Café Solúvel Brasília – Inaugurada em 28 de maio de 1971

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Embora representasse cerca de 50% das exportações brasileiras, em 1960 apenas um terço dos habitantes do mundo consumia café, um produto ignorado no Extremo Oriente, onde o chá reinava sem concorrência. Para conquistar os outros dois terços do planeta, o governo implantou uma política de incentivo à exportação de café. Com ela, começaram a surgir as fábricas de café solúvel, instrumento fundamental na abertura de mercados, já que sua preparação simplificada facilitava a aquisição do novo hábito onde ele era desconhecido.

Assim, em 1971 a Café Solúvel Brasília (CSB), primeira e única fábrica do gênero no Estado de Minas Gerais, entrava em operação com a missão de alargar as fronteiras do café brasileiro.

Em pouco tempo, a Inglaterra, até então uma tímida consumidora de café torrado, absorvia expressivas quantidades do café solúvel produzido pela CSB para diferentes marcas e distribuído por importantes e tradicionais indústrias de alimentos do Reino Unido. Logo chegamos a outros países da Comunidade Britânica, como Austrália e Nova Zelândia.

Pioneiros na China em 1981, estivemos também entre os primeiros fornecedores para a antiga União Soviética (URSS), num processo iniciado em 1980, quando a CSB foi patrocinadora das Olimpíadas de Moscou, e o Café Globo, a marca de café oficial do evento. Em 1985, o governo soviético decidiu implantar a bem-sucedida estratégia sueca de estimular a substituição do consumo de álcool por café, para reduzir os suicídios motivados por embriaguês, e a CSB passou a vender grandes volumes de café solúvel para a Rússia e para o Leste Europeu.

Ao lado de uma estratégia comercial eficiente, a empresa investia constantemente em qualidade, como testemunha a medalha de ouro obtida pelo Café Globo, em 1978, na Feira Internacional de Leipzig (Alemanha), feito até então inédito para uma marca latino-americana. Os resultados foram excepcionais: no final dos anos 1990, estávamos em mais de 50 países, na África, na Ásia, na Europa, nas Américas do Sul e do Norte e na Oceania.

Foram milhões de sacas de café e bilhões de dólares em divisas para o país, até que a política de incentivo à exportação cafeeira foi descontinuada. Produtores de café de menor qualidade, especialmente os asiáticos, aproveitaram para ocupar o espaço aberto pelas empresas brasileiras. Impedida de importar o grão por drawback, para beneficiá-lo e reexportá-lo a preços competitivos, a indústria nacional teve que abandonar a estratégica exportação de café solúvel e voltou a vender café verde para aqueles mesmos consumidores conquistados nos tempos do Império. A produção excedente passou a ser absorvida pelo mercado interno, consideravelmente expandido após o Plano Real.

No novo milênio, a CSB reposicionou-se e, com o apoio de técnicos bem formados, a confiança dos clientes e o mesmo espírito empreendedor de sempre, começou a exportar variedades de bebidas de café, como café com leite em pó e cappuccino. Hoje, atenta às tendências de consumo e investindo constantemente em atualização tecnológica, a CSB parte mais uma vez para a conquista de mercados, agora com produtos à base de frutas tropicais, ingredientes instantâneos e alimentos desidratados e solúveis. Afinal, se muita coisa mudou e os desafios são vários, o essencial para vencer continua a ser o mesmo: atender às expectativas de nossos clientes, com preços competitivos, inovação, qualidade e pontualidade, exatamente como temos feito nesses 40 anos.

Varginha – MG, 28 de maio 2011. 

(Texto lido na festa da comemoração de 40 anos de existência da empresa Café Solúvel Brasília)  

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