Café perde força e devolve controle aos baixistas

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Os principais índices de ações começaram em alta no último trimestre do ano ajudados por indicadores econômicos dos Estados Unidos, principalmente a queda da taxa de desemprego no país. Com menos sorte, a maior parte das commodities cedeu aparentemente por motivos intrínsecos, muito embora não dê para descartar uma tomada de lucros por parte de investidores. 

Dentre as que mais perderam, a gasolina liderou com baixa de 11.65%, seguida pelos -5.33% do cacau, -4.99% do trigo e -3.11% do café arábica. O contrato de café da ICE atingiu o maior patamar de quase dois meses na quarta-feira, entretanto na sequência desmoronou US$ 17.73 por saca das máximas, encerrando a semana com baixa de US$ 7.14 por saca. A forte queda em duas sessões finalmente tira o ânimo de muitos altistas, já que o gráfico fica comprometido e deve trazer uma maior pressão vendedora dos fundos. 

A movimentação do físico e o enfraquecimento dos diferenciais desencadeou um bom volume de venda de origens acima de US$ 180 centavos por libra. Fotos de floradas no Brasil, que não param de chegar à caixa de entrada de e-mails ao redor do mundo, foi o toque de retirada que os compradores estavam esperando. O cenário se complica. E certamente não ajuda a questão dos estoques certificados da bolsa de Nova Iorque continuar incrementando, estando neste momento acima dos estoques da bolsa de Londres. 

Alguns dizem que isto tem relação com o final da safra da América Central, que aproveita para certificar o saldo do que carrega antes que envelheça. O motivo não diminuiu o fator negativo já que o sujeito só faz entrega física contra o mercado futuro se não tem para quem vender a preços melhores. Notícias que circularam pelos terminais criam algumas incertezas adicionais aos participantes do mercado. 

Creio que o que mais assusta é o quanto será de fato a produção de café no Vietnã, e a estória do potencial fim da bi-anualidade no Brasil. Com relação ao primeiro, os números de exportação acabaram por calar os analistas que pregavam o pico de produção no país dado o envelhecimento do parque cafeeiro, e deram mais força aos que dizem estar acontecendo uma troca de árvores e mudança de tecnologia – dando espaço para o aumento em produtividade e como consequência um volume maior da safra. 

Já para o segundo assunto é bom separarmos a safra brasileira entre conillon e arábica para não nos confundirmos. Em números gerais há sim chance de termos um menor “swing” entre safras grandes e pequenas, mas fechando o foco podemos notar que isto se deve principalmente às safras maiores de conillon. Se os preços negociados na LIFFE são lucrativos para os Vietnamitas, imaginem para os produtores brasileiros que tem produtividades estratosféricas. 

Talvez por isto que alguns sugerem um volume de 20 milhões de sacas de produção brasileira de conilon. O fato é que a discussão volta a ficar em torno do que venho constantemente comentando neste espaço: “a troca nos blends”. Corroborando com a polêmica, o leitor assíduo Fernando Rabello, menciona que certo dia reuniu degustadores para provar um café às cegas, sem os deixarem nem mesmo ver o grão torrado na frente das xícaras. 

Quatro dos melhores provadores da região (que é de arábica) classificaram o café como cereja, café mole do Cerrado, cereja do Sul de Minas, e cereja do Cerrado. O café em questão era um conilon despeliculado. Se especialistas têm dificuldade em diferenciar, imagina o consumidor final que mistura leite e açúcar na sua bebida… 

Voltando aos futuros, infelizmente os preços perderam o momento para subir mais, principalmente quando a sustentação do arábica de certa forma depende do robusta e o contrato londrino está tecnicamente mostrando sinais de exaustão da alta. Os baixistas voltam a falar alto, e agora precisamos encontrar interesse de compra da indústria para termos uma melhor noção de onde se encontrará suporte. 

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting 

Fonte: AgnoCafé

  

 

 

 

 

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