Café: NY atinge maior preço em 26 meses e julho fecha em 213,4 cents

Imprimir

O mercado do café arábica teve mais uma sessão de fortes altas nesta terça-feira (22) na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US). Todos os contratos fecharam acima dos US$ 2,10 a libra-peso, atingindo o maior preço em 26 meses. A divulgação da Volcafe, que reduziu sua estimativa para a safra brasileira 2014/15 de arábica em 18%, passando de 34,6 milhões para 28,4 milhões de sacas, pode ter ajudado a sustentar o mercado, de acordo com analistas.

O contrato para entrega em maio fechou em 211,8 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 1510 pontos. O vencimento julho fechou em 213,4 cents / libra-peso e alta de 1420 pontos. Setembro alcançou os 215,40 cents e dezembro fechou em 217,5 cents / libra-peso.

A sessão foi marcada por extrema volatilidade, registrando variações de mais de 1600 pontos entre as máximas e mínimas para os contratos de entrega mais próxima.

De acordo com o analista Eduardo Carvalhaes, o mercado continua de olho no clima e nas estimativas para a safra brasileira e é influenciado pela intensa “briga” entre comprados e vendidos na Bolsa de Nova Iorque. A divulgação da Volcafé, divisão de café da trading de commodities ED&F Man, também pesou sobre o mercado. “A Volcafé é uma empresa de capital suíço, que tem bastante credibilidade no mercado… Agora não temos apenas os cafeicultores brasileiros dizendo que há uma quebra, mas grandes consultorias e traders que apontam para uma safra menor”.

A agência de notícias Bloomberg informou hoje que os preços do arábica já subiram mais de 90% este ano, depois que “a pior seca em décadas” atingiu os cafezais brasileiros no início do ano. Agora, o excesso de chuvas ameaça atrasar as colheitas no país e reduzir a qualidade da safra 2014/2015. “A redução na safra brasileira estimada pela Volcafé indica um déficit de produção global do tamanho da safra da Colômbia, o segundo maior produtor de café arábica no mundo”, informa a agência.

Michaela Kuhl, analista do Commerzbank AG, segundo maior banco comercial da Alemanha, afirmou que “a redução é considerável” e que, se for concretizada, “veremos um déficit de 11 milhões de sacas em 2014/15”, fazendo com que o os preços tenham forte alta.

Volcafé e Wolthers Douqué reduzem drasticamente a estimativa de safra
Além da Volcafé, que reduziu em 18% sua estimativa para a safra brasileira de arábica, outras empresas e traders estão reconhecendo os grandes danos provocados pela seca nos cafezais do Brasil.

A Wolthers Douqué, importadora de café com sede na Flórida, Estados Unidos, também projetou uma redução drástica para a produção de arábica no Brasil. O presidente da empresa, Christian Wolthers, visitou recentemente o Sul de Minas Gerais e, avaliando os cafezais, estima uma perda de até 35% para a região. Wolthers compara os grão de café a um “origami”, por serem mal-formados e ao vinho branco Sauterne, devido a sua maturação precoce e ao excesso de açúcar nos grãos.

“Os cafezais parecem saudáveis e com uma boa quantidade de frutos, mas quando examinamos de perto, vemos uma grande quantidade de grãos pequenos, mal-formados, secos e até mortos por dentro”. Afirma Wolthers. “Eu peguei uma grande quantidade de frutos e percebi que estão excessivamente macios e secos… Achei muitos grãos desorganizados e mal-formados, por isso os chamei de ‘origami’”.

Christian Wolthers afirma que esta foi a primeira vez que viu grãos naquela condição, com aparência de “papel amassado”. “Esses grãos vão resultar em uma renda baixa para o produtor, já que não vale a pena colhe-los”.

Veja abaixo o vídeo feito por Christian Wolthers:

Fonte: Notícias Agrícolas

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *