banco Central do Brasil de estender seu programa de intervenção diária no câmbio até dezembro estimularam essa tendência.

Em relação à política cafeeira, em junho foi publicada a Resolução do Banco Central do Brasil no 4.340, que alterou os encargos financeiros e o direcionamento de capital para as Linhas de Financiamento ao Amparo de Recursos do FUNCAFÉ, em 2014. O Quadro abaixo resume as alterações trazidas pela Resolução.

Ass. Técnica CNC / P1

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