Café na ICE tem dia negativo e amplia perdas da semana passada

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta segunda-feira com novas e fortes perdas. As liquidações de fundos e de especuladores continuaram a dar o tom dos negócios e nem o cenário externo relativamente mais favorável conseguiu conter o ímpeto dos vendedores.

Com isso, as cotações do grão bateram nos menores níveis em quatro meses e meio e assumiu efetivamente um cenário ainda mais baixista. Muitos players trabalham com novas expectativas de curto prazo para as cotações, sendo que vários deles crêem que o nível de 230,00 centavos deverá ser buscado.

Os altistas, que durante vários meses foram os operadores mais ativos, não demonstram mais um apetite comprador e as perdas surgem quase que naturalmente. Graficamente, o mercado mostra uma tendência baixista considerável, com os fechamentos se dando abaixo de importantes linhas de médias móveis de longo e de curto prazo, o que, evidentemente, é mais um sinal negativo para o mercado.

Um operador sustentou que o quadro se mostra negativo, sendo que as perdas podem ser ampliadas, apesar de haver sinais de que o mercado estaria consideravelmente sobrevendido. Diante disso, uma ação corretiva não causaria estranhamento entre os players. Contudo, o mercado demonstra uma considerável força no seu viés vendedor e, mesmo diante dessa característica sobrevendida, é possível que as liquidações se mantenham.

O cenário externo não trouxe maiores pressões para o café. O dólar teve uma segunda-feira de ligeiras perdas, ao passo que o índice CRB registrou pequena oscilação positiva. No encerramento do dia, o julho em Nova Iorque teve baixa de 595 pontos com 243,60 centavos, sendo a máxima em 250,35 e a mínima em 243,45 centavos por libra, com o setembro registrando oscilação negativa de 620 pontos, com a libra a 246,30 centavos, sendo a máxima em 253,00 e a mínima em 246,15 centavos por libra.

Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição julho registrou queda de 64 dólares, com 2.238 dólares por tonelada, com o setembro tendo desvalorização de 66 dólares, com 2.276 dólares por tonelada. Segundo analistas internacionais, o dia foi de ampliação do quadro registrado na sexta-feira, sendo que esse prolongamento das perdas pode ainda ter continuidade, já que o mercado demonstra pouco apetite comprador.

"Ao rompermos os importantes suportes na área de 256,00 centavos abrimos espaço para liquidações mais proeminentes. O mercado é caracterizado por uma considerável fraqueza e é possível que o nível de 230,00 centavos seja buscado sem maiores problemas", disse um trader. Operadores destacaram que o cenário criado com os problemas econômicos da Grécia afeta diretamente o mercado de commodities, com matérias-primas como petróleo e café sofrendo com as incertezas sobre a situação do bloco econômico europeu.

"A maior influência continua sendo a situação européia. Se nós olharmos o que aconteceu com o preço do petróleo durante a crise financeira podemos dimensionar o grande impacto desses eventos. Registramos uma tendência de desaceleração econômica", disse Ben Westmore, economista do Banco Nacional da Austrália. Cafeicultores do Vietnã estariam atrasando os embarques de parte das vendas fechadas.

Desde o mês de maio cerca de 100 mil sacas teriam deixado de ser remetidas ao exterior no período correto, devido à pouca disponibilidade do produto, segundo apontou uma fonte em Ho Chi Min. Alguns players locais já demonstram preocupação em não se cumprir os contratos estabelecidos.

Dados locais demonstram que os estoques do grão do país tiveram uma retração considerável e isso pode ser uma esperança para a sustentação dos preços nos próximos meses.

 "O volume de café disponível no país tem sido escasso e os exportadores podem ter de comprar grão no exterior para cumprir os contratos estabelecidos", indicou o vice-presidente da Associação de Café e Cacau do Vietnã, Do Ha Nam. As exportações de café do Brasil em junho, até o dia 17, somaram 827.990 sacas, contra 1.115.075 sacas registradas no mesmo período de maio, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 6.925 sacas indo para 1.657.495 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 36.509 lotes, com as opções tendo 4.084 calls e 5.719 puts.

Tecnicamente, o julho na ICE Futures US tem uma resistência em 250,35, 250,50, 251,00, 251,50, 252,00, 252,50, 253,00, 253,50, 254,00, 254,50 e 254,90-255,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 243,45, 243,00, 242,50, 242,00, 241,50, 241,00, 240,50, 240,10-240,00 e 239,50 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

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