Cepea: preços do café robusta avançam e elevam liquidez no Brasil

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Os valores domésticos do café robusta têm registrado certa recuperação, influenciados pelas elevações nos preços futuros da variedade, do dólar e também pelo aquecimento na demanda.

Na segunda-feira, 2, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 peneira 13 acima fechou a R$ 288,89/saca de 60 kg, avanço de 0,6% em relação à segunda anterior, 26. O tipo 7/8 bica corrida fechou a R$ 279,89/sc na segunda, aumento de 1,5% no mesmo período – ambos a retirar no Espírito Santo. Ressalta-se que, na quarta-feira passada, 28, o Indicador do tipo 6 atingiu R$ 296,98/sc, o maior patamar real desde 4 de junho (valores deflacionados pelo IGP-DI de jul/19).

Entre 26 de agosto e 2 de setembro, o dólar se valorizou 0,7%, a R$ 4,182 na segunda. O maior patamar da moeda norte-americana também aqueceu os fechamentos de negócios futuros e para exportação.

Apesar da maior liquidez, agentes apontam que o volume de café da safra 2019/20 nas mãos de produtores ainda é significativo. Até a última semana de agosto, esse montante correspondia de 55% a 45% do total produzido no Espírito Santo, segundo agentes consultados pelo Cepea.

Já em Rondônia, essa quantidade é inferior, uma vez que a maior parte produzida na safra 2019/20 foi negociada anteriormente e entregue nos últimos meses. Conforme agentes, o volume de café na mão de produtores rondonienses corresponde de 30% a 20% do total produzido.

ARÁBICA
Para o arábica, os preços domésticos também avançaram nos últimos dias, sustentados especialmente pelos fortes avanços do dólar e dos futuros da variedade. Com isso, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, voltou a fechar acima dos R$ 410/saca de 60 kg, patamar que não era visto desde julho.

Na segunda-feira, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6 bebida dura para melhor fechou a R$ 417,58/saca de 60 kg, estável (-0,1%) em relação à segunda anterior, 26 de agosto.

Na Bolsa de Nova York (ICE Ftures), o contrato Dezembro/19 fechou a 96,85 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira, 30, baixa de 0,7% frente ao dia 26 de agosto – a Bolsa não operou nessa segunda, devido ao feriado de Labor Day nos EUA.

Os maiores preços atraíram alguns produtores ao mercado, mas a liquidez interna tem sido inferior à do robusta, com um baixo volume de negócios efetivamente fechados. Segundo agentes, além de produtores ainda estarem insatisfeitos com os atuais preços, grande parte está focada na finalização de entregas já programadas.

Assim, até o encerramento de agosto, o volume de café da safra 2019/20 ainda disponível nas mãos de produtores era elevado na maior parte das regiões brasileiras. Em praças com pouco café negociado antecipadamente (negócios futuros), como Garça (SP) e Zona da Mata (MG), a quantidade de grãos disponíveis para a comercialização é maior, chegando até aos 80%.

Apenas no Noroeste do Paraná esse volume é inferior, devido à menor produção nesta safra e à maior necessidade de “fazer caixa” por parte de produtores. Já em regiões como Mogiana (SP), Sul e Cerrado Mineiros, a quantidade da safra 2019/20 ainda disponível ultrapassa pouco mais da metade.

A expectativa de agentes é de que mais café seja negociado nos próximos meses. Isso porque, além da finalização da maioria das entregas agendadas em setembro, muitos produtores devem retornar ao mercado para custear os primeiros tratos nas lavouras pré e pós-floradas.

Análise do mercado cafeeiro elaborada pela Equipe Café CEPEA/ESALQ.
Equipe: Dra. Margarete Boteon, Laleska Moda, Renato Ribeiro e Fernanda Geraldini.

Fonte: Agência Estado via CNC

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